Luanda - O  Estudante Universitário Kady Maxindi, que viu-se absolvido da acusação pela participação na manifestação do dia 3 de Setembro em Luanda, relatou no seu facebook, as condições a que foi submetido na cadeia do Catinton, em Luanda causando algumas  reações de figuras  como Reginaldo Silva, Sousa Jamba e Filomeno Vieira Lopes.


Fonte: Club-k.net

Sociedade apela  a  valorização da vida  humana

“Na esquadra do Catinton, na qual fiquei mais de 48 horas em uma das celas (o Carbono estava noutra ao lado), os detidos fazem as necessidades maiores em sacos de plásticos, a seguir, jogam o saco num canto do quarto de banho. Este mesmo quarto de banho tem a pia completamente entupida. A urina é depositada em garrafas vazias de água mineral. Água corrente? nada, luz eléctrica? nada. Digam-me lá se as condições da cela não constituem um atentado à vida humana?”, perguntou  o estudante.

 

Em reação, o jornalista Reginaldo Silva  retorquiu  que “Ao ler o relato na primeira pessoa de Kady Mixinge sobre as condições que encontrou na esquadra do Catinton, apenas confirmei (uma vez mais) as minhas piores impressões sobre o universo carcerário angolano. A última vez que pernoitei numa esquadra luandense (há 24 anos) a "oferta higiénica" era exactamente igual aquela que o KM encontrou agora. Há de facto "muita coerência" neste sistema que agora se quer "humanizar"”

 

O  SG do Bloco Democrático, Filomeno Vieira  Lopes,  é de opinião que  toda esta informação precisa “ser tratada com o devido detalhe, em dossier para ser transmitida  as organizações internacionais de direitos humanos e as nações unidas.” O político lembrou  que “recentemente membros da comunidade internacional visitaram cadeias novas em Luanda e elogiaram. Este procedimento é passível de punição internacional”.

 

Por seu turno, o escritor Sousa Jamba  lembrou que “foi Nelson  Mandela que disse que a integridade de uma nação esta relacionada com a forma como ela trata os seus presos”.

 

Sobre a questão das cadeias no país  e citando o Jornal de Angola, a  directora das Organizações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores (MIREX), embaixadora Margarida Izata, afirmou na quinta-feira, em Luanda, que Angola, como Estado-membro de pleno direito das Nações Unidas, tem-se empenhado na promoção e protecção dos Direitos Humanos em toda a extensão do território nacional.

 

A diplomata, que usava da palavra na reunião dos titulares da Comissão Inter-Sectorial para a Elaboração de Relatórios dos Direitos Humanos, adiantou que tem sido dada particular importância à Declaração Universal dos Direitos Humanos, aos pactos internacionais sobre a matéria (direitos humanos) e outros instrumentos internacionais que promovam o respeito pela observância destes direitos e outras liberdades fundamentais.


*Foto de arquivo



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