Lisboa –  Foi por volta das  00h,  de um  dia  14 de Agosto como que agora se assinala que em 2010, perdera a batalha pela vida. Conta quem la estava que faleceu, nos braços de um irmão mais novo que o acompanhava na capital espanhola, onde a seu desejo, pediu para ir, após ter recebido tratamento na África do Sul.  Pela importância do seu percurso,  José Eduardo do Carmo Nelumba, é o elemento da historia a quem o Club-K, trás em “in  memorium”, no espaço “Quem é Quem”.


Fonte: Club-k.net

Partiu a um ano


O malogrado médico, cresceu num ambiente  político intenso por  influencia do pai, Simão Pedro  Nelumba  que era um nacionalista  natural do Soyo que estava casado com uma cidadã, Maria dos Anjos Carmo Nelumba,  de origem Quimbundo. Eduardo Nelumba, o filho primogênito do casal, nasceu  na vila do Tchiato, na província da  Lunda- Norte para mais tarde, aos 12 anos de idade imigrar com os pais, na República do Congo (Leopoldville na altura), onde se juntaram aos guerrilheiros do MPLA. Era tratado por “Gégé” e enquanto miúdo ficou conhecido por ter sido um dos fundadores, da KUDIANGELAS,  que era  uma organização de crianças que posteriormente   veio a chamar-se de OPA – Organização dos Pioneiros de Angola/Agostinho Neto.


Enquanto os seus progenitores e irmãos  permaneceram  na segunda região político-militar do MPLA no Congo Brazzaville,  na cidade de Dolisie,  Eduardo Nelumba “Gégé”, foi  despachado para a URSS, num grupo em que fazia parte Teodoro Quarta e Humberto Costa. Contava,  15 anos de idade e estava  matriculado no Internato Internacional, da cidade de Yvanova, onde concluiu os estudos liceias com bom aproveitamento.  Seis anos depois entrou para o Instituto Superior de Medicina de Moscovo, que veio a concluir a 23 de Junho de 1977.

 

Regressado ao país é colocado na província da Lunda-sul onde trabalhou  como medico durante algum tempo. Por iniciativa do então Presidente  Agostinho Neto foi  transferido para província da Lunda-norte, tornando-se, na altura, no único medico africano naquelas paragens.  É em função do seu papel como profissional que as autoridades naquela província, decidiram homenageá-lo dando o seu nome ao Hospital da vila do Nzage, agora chamado por Hospital Provincial   “Dr José Eduardo do Carmo Nelumba”.


Durante a  passagem na Lunda- Norte, o Presidente Neto  nomeia-o como delegado da Saúde e responsável máximo da JMPLA naquela província, integrando igualmente a comissão executiva do CPP do partido local.  Tão pouco tempo teria sido chamado para Luanda,  desta vez para dirigir  o Hospital do Prenda, onde trabalhou até 1982, altura em que  regressa a URSS Moscovo para fazer a sua pós graduação e o Doutoramento tendo se especializado em cardiologia. Foi também director clinico do Hospital Américo  Boavida. 

 

Eduardo Nelumba, fez parte do grupo que acompanhou   Agostinho Neto a URSS, antes de falecer  e igualmente médico co- responsável por parte de  Angola do laboratório de conservação do Mausoléu/ Sarcófago do primeiro presidente de Angola

 

Foi  também  professor auxiliar  na Universidade Agostinho Neto e posteriormente no instituto JEAN PIAGET de que foi seu Vice- Reitor e coordenador do curso de medicina.  Enquanto político contava com 49 anos de militância ao MPLA, até a data da sua morte. Esteve presente no histórico “congresso de Lusaka” (igualmente no 4º Congresso e na 2ª Conferencia Nacional do MPLA). Ascendeu ao Comitê Central e foi deputado a Assembléia Nacional, eleito em 2008. Como parlamentar,  presidiu o Grupo Parlamentar de Amizade da Federação Russa e Europa do Leste criado em finais de Dezembro de 2008. Era membro da comissão executiva do partido na capital do país e estava ligado as bases através do  CAP 06, dos Coqueiros e coordenava o grupo de acompanhamento ao Município do Rangel.


 
José Eduardo  Nelumba, estava casado por Igreja com uma antiga jornalista da RNA, Carolina Cerqueira com quem teve um filho,  José Pedro Nelumba. É irmão do antigo CEMGFAA, general Agostinho Nelumba “Sanzar”. Em, reconhecimento pelo seu contributo histórico, as autoridades angolanas decretaram luto nacional pelo seu passamento físico.



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