Luanda - O vice-presidente Fernando Dias dos Santos, “Nandó” submeteu recentemente uma proposta ao Presidente Eduardo dos Santos de exoneração do Ministro da Saúde por não se sentir satisfeito com o seu desempenho – soube o Novo Jornal junto de uma fonte do gabinete do antigo Presidente do Parlamento.


*Gustavo Costa
Fonte: NJ


Analisado o conteúdo da proposta, Eduardo dos Santos, cultivando uma prática habitual, convocou o titular da pasta da Saúde e deu-lhe a conhecer o teor das intenções de Fernando Dias dos Santos, deixando este completamente destapado ante aquele. Para alguns observadores, o desejo de Nandó ver José Van-Dunem fora do Executivo não é de hoje.

 

Mas, o clima adensou-se depois do vicepresidente ter efectuado há alguns meses visitas ao Hospital Américo Boavida e ao Hospital Pediátrico de Luanda onde não gostou do que viu e, em reunião mantida com os responsáveis do Ministério e responsáveis por aqueles estabelecimentos hospitalares, não se coibiu mesmo de dizer que não lhe agradava nada a excessiva exposição mediáctica daqueles...


Não escondendo o seu crescente agastamento em relação à José Van-Dunem, o vice-presidente, depois destas visitas terá mesmo, em círculos privados, confidenciado que se dele dependesse mudaria de Ministro da Saúde”.


Atento a uma situação que lhe estava a fugir ao controlo, este, sem grandes ondas, ter-se-á apercebido que a partir daquele momento estaria sob fogo cruzado de Nandó. “Este nunca morreu de amor por aquele” – revelou uma fonte do gabinete do vice-presidente. A tudo isso, não são alheios os rumores que nas últimas semanas davam conta de uma eminente exoneração do Ministro da Saúde… Mas, como o vice-presidente não dispõe de prerrogativas para exonerar ou nomear membros do Executivo, José Van-Dunem, depois de ter tido acesso ao teor da proposta de Nandó pela mão do Presidente, ter-se-á sentido confortado na certeza de que nestas circunstâncias dificilmente será afastado do cargo. E, não será! –afiançou fonte próxima de Eduardo dos Santos.


Como o Presidente não funciona sob pressão, alguns analistas, admitem que não esperavam que o vice-presidente - depois das experiências amargas que sentenciaram a “morte política” dalguns dirigentes do seu partido e de, na esteira de cenários iguais, dos conflitos que manteve com o antigo ministro das Obras Públicas, Higino Carneiro - se expusesse como o fez.


“Demonstrando uma ingenuidade imperdoável, revelou, como muitos outros políticos no passado, que ainda não conhece o Presidente e anda às escuras pelos corredores do poder e não sabe descodificar os vários interesses em jogo”– disse ao Novo Jornal uma fonte do MPLA.



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