CARTA ABERTA

 À   ASSEMBLEIA NACIONAL DA
 REPÚBLICA DE ANGOLA

C/C


Antes de mais endereçamos as nossas saudações aos representantes deste órgão por excelência!


A família Sotto Mayor “Em nome da juventude angolana exara o protesto e as reivindicações que ele merece e exige. Esta é uma época em que o mundo está passando por uma grande revolução. Por todos os cantos é fácil perceber os sinais de transformação, de ruptura com os antigos paradigmas, mesmo que alguém faça superficialmente parecer que nossos dias continuam sempre iguais.

 


Os sintomas de uma insatisfação com a actual Ordem Social nos cercam todo o tempo: a condição miserável de uma maioria de jovens, a falta de sentido para a vida, dentre outros. Os jovens são inexperientes e carentes de crédito profissional. Mas o talento e inteligência está dentro do ser humano, é preciso despertá-lo e motivá-lo...

 


É esse o singular cenário angolano, enquanto passam a nossa única juventude a mendigar trabalho aos estrangeiros em nossa própria terra. Entretanto, temos dois ingredientes que, misturados, possuem um poder especial: a força dinâmica da juventude e a oportunidade de viver em uma época de grandes mudanças globais. Isso significa dizer, que hoje em dia, um jovem pode sozinho, mover todo um país – exemplos não faltam – e mais, um grupo unido e motivado pode escrever, nas linhas da história, o destino da humanidade!
Este último é o desafio dos jovens em qualquer parte do mundo actual,

 


Essa é realmente uma missão grandiosa e por isso dispomos das precisas orientações da Sabedoria do sofrimento e da dor que vivemos. Os poucos jovens que ainda têm um emprego são usados como fusíveis – quero com isso dizer, que aqueles que mandam – incutem-lhes o sofrimento e acostumar-se com a dor e passarem a conviver com ela como se fosse parte integrante de suas vidas. Muitos são os casos em que a dor poderia acabar, mas se mantém como praga que parasita o corpo e a alma, recebendo o subtil consentimento do “portador”. Por humilhação fazem-lhes meninos de recado. Porque exteriorizar a intelectualidade, apoiar admiração de seus amigos ou ídolos, com base em um elevado padrão moral é para o culto de chefe se libertar do seu controlo. Muitos até são usados para assumir e dar a cara para encobrir os chefes das suas falcatruas. Exemplos não faltam…

 


A juventude não se contenta nem se revê em subordinações espúrias – é o caso recente de alguns dos deputados do MPLA que vetaram a indexação do valor acrescentado do investimento privado.

 

Caros deputados!

 

Nós jovens, empreendedores – pequenos empresários – capazes de juntar ao esforço para o crescimento do PIB e minimizar as desigualdades sociais e o desemprego, prometeu-se-nos ser mais emergentes, mas do que se vê somos ameaçados de novas taxações e o regime que prometeu estimulo a iniciativa privada está e declara guerra as nossas demandas e ao nosso lucro, a favor de demandas externas.

 


Os jovens empresários, os funcionários e alguns quadros dirigentes da administração pública e privada, os que dispõem de recursos para investir e tentam formar a poupança para acelerar a formação do capital nacional são menosprezados, mantidos em suspeita, tratados como se alguns ocupantes do poder tivessem o monopólio da integridade e da competência. Aos que criam a riqueza negam tudo, a começar pelo crédito, a intolerância dos juros, bloqueio de contas bancárias, Mas tudo se concede a quem, vindo de fora e, a título de assessorar controlam o país. Em fim, todos jovens estão revoltados da corrupção, da submissão dos capitais financeiros e banqueiros. 

 

A análise sobre atitudes e comportamentos políticos dos jovens em Angola, realizada por iniciativa própria ou sentimento individual de cada um, através de convívios nas Universidades, nos bairros e convívios familiares tornou fiável demonstrar que a maioria dos jovens reconhece que os estrangeiros são quem mandam no nosso país – que o faz sob compromisso de um grupo minoritário que a revelia apoderou-se da soberania do país, permitindo-lhe propor e legislar, leis que salvaguardam os seus interesses em detrimento desta nação de jovens com entusiasmo e altruísmo, batalhadora e incansável. Não implica dizer que apoiamos o racismo, ou qualquer outro tipo de discriminação, mas a realidade vivente nos obriga a meditar. E ao meditar saltam-nos questões que não podemos deixar de partilhar com vossas excelências. Os jovens hoje, mais do que nunca sabem que o colono não é o homem branco ou do Ocidente. É todo um grupo sem diferenciação racial que, em favorecimento pessoal ou real cria leis e normas para espezinhar desdenhar e meter ao seu serviço as energias da sociedade em conluio com a burguesia parasita, tanto do ocidente como de outra parte do mundo.    


 
O que nos preocupa é vivermos como expatriados em nossa própria terra e gravosamente sentir o início de um desabamento da Soberania Nacional, o que poria em risco a nascente classe média, de se ampliar e crescer, como elemento e sintoma de equilíbrio e prosperidade numa sociedade que se diz democrática – hoje esmagada e marginalizada.

 

O total alheamento dos jovens face ao governo e a insatisfação geral dos angolanos relativamente ao funcionamento da democracia no país. ‘é fruto de desesperança em tudo aquilo que os seus antepassados apostaram em troca de suas vidas por um Angola melhor. Trazemos essa realidade aos deputados "na convicção de que os agentes políticos não podem distrair-se do vibrar da sociedade e daquilo que os cidadãos pensam daqueles que os governam.
 


Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia Nacional!
Caros Deputados!

