Luanda - O meu cepticismo, no primeiro momento, visava apurar os factos sobre o objectivo real da missão diplomática do ex-presidente da Zâmbia, Dr. Kenneth Kaunda, à Luanda, na audiência que lhe tivera sido concedida pelo Presidente Eng.º José Eduardo dos Santos. Afinal o Enviado Especial do Presidente Michael Sata tivera tido a tarefa de Pedir o Perdão ao Presidente Angolano pela suposta ajuda que o Governo anterior do Frederick Chilumba (MMD) tivesse prestado à UNITA durante o Consulado dele.


Fonte: baolinangua.blogspot.com

 

Todo mundo sabe o engajamento total do malogrado Frederick Chilumba ao processo da paz que vinha culminar com a celebração do Protocolo de Lusaka. Este Acordo histórico foi um instrumento político-jurídico, bastante decisivo, que cimentara os alicerces da paz militar alcançada mais tarde em 2002, na cidade do Luena com a assinatura do Memorando do Entendimento entre os dois beligerantes, MPLA/Governo e a UNITA. Os que conheceram os meandros das negociações duras e prolongadas em Lusaka, souberam muitíssimo bem com que subtileza foram as jogadas políticas do Anfitrião Zambiano na aproximação do Mediador, da Tróica e das ambas Partes Angolanas para alcançar Compromissos. Em muitas ocasiões, nesta maratona negocial, os interesses da UNITA tiveram que ser sacrificados.


Não obstante, o Presidente Chilumba foi o grande estadista que desempenhou o papel importante na busca da paz militar para Angola. O Povo Zambiano tem todos motivos de regozijar-se e de manter a cabeça bem erguida. A Zâmbia não deve nada à Angola como faz-se entender. Pelo contrário, somos nós, Angolanos, que devemos reconhecer a solidariedade que usufruímos durante a nossa longa caminhada até onde chegamos.

 

Com efeito, não me lembro bem de que ajuda efectiva que a UNITA tivesse recebido ilicitamente do Partido MMD, que induzisse o Presidente Michael Sata a enveredar-se por este caminho ínvio e bastante humilhante para o Povo digno Zambiano.

 

Na verdade, o Presidente Sata esteja certamente a disfarçar os seus desígnios, procurando um bode-expiatório. Os objectivos que estarão por detrás destes demarches são as seguintes:


a) O Presidente Sata é tratado de “Rei Cobra”, devido o seu populismo exacerbado e a demagogia política que caracteriza a sua eloquência. Ele tem o tacto de manipular as situações e levar a água ao seu moinho. Nas últimas eleições gerais, a diferença entre a Frente Patriótica e o Movimento para a Democracia Multipartidária (MDD) foi muito estreita.


Agora, o Presidente Sata tem dificuldades no Parlamento para fazer passar o seu programa ambicioso. Há probabilidade de convocar as eleições antecipadas. Em função disso, busca artimanhas que visam denegrir MMD, seu adversário principal e o mais arrojado. Para fazer face esta situação é preciso muito dinheiro para que possa triunfar novamente nas eleições em vista.

 

b) O todo mundo sabe da vulnerabilidade do Presidente Angolano. Ele gosta de intrometer-se nos assuntos alheios em troca de lealdade aos seus interesses pessoais de grandeza; tem um sentimento anatemático face à UNITA; aprecia bastante os gestos de “Bajulação” e geralmente recompensa bem todos aqueles que actuam nesta conformidade. Este é um dos métodos que têm sido utilizados para projectar a imagem do Presidente Angolano na Comunidade Internacional, face aos factores negativos da corrupção e do enriquecimento ilícito. Por isso, é bem provável que estejamos perante um exercício adulatório, junto da Cidade Alta, que visa conquistar algo para reforçar o posicionamento do Soberano Zambiano que labuta pela afirmação do seu Poder, recentemente conquistado.


Se a intenção real é esta, então duvido se dera mesmo certo. Tendo em consideração os ventos que sopram pelo mundo e dando a crise económico-financeira que afecta toda gente. Com o nível assustador da pobreza em Angola. Se é assim, então é uma autêntica imprudência agir desta forma na altura em que a imagem do Presidente Angolano está sendo ofuscada por aspectos associados ao peculato.

 

O Presidente Sata tem tido o protagonismo austero contra a corrupção no seu país. Como que ele vem cá adorar um sistema maculado nesta referência? Contudo, é bastante arriscado apostar-se nos líderes africanos que comportam como camaleão, cuja política é ambígua e não tem persistência em busca das grandes Causas do seu Povo. São revolucionários quando estão na Oposição e tornam-se o inverso quando alcançam o Poder. Limitam-se aos interesses mesquinhos circunstanciais, de carácter pessoal, que não têm a projecção nacional de longo alcance.

 

Para todos efeitos, nós somos irmãos, do mesmo berço, do mesmo sangue, da mesma cultura e do mesmo espaço geográfico que comungam os interesses comuns.

 

O Caminho de Ferro de Benguela (CFB) é o Bem comum dos Povos do Continente. Esta Ferrovia transcontinental tinha como objectivo estratégico de integrar a Região Austral – do Oceano Atlântico ao Oceano Indico. Este Projecto, de grande dimensão, apresenta-se mais realista e mais viável hoje que antes quando foi concebido pelos Britânicos. Constitui um veículo importante que servirá de instrumento apropriado de investimentos e da distribuição do Petróleo Angolano nesta Região. Por isso, não há razão nenhuma pela qual deixarmos humilhar-se uns aos outros por uma coisa de nada. Óbvio, o Presidente Zambiano foi infeliz na sua deliberação insensata e o futuro dirá e será reprovável.

 

Gostaria de reiterar este facto, apesar das contendas politicas internas, dentro da Zâmbia, o Presidente Frederick Chilumba não somente foi um grande estadista, mas sim, um sindicalista astuto que soube defender os interesses laborais dos Operários Zambianos e teve ousadia de enfrentar o sistema do partido único e desabá-lo definitivamente. De todas formas, ele foi o “Pai-fundador da Democracia Zambiana”. Lamentavelmente, a África não sabe valorizar a sua épica História e elevar bem alto a imagem daqueles que o fizeram.

 

Fundam os Partidos políticos, depois de tanto trabalho, de tanto suor e de tanto sacrifício, numa certa altura, desprezam e afastam os Anciãos, os protagonistas que fizeram essas Obras gigantescas e que transformaram os seus Ideais. Quo vadis África?


Não seria um grande orgulho para nós todos vermos a Estátua do Nelson Mandela, bem erguida na sua imponência, em frente de Westminster, na sede do Poder Britânico, que tivera colonizado os Povos Africanos! Ou, não é um grande alívio constatar uma majestosa Estátua do Martin Luther King, Jr. no Capitol Hill, na sede do Poder Legislativo Americano, um descendente de Escravos Negros que lá chegaram em condições desumanas! Tudo isso não desperta a nossa consciência como um Povo igual a si próprio e igual a toda Humanidade?



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