Benguela - Já lá vão uns 12 anos quando numa manhã após a missa matinal, na Igreja Católica da Baía Farta, cuja II leitura versava sobre os escritos de S. Paulo.  Dirigi-me ao Pároco no final da missa, que havia celebrado, questionando se Deus dos europeus era o mesmo dos asiáticos e dos africanos. O ex-Pároco, que infelizmente renunciou a vida sacerdotal nestes últimos anos, olhou para mim com uma extrema admiração, porque pensava que, pergunta do género nunca poderia esperar de mim.


Fonte: Club-k.net


Em resposta disse: que não acreditava que fosse capaz de efectuar tal questionamento. Dirigindo-me ao pároco novamente disse-lhe que explicasse o porquê de tal inquietação. Dizia, eu, que o pequeno contacto que tive com os europeus em Angola nos anos 60 e 70, com maior realce para esta última década, os portugueses nas vestes de colonizadores, verifiquei que eram muito solidários e todo qualquer colono que aterrasse igualmente em qualquer parte do país, era automaticamente acolhido pelos residentes. Significa, pelos que já se encontravam radicados no país.

 

 Voltando a leitura de S. Paulo, este é conhecido pelo profeta fundador da Caritas, pela sua grande paixão de amor ao próximo. Aclamava pela justiça social, enfim, por tudo aquilo que tornasse o ser humano mais digno de viver na Terra.

 

Quanto a nós, os africanos com maior realce para os nossos bairros suburbanos e aldeias, não obstante serem todos vitimas de injustiça social, com níveis de pobreza bastante altos, o progresso e o desenvolvimento do vizinho, que talvez teve a sorte na vida, para não falar em esforço, porque este é feito pela maioria dos angolanos cujo resultado tem sido pobre. O olho grande, passE o termo, conforme a Igreja Universal aparece de imediato para desejar o mal, senão o pior a esse vizinho.

 

No quadro da governação, nos Municípios por exemplo, um dirigente que chega conforme se diz na gíria “com uma mão em frente ou outra atrás” depois de alguns meses já tem um V8, ou Vx ou V8 Vx, resumindo, uma marca de viatura de luxo. Soam os rumores: “o chefe vendeu uns terrenos”, os técnicos dos gabinetes de plano e estatística, que num espaço de tempo são empresários e a obra x foi adjudicada a sua empresa com o conhecimento do Sr.Administrador.


Os valores recolhidos ou seja os emolumentos das taxas locais não são depositados na conta do tesouro, mas sim, numa conta no BIC, BFA ou mesmo BAI.

 

Depois deste desabafo o Pároco concluiu dizendo: tens razão. Mas, não é por aí, que talvez Deus tivesse escolhido os europeus como seu povo eleito. O sentimento de solidariedade nos africanos, para não falar dos negros, porque a África tem igualmente os amarelos, tem a ver com o modernismo mal interpretado, porque os nossos antepassados eram solidários, se não mesmo socialistas, muito embora sem o conceito cientifico actual.

 

Hoje, é comum as pessoas ostentarem um sentimento egoísta, egocentrista, ao atingir os altos patamares da governação radicaliza no cadeirão e cria o perfil de papão e glutão. Contudo, não posso deixar de acreditar que existem países africanos que primam pela justiça, igualdade social seguindo o primado da Lei eis o exemplo da Zâmbia bem como Botswana e outros países. Felizes são os seus povos.


A situação que penaliza hoje o Egipto, a Tunísia, Líbia e Países Árabes em nada se difere de Angola, assim como do resto dos países subdesenvolvidos. 

 
1. Senão vejamos:

O Presidente Mubarak está a 30 anos no Poder;
O Presidente dos Santos Angola a 30 anos;
O Presidente Mugab 30 anos no Poder;
O Presidente Kadaffe 32 anos.


2. O índice elevado de desemprego em nada se difere de Angola.


3. Perseguição, prisões arbitrárias e mortes selectivas dos dirigentes da oposição.


4. Constituída uma casta milionária.


5. Um nepotismo exacerbado, – filhos, irmãos, primos, amigos, compadres etc, são os grandes beneficiários do poder.

6. Extrema pobreza – o povo vive  abaixo do nível de pobreza.


7. Manutenção do poder politico – pela força das armas, intimidação, intolerância politica, exclusão social, etc.

8. Aprovação de Constituições que favorecem o Partido no poder.


Estes são alguns dos exemplos e paralelismos.
Dizia um pensador – “o silêncio do povo não significa aceitação do status quo”. O povo por vezes é lento para reagir mas, chega sempre a reagir.


Falando da manutenção do poder através de vários estratagemas por cá se começou a recolha dos cartões eleitorais aos pobres aldeões.


A nova associação das autoridades tradicionais ASSAT, diz que toda a autoridade tradicional que não for militante do Partido no poder será exonerado das suas funções, esta é a mensagem que está a levar para todas as Províncias.


A Província de Benguela por ser rainha nos actos de violação dos direitos humanos, por ser nesta Província que num período de 6 anos foram mortos, viu mortos nos Municípios do Interior – Balombo, Bocoio, Chongoroi, Ganda e Caimbambo 26 pessoas não afectas ao MPLA, por se identificarem com a UNITA.


Os Administradores a maioria comporta-se como ex-chefes dos postos e alguns sobas como sipaios. O senhor administrador Laurindo Supuleta da Comuna do Chingongo, Município do Balombo, Província de Benguela, é exemplo disso.


Dia 18/12/2010, destituíram o soba Monteiro Lukamba pelo senhor;


- Sem data indicada foi exonerado o soba geral da Comuna Inocêncio Pena pelo senhor João Vasco “ Katuchiba ex comandante da ODP.


- Dia 29/ 01/ 2011, foi exonerado o soba Florindo Betatela da Aldeia Samdele pelo senhor Manuel Handa Secretario do CAP da mesma aldeia.


- Dia 21/ 01/ 2012, O administrador comunal Laurindo Supuleta, na companhia do comandante da policia da comuna cujo nome não foi revelado bem, como o novo soba geral exoneram o soba Hilário Kakuete da aldeia de Munana.


Esta é a postura assumida pelos governantes locais nas Províncias em nome do Partido no Poder. Não posso deixar de reconhecer que outros há que graças a Deus, conhecem o significado da convivência na diferença. Pena é, serem muito poucos nesta imensa Angola.


Os africanos pensam, que à semelhança do grande movimento emancipastes iniciado nos anos 50 que levou a Africa à Independência, resultante do forte sentimento nacionalistas, pela auto-determinação dos povos, as revoltas na Tunísia, Egipto, Líbia e Países Árabes são um sinal de manifestação dos povos africanos para instauração de regimes democráticos de facto e não as democracias cujo timbre é de postura de camaleão ou de morcego.


Os Chefes de Estado que não querem democratizar-se, que forjam constituições à medida do facto para um acto cerimonial de matrimónio, os ventos de mudança, não se compadecerão com os seus desejos afiados de ganância.


Daí que, os angolanos acreditam que a verdadeira liberdade tarda, mas chegará.



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