Lisboa -  Ainda não é certo que se trate da batalha final, mas às explosões que marcaram o arranque da noite na capital da Líbia seguiram-se longas trocas de tiros e os rebeldes dizem ter cercado o complexo de Muammar Khadafi e tomado o controlo de várias zonas da cidade.


Fonte: Publico


O regime admitiu que pequenos grupos de rebeldes conseguiram infiltrar-se em Trípoli, mas assegura que foram derrotados. O coronel ainda é o líder líbio, garantiu aos jornalistas que se encontram na cidade o porta-voz do Governo, Moussa Ibrahim.

 

O próprio Khadafi dirigiu-se aos líbios numa mensagem áudio, descrevendo os rebeldes como “ratos” que querem “destruir o povo” e felicitando os seus seguidores por repelirem os seus ataques. Como fizera nas últimas mensagens, desde que se sente cada vez mais cercado e isolado, apelou aos líbios para “marcharem aos milhões” decididos a “libertar as cidades destruídas”.

 

Há muitas dúvidas ainda sobre a dimensão da entrada da oposição armada que desde Fevereiro combate um regime com 41 anos no seu último reduto. Mas pouco depois da quebra do jejum do Ramadão, ao início da noite, já havia líbios em diferentes bairros de Trípoli a festejar na rua a chegada dos rebeldes. Seguiram-se explosões que os opositores explicam ser parte de uma “revolta planeada”.

 

Segundo um líder rebelde ouvido pela Al-Jazira, pelo menos 123 rebeldes morreram no bairro de Tajura, nos subúrbios leste de Trípoli, precisamente onde começaram por se ouvir as explosões e os tiros. Mas Mohamed al-Harizi também diz que a oposição controla a zona.

 

“Os rebeldes cercaram uma base aérea militar chamada Mitiga, em Tajura. Estão a dizer às brigadas que chegou o som da paz, para evitar derramamento de sangue”, afirmou Harizi durante a madrugada.

 

Entretanto, segundo a Al-Jazira, os combates em Trípoli fizeram 31 mortos entre os soldados leais a Khadafi. Outros 42 militares foram capturados pelos rebeldes.

 

“Esta é a hora zero” para a sublevação da capital, disse na capital dos rebeldes, Bengazi, no Leste do país, o vice-presidente do Conselho Nacional de Transição, o gabinete de coordenação política que funciona como governo da oposição. “Estamos coordenados com os rebeldes em Trípoli. Havia um plano. Estamos coordenados com os rebeldes que se aproximam da cidade pelo leste, pelo ocidente e pelo sul.”


Coordenação com a NATO


O coronel Fadlallah Haroun, um comandante rebelde em Bengasi, disse também à Al-Jazira que os acontecimentos das últimas horas marcam o ínicio da "Operação Sereia" - nome pelo qual é conhecida a cidade -, um assalto coordenado com a NATO. As armas para tomar Trípoli, acrescentou, forem reunidas e enviadas por mar na sexta-feira à noite.

 

Já esta manhã, os jornalistas na cidade decrevem ter ouvido quatro grandes explosões. E um habitante disse à Reuters que os líderes muçulmanos estavam a apelar às pessoas para se revoltarem em algumas zonas de Trípoli.

 

Os avanços das forças rebeldes na última semana foram significativos, com a entrada em cidades que cortam todos os acessos de Trípoli ao resto do país ou à fronteira com a Tunísia. Mas os próprios opositores têm dito que temem um banho de sangue na guerra pela capital.



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