Luanda - Sinceramente estou a ter algumas dificuldades em digerir os últimos pronunciamentos do Ministro do Interior, Sebastião Martins, sobre a maka das manifestações/actuação da polícia e muito particularmente sobre as preocupações adiantadas por ele relativamente à existência de aproveitamentos políticos por parte dos partidos.


Fonte: Morrodamaianga


Num país à caminho dos dez anos sem guerra e com uma grande estabilidade política ao nível de um poder legitimado com mais de 80% dos votos nas eleições de 2008, os seus pronunciamentos caso tenham alguma substância, deveriam merecer um debate parlamentar.


Quando se receia/questiona a presença de elementos da UNITA numa manifestação que nem sequer foi organizada por esse partido, com insinuações sobre a possibilidade de se voltar a guerra, apenas porque se trata desse partido, fica difícil perceber para aonde é que estamos a caminhar ou para aonde é que nos estão a levar.

 

Em qualquer parte do mundo onde a actividade política se faz em ambiente de liberdade e democracia, os partidos, inevitavelmente, tomam posições sempre que há uma crise, seja ela qual for.


Inevitavelmente apoiam, criticam ou demarcam-se.


Na maior parte dessas sociedades já é uma rotina os médias ouvirem os políticos a propósito de tudo e de nada e de promoverem acalorados debates sobre os temas dominantes da actualidade, sejam eles quais forem.


A média pública/governamental angolana mantém-se ostensivamente à margem desta tendência que já é uma imagem de marca de qualquer regime democrático que se preze.


Uma postura que se agrava, sobretudo, quando há situações de crise, optando a imprensa estatal por ouvir apenas o Governo e o partido da situação, numa deriva propagandista (quando não é mesmo desinformativa e manipuladora) que já é recorrente e só confirma que a sua natureza intrinsecamente partidária do passado não tem sofrido grandes alterações, apesar de todas as proclamações.


Tudo não passa de cosmética, por isso é que quando se debate a existência ou não de liberdade de imprensa em Angola, a controvérsia instala-se imediatamente e os resultados nunca são consensuais.



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