A mesma fonte adiantou que, segundo declarações de dois dos suspeitos, os polícias estavam em missão de patrulha no bairro do Sambizanga e foram alertados para a presença de “um grupo de jovens” que tinham protagonizado “assaltos à mão armada” naquela zona da cidade.

O polícias dirigiram-se ao local e, segundo explicaram dois dos sete suspeitos detidos, “foram recebidos a tiro” e viram-se “obrigados a responder”, tendo provocado a morte dos oito jovens.
 
O “massacre da Frescura”, como ficou conhecido este violento episódio, por ter tido lugar no Largo da Frescura e também por ser o mais violento em Angola desde o final da guerra, em 2002, ocorreu no dia 23 de Julho.
 
A versão relatada à Agência Lusa por vizinhos e amigos que se encontravam no local, horas depois da morte dos jovens, é diferente da agora relatada pela Polícia Nacional, embora também apontasse polícias como os autores das mortes.
 
Segundo aquela versão, o grupo encontrava-se a confraternizar ao fim do dia, no único lugar do Largo da Frescura com uma luz que se mantém noite dentro.
 
“Ao princípio éramos uns 12, depois alguns foram para casa. Eu fui também a casa beber um copo de água e comecei a ouvir tiros. Só saí quando os disparos pararam... encontrei os oito mortos no chão, todos de barriga para baixo”, descreveu um dos amigos dos jovens assassinados.

Esta versão descreve ainda que o grupo de jovens se encontrava “a falar e a beber umas cervejas”, quando surgiu uma carrinha branca do tipo Toyota Hiace - em Luanda todas as carrinhas deste género são denominadas Hiace -, de onde saíram alguns homens armados que mandaram os jovens deitar-se de barriga para baixo, dispararam e fugiram no veículo em que chegaram.
Testemunhas descreveram ainda que os corpos dos oito rapazes, todos estudantes e trabalhadores, incluindo um acólito da Igreja de São Paulo, estavam todos deitados de barriga para baixo, o que contraria a ideia que tenham morrido em consequência de uma troca de disparos com os agentes da polícia.
 
Familiares garantiram ainda que nenhum dos oito jovens tinha registo criminal.

A morte dos oito jovens teve lugar a menos de 200 metros onde, meses antes, a Polícia Nacional matou dois jovens actores, que filmavam uma cena para um filme amador sobre um grupo de criminosos, por os ter confundido com verdadeiros assaltantes.

Fonte: Lusa



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