Luanda - Esfilêndio dos Santos. Para quem não sabe este é o nome oficial do animador e cultor do estilo kuduro Sebém. Em condições normais, seria chamado para este espaço por aquilo que faz: cantar. Mas, o seu nome aparece nestas linhas pelos piores motivos, como, aliás, é já apanágio desta extravagante e polémica figura.


*Mariano Brás
Fonte: Semanário A Capital

 Até o rei também vai nu!

É que está previsto que o mesmo venha a sentar-se no banco dos réus do Tribunal de Luanda, no Palácio Dona Ana Joaquina, no dia 12 de Outubro, uma vez que impendem sobre o mesmo acusações de desobediência e injurias contra autoridades.

 

O músico que parece disposto a manter uma relação tortuosa com os agentes da Policia Nacional, tem estado na ‘boca do povo’ por essas cenas de desacatos, mas, sobretudo, por quase passar impune.

 

O último facto data de 18 de Fevereiro último, quando, no bairro Vila Alice, o mesmo mostrou-se arrogante e desentendeu-se com um agente regulador de trânsito, após ter sido interpelado por este, em função de conduta imprudente enquanto ia ao volante. Ou seja, conduzia e falava ao telefone em simultâneo, um expediente proibido pelo código de estrada de Angola.

 

Achando-se com o ‘rei na barriga’, como soe dizer-se, recusou-se, bem ao seu jeito, facultar os seus documentos ao referido agente. Mas, mais do que isso, como se não bastasse, o animador, ao que consta dos autos, foi ainda a tempo de agredir fisicamente o homem que o interpelou, antes de ofendê-lo e, de seguida, colocar-se em fuga.

 

“(...) segurou nos colarinhos do nosso colega regulador de trânsito e, numa atitude musculada, meteu-se em fuga, tendo parado depois de dois quarteirões e abandonado o carro”, relatou, na altura, o agora porta-voz interino do Comando da Polícia de Luanda.

 

Acto contínuo a viatura foi removida para a Unidade de Trânsito, enquanto o animador, na altura, encontrava-se em parte incerta. Na mesma ocasião, o agente agredido apresentara queixa no comando da divisão do Rangel “para o devido tratamento”.

 

Sebém, como se sabe, é useiro e vezeiro neste tipo de práticas. Em 2008, por exemplo, numa das suas últimas investidas, foi detido e julgado pelo Tribunal Provincial de Luanda, acusado de crimes de desacato, incitamento a motim e injúrias à autoridade. Durante aquela audiência, o cantor negou todas as acusações, com dizeres segundo os quais “a polícia é que tem problemas comigo. Eles não gostam de mim”.


E tudo foi sempre a subir


Quem acusa Sebém diz que o mesmo desobedeceu a ordem para parar e entregar os documentos. Consta que o mesmo respondeu de forma pouco educada: “sempre a mesma coisa. Toda a hora um gajo. Vão para o C****r*lho“.

 

Seguiu o seu trajecto e apenas parou em casa dos sogros, onde vive o cantor, na Vila Alice, onde entrou e se refugiou.


A Polícia cercou a casa. De seguida, a esposa saiu em sua defesa, com a alegação de  que o carro a pertencia e que, por isso, ninguém poderia retirar do local, onde se encontrava estacionado.


E porque a Polícia não tinha autorização para entrar em casa do músico, limitou-se a cercar a zona para eventual prisão do mesmo. Este, Sebém, reaparece horas depois no portão e pôs-se a dizer: “o meu advogado é que vai tratar disso. Ele é que vai falar com vocês”.


Na mesma ocasião, dá-se um outro cenário: em declarações à Rádio Luanda, no programa Kiandando, sob comando de Paulo Miranda, para o esclarecimento sobre o que realmente aconteceu, o porta-voz do comando da Polícia de Luanda assegurava na emissão que a corporação tinha emitido um mandado de captura contra o suposto prevaricador.


Este não se fez rogado e ligou para uma espécie de colocar o preto no branco. Admitiu que discutiu, mas que tal “não se tratou de uma briga entre cidadão e polícia, mas sim de homem para homem”.


E mais: defendeu dizendo que tal apenas aconteceu por o agente ter, alegadamente, dito que “ia partir a minha cara”. “Disse-lhe que era chefe de família e, acima de tudo, homem e, por isso, não iria admitir nenhum ser humano dizer que me vai dar na cara e eu ficar calado”.



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