Luanda - Que a Cobalt iria fazer tudo por tudo para evitar problemas com a Comissão de Mercado de Capitais dos EUA, SEC (Security Exchange Commission) a qual lançou uma investigação às suas operações em Angola, ninguém tinha dúvidas.


Fonte: NJ

Cobalt prepara retirada

Um incidente no bloco 21 do pré-sal angolano acaba por deixar aquela companhia do Texas menos exposta ao crivo da SEC.  Com efeito, e embora não o tivesse dito textualmente, a Cobalt está a ponderar a sua condição de operadora do bloco 21, licitado em Janeiro passado, juntamente com os blocos 19, 20, 22, 24 e 25, e entregue à Cobalt a 3 Maio.


Detentora de uma quota de 40%, aquela multinacional anunciou há poucos dias a decisão de se retirar do campo Bicuar 1 onde durante os testes realizados a 210 metros de profundidade, foram encontradas “fortes pressões de águas e areia”.


O comunicado distribuído simultaneamente em Luanda e em Houston, sede da empresa, diz que “perante as particularidades existentes no solo angolano, a Cobalt concordou com a Sonangol em reexaminar a probabilidade de continuar no campo Bicuar 1, assim como no Campo Cameia, parte do mesmo bloco”.

 

O anúncio da reavaliação das operações no bloco 21 resultou numa queda de 9% das acções da empresa na bolsa de Nova Iorque. Estão cotadas agora em 13.11 dólares.


No mercado externo esta decisão foi tomada também como a melhor saída para os problemas que actualmente a Cobalt enfrenta nos Estados Unidos. Ao antecipar-se à SEC, a Cobalt evita também um eventual mal-estar por parte de accionistas, entre os quais o conhecido banco
Goldman Sachs. A Cobalt poderia igualmente ser sujeita a problemas adicionais a partir de Outubro próximo.

 

Com efeito, dentro de três meses as empresas listadas no mercado de valores dos Estados Unidos estarão obrigadas a revelar pormenores como a identidade dos seus parceiros externos e internos, assim como pagamentos.


Vários analistas da indústria petrolífera disseram ao Novo Jornal que esta medida poderá colocar problemas a alguns operadores, os quais nos termos dos contratos com a Sonangol não podem “libertar informação desta natureza sem o seu conhecimento”.


Foi isto que há alguns anos criou problemas à BP quando decidiu abraçar a iniciativa “divulge o que paga” . No caso da Cobalt acresce-se o facto da SEC ter lançado uma investigação para apurar a natureza da associação entre ela e as companhias angolanas Nazaki e Alpar.

 

Segundo Rafael Marques, autor de uma investigação sobre este dossier, a Nazaki é detida por altos funcionários do Governo angolano (General  Kopelipa, Manuel Vicente e  general  Dino), enquanto que a Alper tem entre os seus accionistas executivos da Sonangol.

 


A investigação lançada pela SEC teve origem num estudo conduzido pelo activista Rafael Marques que mostrou que aquela companhia tinha violado leis angolanas e norte-americanas, particularmente no que toca à concorrência e transparência.

 

Segundo Rafael Marques a Nazaki, empresa na qual se deteve com propriedade é detida por altos dignitários angolanos cuja associação à Cobalt no bloco 21 foi feita a custo zero.

 

Rafael Marques acusou a Cobalt de ter fechado negócio com empresas que violaram a lei da probidade administrativa e leis contra a corrupção, tanto em Angola como nos EUA.

 


Actualmente a viver nos Estados Unidos, onde beneficia de uma bolsa de criação do National Endowment for Democracy, Rafael Marques foi também o autor de uma investigação que levou a Daimler Mercedez Benz a romper a associação com a Auto-Star.

 

Num comunicado distribuído em Março passado, a Cobalt admitia que estava a ser objecto de uma investigação e citava a Nazaki como tendo negado qualquer associação a altos dirigentes angolanos.

 

A SEC investiga também se existe alguma relação entre a entrada da Nazaki a custo zero no bloco 21 e a participação da Sonangol numa empreitada lançada pela Cobalt no golfo do México.



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