Lisboa - A emoção e o entusiasmo, aliados talvez a uma suposta falta de ética e responsabilidade política por parte de determinados dirigentes do nosso MPLA, desemboca sempre no apetite por declarações ou discursos prepotentes e arrogantes, perante qualquer assunto que acharem desconfortante ou que desconfigure o posicionamento do governo. A ideia básica é agradar e agradar sempre.


Fonte: Club-k.net


O importante para esta classe de políticos hipócritas, é que se mostre que tudo será sempre como tem sido, haja o que houver. Puro engano. Sem ter de ser muito atento, qualquer cidadão comum, percebeu que os pronunciamentos dos camaradas Rui Falcão e Dino Matross ao longo dos últimos dias, tomaram uma tonalidade ameaçadora, de afronta e de desrespeito aos princípios emanados pela constituição de um estado de direito. Portanto, os seus autores foram bastante infelizes, o que não é mais do que um sinal de grande fraqueza inspirados na incerteza, no medo, no ressentimento, ou talvez seja fruto do desconhecimento premeditado e voluntário da ciência política.

 


Isto reflecte apenas, que os nossos políticos do politurbo, protegidos pelos excessos do poder e da riqueza, vão-se esquecendo de tentar ao menos fazer uma nova leitura da realidade actual da política universal e as suas prováveis consequências, que inevitavelmente e com toda a naturalidade, por arrasto acabarão por se estender ao nosso país, sejam elas boas, más ou péssimas. Face aos acontecimentos do Magreb, hoje, qualquer "pseudo-político" consegue perceber que os dias que correm, não são os melhores para qualquer regime ou líder, que por alguma anomalia tenha sobrevivido ao poder por mais de três décadas.

 


Quando como por uma varinha mágica, a suposta propagação de ideias para a promoção de uma manifestação pacífica, começa por transformar os sonhos de governação eterna para quem detém o poder em prenúncio do princípio do fim desta era; então abala-se o centro nevrálgico do sistema, propaga-se a esquizofrenia, alteram-se os comportamentos, inicia-se o ciclo das acusações, surgem os culpados, a confusão se instala e é o descalabro.

 


Segundo as regra, a semente da destruição das ditaduras, é geralmente disseminada pelos seus próprios correligionários; o comportamento dos nossos camaradas, evidencia de alguma forma o princípio desta teoria. Portanto, a falta de visão de muitos dos actores políticos do partido no poder, o desrespeito, o cinismo e a prepotência, voluntária ou involuntária, vão despoletando desafios, raivas e ódios. Lembremo-nos de que quem desafia, encontra sempre um desafio. E com toda a certeza, tais comportamentos podem ou poderão precipitar de alguma maneira, dissabores de ordem política indesejáveis. Os tempos são outros, o momento não é de gracinhas para quem governa, mas de responsabilidade acrescida; saber gerir crises anunciadas na busca da estabilidade, é mais virtuoso do que gerir apenas estabilidade.


A. Gonçalo



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