Luanda - “ A figura da cidade é simultaneamente território e população, quando físico e unidade de vida colectiva...”


Fonte: Club-k.net

 

A Província de Luanda ganhou recentemente uma nova centralidade, cuja dimensão e impacto social,  eleva cada vez mais a sua função habitacional, gostaríamos de  fazer  à nossa apreciação em termos de racionalidade,  analisando o grau de urbanização dos grupos sociais, que desde Simmel um ilustre mestre da lendária escola de Chicago, se aborda com  profundidade  sobre o “ intelectualismo do urbanismo” a ideia da localização da cidade, que é oposta ao misticismo do campo, presente no continuo Falk-urbano de Redfield, dando um esvaziamento das relações primárias do meio urbano.

 

 A vida tal como actividade de parentesco, à imparcialidade das relações históricas associadas a uma objectividade  racionalista e ao desenvolvimento de estratégias individualistas, estão seguramente baseadas no calculo, existem pelo menos dois  momentos de avaliação de que gostávamos de nos debruçar ligeiramente.

 

A primeira tem a ver com à constatação, temos que e reconhecer de forma operatória e até mesmo por uma questão de honestidades técnica e intelectual manifestar a nossa concordância com os  proponentes deste emblemático plano de urbanização da centralidade do Kilamba.

 

Já no capitulo da avaliação, permitam-nos dizer que não existem planos de urbanização perfeitos, dai que  com a mesma verticalidade intelectual manifestamos  a nossa suspensão, é por esta esperamos que legitima  preocupação, que alimentada pelo facto  de não termos visto nem tão pouco ouvido falar das virtudes  de razão de qualquer empresa que se ocupa da fiscalização daquela obra pública, que nos possa dar garantias de que à obra tem qualidade, e durabilidade, ainda aumenta a nossa indigestão pelo facto de não  termos visto qualquer empresa publica de fiscalização a se pronunciarem sobre à qualidade da mesma, e dos materiais de construção,  sobretudo a posição      moribunda do Laboratório Nacional de Engenharia de Angola, que como habitualmente “não tugi nem mugi “ nestas questões  evidenciando o seu descrédito social.

 

Ainda sobre os que não têm voz nem vez, preocupou-nos o facto de o bastonário da ordem dos Arquitectos de Angola, perante à pergunta dos Jornalistas sobre  o parecer ou não da sua organização na centralidade do Kilamba, o mesmo respondeu dizendo não foram foram tidos nem achados, porque segundo o mesmo do nosso ponto de vista respondeu de forma arrojada, porque  no momento em que foi concebido o projecto da centralidade do Kilamba à Ordem ainda não estava constituída, deixou-nos algo intrigante esta resposta, porque se este projecto é de 2007, parece que salve melhor opinião, que  já existia a ordem dos Arquitectos nesta altura, seja como for pelo menos  já existia a extinta Associação dos Arquitectos Angolanos, que deu origem a Ordem que diga de passagem jogou um papel seguramente mas interventivo neste domínio, foi mais activa em termos de intervenção publica, seguindo aquele principio básico, dá-se a conhecer para entrar para o campo de escolho, e respeitado.


 Mas em matéria de inercia não é tudo, temos a cada vez mais amorfa Ordem dos engenheiros de Angola, que manifesta gestos muito mais inoperantes, que com toda justiça e lidera esta categoria , em nosso entender estas atitudes só descredibilizam cada vez as nossas ordens profissionais que deviam servir de orgulho e desiderato para novas gerações de técnicos destas áreas do saber,  que assistem a ultrapassem de forma consentida pelos vocações ideológicas dos comités de especialidade,  que só dividem as inteligência e competências técnicas, que deviam estar cada vez mais unidas para o arranque do país para o campo da competitividade técnica, já é tempo de hora de nos preocuparmos  colocarmos as nossas universidades no raking das cem mas cotadas de África, se Moçambique se faz presente constantemente porquê que Angola não? Isto sim é que seria um bom exemplo para África.        .


Que nas próximas fases do projecto se faça o tiro correcção, com adopção de equipamentos gimnodesportivos, localizados numa distância apeada entre dez a quinze minutos, para evitar obesidades desnecessárias, perigando ainda mais a longevidade dos futuros inquilinos daquela centralidade. Enquanto pesquisador espero que se implante pelo menos uma Biblioteca Municipal de raiz, que haja zonas de convívio para os  futuros ocupantes.

 

Em razão da fragilidade educativa da nossa gente, sobretudo  em lidar com os bens sociais  gostávamos apelar que se pensem nos chamados bairros escolas, visando instruir aos futuros ocupantes daquela centralidade, para que possam usar correctamente os meios postos a sua disposição, que a nova jóia da coroa do executivo cumpra com as cinco actividades dos planos de urbanização que são, dormir, trabalhar, vida familiar e social, actividades pessoais e recreativa, por último às actividades religiosa, comunitárias ou de caridade.

 

Mais ainda assim não retira de maneira alguma a grandiosidade nem tão pouco a elevação do projecto  urbanístico do Kilamba que é de facto obra feita, que deve ser respeitada, mesmo que às experiências de um passado ainda recente alimentam a nossa suspensão,  com os casos como Hospital central de Luanda, os edifícios do Zango que já apresentam algumas patologias técnicas,  e outro não relatados aqui, infelizmente alimentam o nosso “desconfio metro” neste embalo do refracção da musica do Paulo Flores gostávamos de dar azo a nossa fertilidade imaginativa dizendo que: ( Nem tudo que é obra é casa/ Nem toda casa mora-se!)          


Cláudio Ramos Fortuna
Urbanista
Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.