Política restritiva

A Imprensa privada foi um dos alvos desta acção selectiva do Ministério de Manuel Rabelais, com o objectivo de mantê-los menos agressivos nas suas críticas à acção governamental. Tal objectivo enquadra-se numa política bem delineada para amenizar e mesmo silenciar, através da auto-censura,  a divulgação de notícias que possam pôr em causa a imagem do patido do poder, que concorre ao pleito, com um forte aparato propagandístico, próprio de quem já ganhou as eleições.

Para o efeito, o Ministério da Comunicação Social estabeleceu acordos com algunas empresas fornecedoras de material informático e viaturas, onde os beneficiários vão levantar os ditos presentes. Casos da Novacer, Ecil, Ecomotor, esta última representante das viaturas da marca Daihatsu,. que ultimamente circulam, pelas ruas de Luanda, nas mãos dos respectivos beneficiários, que, abalançados pelas ofertas, tornam-se autênticos cães de fila do regime, actuando na condição de simples delactores das pessoas que julgam serem contrárias às idéias do partido da situação.

Outros órgãos que  se recusaram a alinhar na política de subserviência ao regime, foram colocados fora da lista de apoios, apesar de preencherem os requisitos exigidos pelo Ministério, como sejam, situação fiscal regularizada, entre outros aspectos administrativos. Quer dizer, privilegiam-se  órgãos, cuja conduta esteja de acordo com a propaganda governamental, em detrimento dos que, procuram informar com verdade, os imensos males da governação e da visa social. Neste círculo de apoios incluem-se os órgãos estrangeiros, que entram e circulam em Angola, com o beneplácito do Ministério da Comunicação Social. Tais são os casos das revistas África Today, Lusofonia, África Lusófona. Não são contribuintes fiscais, mas recebem churudos apoios financeiros dos cofres do Estado. Ou melhor, com dinheiros dos contribuintes angolanos.

Angola, na sua campanha de branqueamento da sua imagem no exterior não se coibe de gastar exorbitantes somas  para alimentar no exterior lobbies de duvidosa eficácia política. Os jornalistas angolanos são preteridos, a favor de um clientelismo com grupos supostamemente "amigos" de Angola, recrutados sobretudo em Portugal, que nuca abriram portas aos emigrantes angolanos, nas respectivas redacções.

O jornalista José  Mussuali, um luso-moçambicano, que surgiu nos écrans da TVI, como símbolo da diversidade multirracial do moderno Portugal, não resistiu às pressões da opinião pública e cedo foi dispensado dos serviços daquela estação televisiva, devido à sua pele escura.

Recentemente, no seu blog denunciou a preconceito existente nos meios de comunicação  social portugueses, em relação aos africanos. E é com alguma tristeza que os angolanos vêm o sector de comunicação nacional "invadido", por aqueles que sempre rejeitaram nas suas redacções, profissionais de pele escura.

Angola não deve obviamente adoptar a mesma postura segregacionista de Portugal, pela sua opção de país, de características multirraciais, mas deve aprofundar cada vez mais, o conceito de defesa dos interesses sociais dos angolanos, concedendo-lhes a primazia nas oportunidades de emprego e afirmação nas várias áreas da vida activa.

Que o ministro Manuel Rabelais e sua entourage  revejam bem a sua política restritiva de concessão de apoios e possam incluir e atender, com base em critérios de justiça e oportunidades, os pedidos que estão "arquivados" nas suas secretárias. Em nome do respeito que devem aos angolanos, que são o verdadeiro motor do desenvolvimento e existência deste país. Tenho dito.

* Carlos Kamba
Fonte: Club-k



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