Luanda -  1 . Expectativas inusuais, provocadas pela aproximação do fim do mandato do actual CA da Sonangol, em Nov, mas em particular por uma ansiedade nítida no que toca à incerteza da continuação ou não de Manuel Vicente à frente da companhia, vêm sendo notadas nas últimas semanas em meios políticos, e outros, de Luanda.


Fonte: Africamonitor.net

Transferiu competências fulcrais a B Sumbe

Coexistem previsões e/ou pressentimentos de cariz diverso, mas o cenário que aparenta mais elevado grau de probabilidade em relação à questão específica de M Vicente é o de que ele, por vontade própria, publicamente anunciada em Mar.2011, também de José Eduardo dos Santos (JES) não se manterá à frente da Sonangol, no novo CA


A importância política e simbólica que a questão encerra, decorre de análises que interpretam uma eventual retirada de M Vicente da direcção da Sonangol como condição para o mesmo se posicionar, porventura de forma definitiva, como putativo substituto de JES na PR


– por uma de 2 vias:


- Como candidato presidencial, em lugar na JES, na lista a apresentar pelo MPLA às eleições de 2012.


- Como segundo nome da lista, destinado a exercer a função de Vice Presidente; posteriormente (ao longo do mandato a iniciar em 2012 ou no seu termo, neste caso por meio de novas eleições) como substituto de JES.

 

A apresentação do nome de M Vicente, em qualquer das duas condições, requer aprovação prévia pelo CC do MPLA – que se reúne no fim de 2011, com o objectivo expresso da aprovação da lista de candidatos às eleições. Aparentemente o nome não goza internamente de aceitação e de apoios, mas a evidência tem importância relativa.


O nome de M Vicente é visto como “patrocinado” por JES. A identificação é considerada bastante para condicionar/influenciar alas e/ou elementos do CC de facto adversos, mas que em momentos como votações de tal natureza, pela exposição a que são sujeitos, tendem a vacilar – “alinhar com o chefe” (sic).


No grupo parlamentar do MPLA, do qual fazem parte muitos membros do CC, a maioria cultiva uma atitude de reserva em relação ao assunto. Apenas figuras como Rui Falcão, João Martins, Fontes Pereira e outros, poucos, acolhem a ideia de forma clara. A Roberto de Almeida não é conhecido um pensamento definido sobre o assunto.

 

2 . O nome do substituto de M Vicente como PCA da Sonangol, a concretizar-se a sua saída, também suscita atenções; permitirá vislumbrar que tipo de solução estará delineada para a chamada “sucessão presidencial”. O PCA da companhia, devido ao seu efectivo papel como instrumento da política do regime, é da plena confiança do PR.


Entre os quadros de topo da Sonangol estão identificados 2 que por atributos de competência técnica e experiência da empresa se encontram à altura de substituir M Vicente: Batista Sumbe e Francisco de Lemos. Há c 2 anos M Vicente transferiu para B Sumbe competências internas consideradas fulcrais (gestão da holding).

 

A impressão corrente de que B Sumbe é o preferido de M Vicente para o substituir à frente da Sonangol, é paralela a rumores segundo os quais JES não o tem num conceito favorável. A articulação entre a actividade da companhia e interesses políticos do regime, também pode conduzir à nomeação de uma figura exterior, com prestígio.

 

3 . Para as próximas semanas estão previstas iniciativas do regime antevistas como destinando-se a fomentar uma descompressão da situação social e política (AM 597) e, adicionalmente, a elevar a capacidade de persuasão de JES (AM 598) face a interesses do regime e do próprio – incluindo o processo da sua substituição.


As referidas iniciativas são um discurso solene de JES na Assembleia Nacional, 18.Out; remodelação do Governo e alterações noutros orgãos da administração pública; anúncio de medidas visando melhorar a imagem interna e externa do regime em termos de transparência, eficiência governativa e respeito pelos direitos civis e políticos.


No seu discurso na Assembleia Nacional, espera-se que JES enfatize objectivos políticos como um “forcing” no combate à corrupção e o lançamento de medidas visando tornar o sistema político mais eficiente e, por acréscimo, a melhorar a acção governativa.


4 . A remodelação do Governo, incluindo ajustamentos na sua orgânica, está, de facto, a ser preparada, mas quase nada de concreto tem sido possível apurar; apenas são conhecidas algumas “linhas orientadoras do processo”: torná-lo mais ágil e funcional; adequar a natureza das pastas ao perfil dos titulares.


A escassez de informação acerca do processo parece ser devida a um “compromisso” de sigilo a que JES vinculou personalidades do seu círculo conhecedoras do processo ou que nele participam. O fito é não dar azo a costumeiras acções de influência e/ou pressão relacionadas com supostas exonerações e nomeações.


Entre as conjecturas que circulam são consideradas consistentes as de que os sectores da indústria e energia e os da agricultura e pescas, fundidos na última remodelação, voltarão a ser separados – inclusive como sinal de um empenho acrescido numa diversificação da economia, tendo em vista reduzir a dependência do petróleo.


Entre os governantes que se prevê sejam substituídos figura a ministra da Energia e Águas, Emanuela Vieira Lopes – sobre a qual recai o ónus do mau funcionamento dos sistemas de abastecimento de água e electricidade que afecta todo o país. Figuras populares, sem funções oficiais, como Job Capapinha, serão “chamadas”.



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