Lisboa - Barbaramente espancado à frente da mulher, com sucessivos socos entre o rosto e as costelas, pelos três homens que sábado à tarde o apanharam à traição à porta do escritório, no coração de Lisboa, o advogado Henrique Doroteia não tem dúvidas de quem encomendou o crime por causa de negócios em Angola. "Foi o António da Costa Ferreira", actual companheiro de Mariza e pai do filho da fadista, garante a vítima à PSP e ao CM. "Por estar acusado de ter desviado vários milhões de dólares das empresas que eu agora administro".


Fonte: cmjornalxl.pt

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O advogado, que ontem falou ao nosso jornal, já tinha concretizado as acusações ao empresário na PSP, onde apresentou queixa contra os três desconhecidos que o atacaram e António Ferreira, com "a certeza" de que este ordenou o espancamento. "Inclusive ameaçou-me no início deste mês". Henrique Doroteia conta "ser agora ouvido no Ministério Público, para poder apresentar todas as provas".

 

Em causa o facto de o companheiro de Mariza ter sido "destituído do cargo que ocupou em Angola mais de dez anos, até ao final de 2008, de único administrador de uma sociedade com interesses em imobiliário e na construção de obras públicas, entre outros. O sócio dele, Kundy Paihama, uma das principais figuras do estado de Angola, acusou-o de desviar vários milhões para Portugal e Brasil, e ele foi afastado da gestão da empresa – nomearam um novo grupo de gestão de que eu faço parte", conta o advogado.

 

António Ferreira "tem participação na empresa e continua a receber mais de 200 mil dólares por mês. Mas agora quer vender a parte dele e um potencial comprador pediu-nos a avaliação: fizemo-la bastante abaixo do que ele pedia. No início deste mês o António Ferreira ligou-me para Angola a dizer que quando viesse a Lisboa ia aprender. Para já, levei uma tareia [ver caixa]", diz Henrique Doroteia.

 

"NÃO ROUBARAM NADA E AFASTARAM A MINHA MULHER. EU ERA O ALVO"

 

Sábado à tarde, eram 19h00, o advogado passou pelo seu escritório, na avenida Duque de Loulé, antes de a mulher o levar ao aeroporto – de partida para Angola. "Chegaram três homens com mais de 1,80 m, musculados, com ar de profissionais de segurança, e enquanto um me prendeu os braços e tapou a vista, os outros começaram a dar--me sucessivos socos na cara e nas costelas. Ainda pensei que fosse assalto, disse-lhes para levarem o jipe, com tudo lá dentro, mas só me queriam bater – a sorte foi um autocarro que parou e eles fugiram a pé", conta ao CM Henrique Doroteia. "Antes ainda empurraram a minha mulher, que viu tudo, mas só me queriam a mim. Fomos depois pedir socorro a um hotel, de onde chamaram o INEM", diz.

 

"MONTOU ARMADILHA COM O PRIMO"

 

Henrique Doroteia diz que a armadilha de António da Costa Ferreira "foi montada com a ajuda de Eduardo Alcouce, os dois são amigos mas tratam-se como primos. Este último ligou-me na semana passada a pedir que lhe levasse uma carta para Luanda – perguntando-me quando ia e como me podia entregar o envelope. Eu disse-lhe que sábado ia estar no escritório entre as 19h00 e as 20h00, antes de ir apanhar o avião – e no próprio dia, pelas 15h00, ele ligou-me a confirmar se eu ia lá estar. Foi assim que eles me apanharam. Por isso os três homens estavam na rua, à porta, à minha espera. Isto, além da ameaça que o António Ferreira já me tinha feito, não deixa dúvidas".



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