Além do mais, esta coluna é um espaço de análise, mas também de opinião. Por isso, agora que a campanha eleitoral começou formalmente, entendo ser legítimo, como figura pública – logo, com responsabilidades sociais acrescidas -, partilhar com os leitores as razões que me levarão, dentro de um mês, a votar no MPLA.Será o MPLA, digamos assim, o melhor partido do mundo? Não. Aliás, é improvável que haja algum partido no mundo que possa ostentar esse título. Os partidos políticos são feitos por homens e, portanto, têm limitações.

O MPLA é imune a críticas? Também não. Uma vez que, como toda a organização humana, tem as suas limitações, pode – e tem-no feito - cometer erros. Eu próprio, juntamente com tantos outros angolanos, membros ou não do referido partido, tenho criticado, interna e publicamente, alguns desses erros. Faço-o com a intenção de ajudar o MPLA a governar cada vez melhor, uma vez que, em democracia, o desempenho governativo é crucial para manter o poder.
Os adversários do MPLA dizem que nada foi feito até agora em Angola. A própria independência – que nos tornou em seres livres da dominação colonial – é desvalorizada. No fundo, talvez lhes esteja a boca a fugir para a verdade, pois é historicamente conhecida a sua aliança com os inimigos da liberdade dos angolanos, antes e depois da independência.

Afirmar que nada foi feito no país é manifestamente desonesto. A primeira grande realização do MPLA foi não só ter efectivado a independência, em 1975, mas tê-la garantido após vicissitudes tremendas, mantendo a integridade do seu território e a unidade dos angolanos. Fruto, em especial, da guerra fria, a independência foi proclamada em condições peculiares, mas que partido sinceramente nacional pode agora vir negá-la?
O MPLA também teve o mérito de entender a necessidade de corrigir a história, realizando a abertura política e económica em 1990. Em 1992, não hesitou em colocar o poder em disputa e, contra as previsões dos seus adversários, internos e externos, venceu as eleições.

Há 16 anos, os maus perdedores resolveram regressar à guerra, aumentando ainda mais a destruição do país e o sofrimento dos angolanos. Em 2002, o governo derrotou os que pretendiam tomar o poder pela força das armas, o que permitiu, finalmente, transformar a paz numa realidade irreversível. Desmentindo aqueles que o acusam, em abstracto, de ser “arrogante”, o MPLA, durante toda a guerra pós-eleitoral, manteve as instituições democráticas em funcionamento, incluindo um governo onde estavam membros da organização que tentava derrubar militarmente o poder eleito em 1992.

Terminada a guerra, o MPLA começou imediatamente a cuidar do futuro. Reassentou quatro milhões de deslocados e 400 mil refugiados e reinseriu socialmente 150 mil antigos soldados. Aplicou um programa de reconciliação e harmonização que é um exemplo em África. Controlou os indicadores macro-económicos e fez o país crescer 18 por cento em média, nos últimos seis anos. Iniciou um ambicioso programa de reabilitação e construção de novas infra-estruturas que está a mudar a face do país.

Tal como muitas outras vozes, fiz vários reparos pessoais, inclusive públicos, a uma certa “elitização das prioridades” do governo, nos primeiros anos depois de 2002, em detrimento da questão social. Mas mesmo nesse plano, a situação começa a mudar. O Relatório de Desenvolvimento Humano 2007-2008 do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) reconhece, relativamente a Angola: “As pessoas estão vivendo mais, a morrer menos de malária e há mais acesso aos postos médicos. As crianças morrem menos ao nascer, assim como há mais empregos para os jovens”.

É de recordar que o MPLA prioriza clara e expressamente a questão social no seu programa de governo para os próximos quatro anos. Esse facto demonstra, mais uma vez, a capacidade histórica do MPLA de escutar as críticas, apreender as exigências da sociedade e adaptar-se aos sinais dos tempos.

Assim, o emprego foi definido como a base da estratégia de desenvolvimento do país entre 2009 e 2012. A comprová-lo, o MPLA compromete-se a criar um milhão e 300 mil empregos no referido período, caso seja eleito para continuar a governar o país. Outras metas fundamentais, no domínio social, são construir um milhão de casas, metade das quais no campo; ampliar a rede sanitária e escolar; construir uma universidade em cada capital provincial.

Depois de 27 anos de guerras, Angola precisa de melhorias e mudanças em muitas áreas. O MPLA já começou a fazê-las. É, por conseguinte, o único capaz de prosseguir o trabalho iniciado, de maneira segura e sem instabilidade.

Fonte JA



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