Correio da Manhã – Que balanço faz desta visita a Portugal?
Isaías Samakuva – Foi uma visita bastante positiva. Conseguimos atingir os objectivos traçados nos encontros com os partidos políticos, com as autoridades e com os empresários. Transmitimos a nossa visão sobre o futuro de Angola e encontrámos receptividade por parte dos nossos interlocutores.

– Começou aqui a sua campanha?
– Não. Esta visita não faz parte da campanha eleitoral. Passamos por Portugal pelo menos uma vez por ano. É importante a cada momento transmitir a nossa visão sobre Angola e agora que estamos próximos das eleições é ainda mais importante passar por cá para tranquilizar a classe política e o empresariado português. Como esperamos vencer as eleições, não queremos que a mudança seja motivo de preocupações. Iremos trabalhar para melhorar o país. Manteremos o que funciona bem e alteraremos o que está mal.

– O que acontecerá se a UNITA vencer as eleições legislativas?
– Vamos governar o país no sentido de melhorar as condições de vida dos angolanos e proporcionar a todos que vivem com os angolanos condições para o desenvolvimento dos seus projectos.

– Muitos temem uma eventual caça às bruxas...
– Não. A UNITA não irá perseguir ninguém. Temos dito repetidamente, e essa é uma das tónicas do nosso discurso, que não vamos olhar para o passado. Iremos olhar para o futuro e para o bem-estar do povo angolano. Iremos pôr a funcionar as instituições do Estado e o Estado de direito no país.

– Diz-se que o MPLA pretende mudar a Lei Eleitoral. Quer comentar?
– Estamos muito preocupados com a alegada alteração da Lei Eleitoral. Estas alterações são indícios de situações que levantam suspeitas, dado que uma deles visa mudar o prazo da publicação dos resultados. Não precisamos de 15 dias para a publicação dos resultados das eleições. Podem ser publicados nas 24 horas seguintes. Porquê esse tempo todo? É preciso alertar a sociedade angolana e a comunidade internacional para não permitir essas alterações.

– O ‘Jornal de Angola’ (‘JA’) acusa-o, em editorial, de ter vindo a Portugal "prestar vassalagem" a "dois cadáveres políticos", referindo-se a Mário e João Soares. Quer comentar?
– Os editoriais do ‘JA’ têm sido sucessivos com ataques violentos contra a minha pessoa. Já estamos habituados a esse tipo de ataques, revelam bem as necessidades das mudanças que nós queremos operar no nosso país. Cito a extraordinária petição de Jesus a Deus Pai: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".

– O que vai dizer à comunidade angolana em Portugal?
– Vou dizer aos angolanos que continuem a confiar no futuro do país. Estamos numa rota para o progresso, mas para que ele se materialize é preciso que todos os angolanos, inclusive os da diáspora, contribuam com o seu esforço. É preciso trabalhar muito e bem para mudar o actual estado das coisas.

PERFIL
Isaías Samakuva, de 61 anos, nasceu no Bié. É casado e pai de cinco filhos. Em 1985, partiu para a Jamba, quartel--general da UNITA, foi combatente e chefe da logística. Em 1992, participou nas negociações com o governo junto da ONU. Em 2000, chefiou a Missão Externa que coordena as representações no estrangeiro. Dois anos depois, com a direcção da UNITA decapitada no interior do país, procurou contactar com os sobreviventes. Foi reeleito presidente no X Congresso em Julho de 2007, em Luanda. É candidato às eleições presidenciais previstas para 2009.


Autor: Carlos Menezes
Fonte: Correio da Manhã
          



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