Lisboa - 1 . O SINSE-Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (ex-Sinfo), reconhecia em Set.2010 estar a enfrentar dificuldades no desempenho da tarefa de controlar a acção do núcleo duro da direcção da UNITA, descrito num relatório sobre o assunto como “grupo de Samakuva, (que) sabe e dirige o jogo político”.


Fonte: Africa Monitor



As causas das referidas dificuldades, por reflexo das quais estava igualmente a ser prejudicada a tomada de “medidas activas” destinadas a contrariar a acção político-partidária da UNITA, são identificadas num relatório interno sobre o assunto como resultado de estratagemas adoptados pela direcção do partido, tais como as seguintes:


- Confinamento da discussão dos assuntos de importância capital ao círculo do “grupo de Samakuva”, com o propósito inferido de ocultar os mesmos e garantir o sigilo das decisões.



- Emprego de novos métodos e/ou critérios na transmissão interna de informações sobre decisões e orientações destinadas a outros orgãos do partido, em especial estruturas provinciais (p ex, recurso a intermediários e a “acções de diversão”; aceleração da circulação de informação relacionada com acções susceptíveis de serem obstruídas quando conhecidas previamente).



2 . Como forma de contrariar os novos procedimentos adoptados pela UNITA, o SINSE recebeu então “orientações” tendentes à criação de um grupo de trabalho com a função de “seguir milimetricamente” o núcleo do presidente da UNITA, identificado como “o tal grupo”. Foram-lhe fornecidos, para isso, “dados solicitados” e meios financeiros.



Na sua missão de controlar a UNITA (actividades do partido e/ou acção dos seus dirigentes) o SINSE emprega métodos de vigilância electrónica e humana (comint e humint), bem como acções de infiltração. O relatório em apreço refere que as estruturas provinciais são “muito vulneráveis” e que a Rádio Despertar está infiltrada.



Na tarefa de controlar a UNITA (grau de prioridade equivalente à missão com o mesmo fim em relação à FLEC e a grupos considerados separatistas de Cabinda), o SINSE trabalha em articulação com a Casa Militar, SIE-Serviço de Inteligência Externa, mas também com departamentos do MPLA e do Governo.


3 . A componente financeira da organização da UNITA é merecedora de especial atenção por parte do SINSE. Tendo por base a constatação de que os circuitos bancários não estavam a ser usados no encaminhamento de financiamentos externos, o relatório sugere que os dirigentes do partido passem a ser mais controlados (pelo SME) nas suas deslocações ao estrangeiro, como supostos portadores de fundos.



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