 

O mais caricato na nossa compreensão de jovens excluídos de tudo e até da perspectiva de formar família pelas carências que nos assolam é a proclamação de uma independência verdadeira. Porque a proclamada em 11 de Novembro de 1975 está totalmente falsificada e viciada. – Os argumentos para continuar a manter a ditadura estão esgotados.  Face a isso podemos ser considerados frustrados. Mas a nossa frustração tem uma dignidade. É a qualquer custo recuperar o que é nosso de Direito.

 

O Caro Senhor presidente da República e alguns dirigentes raras vezes acusaram – a juventude – de alcoólatras – mas sempre se esqueceram de fazer referência a corrupção, a promoção de bebidas alcoólicas nas campanhas Eleitoras e maratonas políticas. Ao desemprego, e as carências que estes mesmos jovens passam e vivem num canteiro de obras declarado por si mesmo, sem poder ter um emprego. Oprimidos pela perda crescente do seu poder aquisitivo, pelo congelamento dos salários e do afastamento dos Sindicatos. O decepcionante é que a até o sistema de saúde não assegura um futuro promissor a juventude chegar a uma idade para ocupar o lugar de seus ascendentes. Ainda assim, o mais grave é o cinismo com que esse governo se furta de estudar o “fenómeno do abandono do emprego” que é uma calamidade crescente de demonstração da perda da motivação e auto-estima da juventude. Os motivos são mais do que suficiente para uma paragem total para uma reflexão governamental.    

 

Quanto ao consumo das bebidas alcoólicas por excesso é sabido que qualquer guerreiro no meio de tiros cruzados refugia-se numa trincheira. E nós jovens, em tempo de paz num país em reconstrução sem emprego e oportunidade, encurralados ao empobrecimento continuo, onde se refugiar? … na criminalidade, nas drogas, nas bebidas alcoólicas, na prostituição, ao silêncio carregado de ódio, aliar-se a vingança, na proliferar doenças, ou manifestar-se?  


Das quais, uma destas trincheiras há que calhar. Porque é digno que o ser humano se refugie da dor e do sofrimento da maneira que lhe for mais viável. Para exemplificar vamos buscar um pequeno retrato em que todos nós fomos testemunhos: aquando aos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 muitos membros da família humana ali encurralados da dor e do sofrimento causada em nome da intolerância acharam viável lançar-se literalmente das torres para se refugiar. Ao salvarem-se parecia que preferiam a morte. Mas não. O sofrimento causa desespero. Pois este sentimento paralisa os reflexos e deixa o seu portador sem escolhe de parceiros para abraçar.

 

Por mais incrível que pareça negam-nos até a voz para protestar, o voto para decidir e o Direito de se manifestar. Usando, a secreta e abusivamente as armas da segurança nacional para coagir-nos e intimidar-nos, implantando a insegurança, a descrença e a ansiedade em todos os lares.

 

Advertimos!
Excelentíssimos!


Impor-se ao povo pela força é convencer o povo de que só pela força ele pode recuperar os direitos que lhe foram arrebatados. Não é possível que ao usar a força, fá-lo com os próprios órgãos de soberania, causando o divórcio entre o Povo civil e militar. Não se pode aceitar que milhões de criaturas sejam dirigidas pela coação e pela intimidação durante décadas afio.

 

É templo de unir o povo - todo o povo, civil, militar e militarizado –, para acabar com essa anomalia e colocar Angola no caminho da democracia. Revolução não quer dizer violência, "recuo" nem "deformação", quer dizer progresso – revolução autêntica será esta a nossa. 

 

Excelentíssimos membros deste órgão por excelência!
 


A família Sotto Mayor, aproveitamos este momento para apelar Aos jovens intelectuais; não nos referimos se filhos de reaccionários ou revolucionário, corruptos ou competentes, antinacionais ou nacionalistas. A nós pouco ou nada importa. O que importa é, serem todos de Angola! À vocês, caros compatriotas, apelamos – que esse é o nosso tempo – e que a verdadeira missão do intelectual é formar elites não grupos. Pois o intelectual ou as elites em qualquer parte do mundo humanista têm o compromisso de guiar os que não vêem, esclarecer aos menos esclarecidos, sem complexos nem sectarismo, ao invés de bloquear-lhes o sentimento e explora-los. Acabar com a promoção da desigualdade no nosso país. Promover soluções práticas, ajustadas às tradições e às aspirações nacional. Esquecer o amor-próprio, a vaidade e o elitismo sarcástico para juntos falarem o que a grande maioria dos jovens sente, pensa e quer. Precisamente, Numa hora de evasivas, trazer uma afirmação. Numa hora de protesto, trazer motivação. Numa hora de violência, trazer uma palavra de paz. Não uma paz imposta. Mas uma paz consciente e livre.

 


Jovens de Angola, amigos e eventualmente apáticos!

 

Só assim serão “Referencia Moral” para falarem em nome da tolerância a todos os níveis e conseguirmos curar as chagas da tão longa experiência, contraditória sofrida desses angolanos. Por isto mesmo é que as vozes que deram o exemplo da capacidade de luta e afirmação, até os extremos da desunião, dos nossos ascendentes, onde consciente ou inconscientemente fomos incluídos, devem unir-se para dizer aos jovens e angolanos no geral que é tempo de acabar com a impostura dos falsos salvadores da Pátria e da Democracia.

 


Excelentíssimos senhores mandatários do povo!


Reitero a vossa excelência votos de amanhãs brilhantes na função que vos é delegada e um sentido de valorização da juventude na ânsia da produção de uma realidade social justa. E que seja decretada a Lei Seca em campanhas e maratonas políticas, que Pelo juízo, subverte e, pelo consumo, corrompe. 

 

LUANDA, 12 MAIO DE 2011


PELA FAMÍLIA

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SOTTO MAYOR



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