Lisboa -  O acidente de 14.Set, Huambo, com um Embraer 120 da Força Aérea (AM 600), foi provocado por despiste do aparelho, quando o mesmo já rolava em velocidade de descolagem (não chegou a descolar). No seguimento do despiste, ocorrido a meio do percurso normal até à descolagem, uma asa do avião embateu um monte de terra postado a curta distância da borda da pista.


Fonte: Africamonitor.net

Foi tripulado por um jovem aprendiz

O aparelho, baseado em Luanda, era normalmente usado em voos de treino de pilotos na rota de Cabo Ledo. Como justificação para a extensão ao Huambo do voo de 14.Set, foi invocada a necessidade de trazer de volta a Luanda duas delegações militares; paralelamente, porém, serviria para habilitar como piloto um instruendo, Ibrahim, identificado como protegido de uma “figura importante”.

 

A ascensão do referido instruendo na Força Aérea fora mais fulgurante que a de todos os outros admitidos na mesma altura, 2005. Conforme a norma, era o instruendo que estava aos comandos do avião; no lugar de co-piloto, porém, não se encontrava o seu instrutor, comandante Lino, mas outro, de nome Chico – com pouca rodagem naquele tipo de aparelho.

 

A mudança terá sido efectuada com o consentimento (ou por iniciativa) do comandante Lino, que juntamente com outro piloto experiente, comandante Quental, se foi instalar na parte de trás do avião. O embate do avião no monte de terra provocou a desintegração da estrutura; a parte para trás das asas incendiou-se, em consequência de derramamento de combustível. Quase todos os passageiros aí instalados, incluindo 3 generais e vários oficiais superiores, mas também o comandante Quental, morreram. Os pilotos e uma assistente, que ocupavam o cockpit, saíram praticamente incólumes.

 

Os bombeiros do aeroporto, inaugurado pouco dias antes, por José Eduardo dos Santos, não intervieram por falta de água; para acudir à emergência foram chamados os bombeiros da cidade, aquartelado no Bairro de S. João. O monte de terra em que o avião embateu após o despiste provinha das obras no aeroporto e ainda não fora removido.

 

Entre os generais vítimas do acidente, 2, da Direcção Principal de Educação Patriótica do EMGFA, tinham-se deslocado ao Huambo para uma missão que normalmente seria confiada a oficiais de menor patente. Ambos eram oriundos da UNITA, sendo um deles o Gen Kalias Pedro, antigo director do gabinete de Jonas Savimbi. A referida missão foi a exumação das ossadas de um piloto de SU-22, abatido pela UNITA, em 1993, o qual viria posteriormente a morrer no Sambo, para onde fora levado para ser assistido e onde ficou cativo.



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