Lisboa –   Segue na integra a cronologia da manifestação de Sábado (03) que levou o governo angolano a reprimir  um grupo de  jovens universitários e jornalistas da TPA, VOA e RTP que viram os seus meios a serem confiscados por agentes do SINSE que inicialmente se faziam  passar por manifestantes.

 

Fonte: Club-k.net

 Repressão policial contra estudantes Universitários

11h – Jovens universitários começam a afluir ao largo da Independência; os promotores da manifestação teriam chegado as 12h30. 

 

 - Verificada a presença de Agentes do  Serviço de Inteligência e Segurança de Estado  fazendo-se passar por manifestantes.

 

12h – Um jovem identificado por Pandita Nerhu que trazia logística para os manifestantes,  é  raptado por agentes do SINSE,  nas mediações das  bombas de combustível da Sonangol, tendo sido transportado numa   viatura sem matricula. Os agentes do SINSE, estavam  armados e a civil

 

- Dois estudantes  que acompanhavam o jovem Pandita alertaram,  ao  elenco  que estava no largo da Independência  notificando o rapto do amigo. Em reação, o activista Alexandre Dias dos Santos anuncia  pelo megafone que se até as 14h, a policia não libertar   Pandita Nerhu, o grupo iria   ao palácio presidencial para pedir a soltura do mesmo.


- Carbono “Casimiro” fala em directo a Radio Despertar a partir do largo  reiterando a posição de Alexandre “Libertador”.

 

-  Minutos depois, numa acção que se desconhece ter sido espontânea ou propositada, um suposto elemento infiltrado esbofeteou um jovem no largo.  Ao ser visto, uma  participante  Ermelinda Freitas   pegou no megafone para denunciar que  um suposto  “agente do Sinfo”, esbofeteou um rapaz.  Em reação os estudantes agrediram o suposto agente.


- O Jovem Mateus  Luemba é visto a conversar com um policia que se  supõe ter  ido pedir que soltassem o amigo, Pandita.


-  Antes do tempo estabelecido,  dado  aos policias, e aparentemente revoltados, os manifestantes decidiram avançar para o palácio presidencial.  Foi verificado que o grupo começou a ficar dividido quanto a idéia de avançarem a cidade alta. “Carbono” Casimiro, mostrou-se relutante  considerando ser desnecessário ir ao local desejado visto que Pandita acabava de ser devolvido a liberdade. Dois manifestantes, Mateus Luemba e Adolfo não hesitaram.


- Um grupo de cerca de 50  manifestantes deixou o largo primeiro de Maio a caminho do palácio presidencial enquanto outros permaneceram no local da manifestação.  Logo a seguir, oficias  da  policia no largo da Independência, revelaram-se assustados  e foram vistos  a comunicar via Radio que um grupo de jovens dirigia-se ao palácio presidencial.
 

- O grupo é travado  por um aparato policial de cerca de 10 carros nas mediações da Sagrada Família.  Casimiro “Carbono” é fortemente agredido por um grupo de policias  fardados que o colocaram numa viatura. Enquanto isso, Alexandre dias dos Santos “Libertador”  é puxado pela policia e arrancaram-lhe a camisola.

 

- Em frente ao restaurante Padrinho. Elementos supostamente do SINSE, musculentos  trajados a civil e com purretes iguais  aos da policia, espancaram os jovens Mateus Adolfo e Luemba.  Ao Adolfo, os agentes partiram-lhe dois dentes em função de um ferro que lhe foi dado no rosto acabando por perder os sentidos. Enquanto isso, o jovem Luemba não resistiu a tortura policial  e acabou  por cair e bateu  com a cabeça no  asfalto  provocando  desmaio.

 

- Os dois jovens agredidos permaneceram no chão por cerca de 30 minutos, até serem transportados para o Hospital Maria Pia, por uma ambulância da polícia. No hospital  foram assistidos com um balão de soro.  Quando o advogado Luis do Nascimento  chegou ambos foram transferidos para o Hospital Militar para mais tarde  serem   levados para as cadeias da Ilha de Luanda e do Prenda.  Mateus Luemba foi colocado numa cela da  11  esquadra da policia. 

 

- Vários populares ao presenciarem a agressão da policia afluíram ao local mostrando-se solidários com os jovens. A situação deu lugar a  um caos e a população  atirou  objectos contra a policia. 

 

- O grupo de  elementos musculados foram identificados com parte de uma unidade especial do regime.  Os métodos de  agressão e uso de purrete denotava serem especialistas. Fizeram-se passar por manifestantes e partiram as camaradas dos jornalistas da RTP. Espancaram o correspondente da VOA, Alexandre Neto,  e agrediram   uma jornalista da TPA.  Os mesmos confiscaram  o computador de “Casimiro” Carbono.

 

- As cadeias de televisão noticiaram  que Luanda estava a viver uma ambiente de repressão policial. As  14h, o porta - voz, do comando geral da polícia, comissário Carmo Neto foi orientado a apresentar uma versão em que apresentasse os manifestantes como agressores da Policia Nacional.  Foi igualmente instruído a dizer que do lado da policia houve dois feridos para dar entender que houve confronto com baixas  das duas partes.

 

-  Testemunhas ao local desmente a versão da policia de que eles tivessem sido feridos. por outro lado, figuras próximas a Carmo Neto, reagem dizendo que o comunicado da policia não foi escrito pelo mesmo. Invocam que ele é regido  quanto a língua portuguesa e o comunicado apresenta erros gramaticais e concordância que não pode mesmo ser de sua autoria.

 

-  Após a agressão, a manifestação continuou no largo da Independência até as 23h, hora que a policia pediu aos jovens para se retirarem do local. Os mesmos revelaram-se teimosos e os agentes foram acusados de terem  lançado  gás lacrimogêneo para despertar as pessoas.  

 

-   Ao regressarem para casa, cinco manifestantes foram presos nas mediações da Igreja Católica do bairro São Paulo. Há relatos de mais jovens terem sido capturados pela policia quando se dirigiam para as suas casas.

 


- Ao longo da tarde do mesmo dia, os advogados David Mendes e Luis do Nascimento procediam pela localização e libertação dos jovens detidos. As autoridades  policias alegaram que aguardavam por “ordens superiores” para soltura dos jovens que seriam colocados na 3 e 5 esquadra da Policia Nacional.

 

- As   0h36mts de Luanda, o Presidente do Bloco Democrático, Justino Pinto de Andrade telefonou para o Comandante Geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos e instou-o a tomar medidas imediatas no sentido da libertação de todos dos presos políticos, manifestantes em 3 de Setembro. O Comandante da Policia afirmou que vai inteirar-se com pormenor da situação no sentido de tomar as medidas adequadas.

 

-  Na manha de Domingo (04), as ruas de Luanda aparenta calma. Porem circulam  em Luanda mensagens nos telefones informando que  jovens de São Paulo, Viana  declaram “vida ou morte”, prometendo regressar ao palácio presidencial, ao longo da semana,  para exigirem a soltura dos estudantes detidos.

 

- A imprensa portuguesa da destaque que as autoridades responderam com agressão a uma manifestação para destituição de Eduardo dos Santos. O Canal Euronews passa a informação em 30 em 30 minutos.

 

- A policia declara desconhecer o paradeiro do jovem  “Carbono” Casimiro. Enquanto isso, os outros estudantes encontram-se repartidos em diferentes celas. Não tem acesso a água nem energia e foram postos a dormir no chão  expostos a humilhação.

 




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