Falta de debate uma táctica eleitoral

O dinamismo da campanha neste ano de 2008 está um pouco prejudicado, devido à forma não moderna a que os partidos estão obrigados a apresentar as suas ideias. Não há debates políticos, não é permitida a campanha eleitoral paga nos órgãos de informação privados, o tempo  de antena na rádio e na televisão (excepto para o MPLA) é limitado.

Apesar de na prática não serem permitidas sondagens políticas, os indicadores, para quem entende um pouquinho que seja de política, dizem aparentemente que podemos esquecer uma possível maioria absoluta de qualquer que seja o partido. Isso pode sustentar-se ao vermos como os maiores partidos, sobretudo o MPLA, têm feito uma ginástica enorme na luta pelo voto. Maioria absoluta só se houver coligação de alguns partidos no próximo parlamento.

A razão principal da ausência de debates ou entrevistas aos candidatos nos principais órgãos de comunicação social nacional certamente também está relacionada a um certo receio de confronto de ideias por parte do partido no poder. Isso poderia expor muitos dos seus artistas principais, inclusive José Eduardo dos Santos, ao ridículo. A falta de debate nesse momento é quase uma cópia daquilo que até agora acontecia no parlamento angolano, em que os ministros recebiam as questões dos deputados algumas semanas antes destas terem de ser respondidas. Podemos dizer, enfim, que a falta de debate também é uma táctica eleitoral.

A campanha eleitoral paga, a exemplo do que acontece em vários países democráticos, traria muitas vantagens para os partidos e os meios de informação. Nela os partidos poderiam ter muito mais do que cinco minutos para expor seus programas, poderia ser que houvesse debates interessantes, enquanto que o povo se interaria ou conheceria cada vez melhor daqueles que gostariam de assumir os destinos do país para os próximos tempos.

O tempo de antena, comparativamente ao ano de 1992, é extremamente limitado neste ano de 2008, o que indica claramente uma regressão e não progressão neste sentido. Em 1992, por incrível que pareça, os partidos possuiam muito mais espaço para exerecerem a sua criatividade. Talvez o facto de naquele ano as atenções do mundo estarem realmente viradas para o nosso país, com particular destaque para Estados Unidos, ONU e Europa, bem como o facto de a UNITA estar armada obrigasse  o governo angolano (MPLA) a usar naquela altura uma postura menos dominante, menos manipuladora e menos absolutista que nos dias de hoje. A isso podemos também acrescentar uma certa insegurança por parte do MPLA no início dos anos 90, pois o seu governo, até o ano de 1993 ainda não era reconhecido pela única potência mundial (EUA) desde a queda do comunismo.

Com ou sem campanha eleitoral adequada aos dias de hoje e/ou às democracias mais inspiradoras, tudo indica que a verdadeira batalha do processo eleitoral angolano ainda está para acontecer, nomeadamente a partir do dia 5 de setembro. Este acontecimento vai provavelmente estender-se até alguns dias ou semanas após a publicação dos resultados. Esta possibilidade pode-se antecipadamente imaginar, tendo em vista que a fraude poderá ser a última arma, arma secreta, a ser usada pelo único que detem poder para tal e a todo o custo não se imagina com um resultado diferente de maioria absoluta, o que vai certamente despertar ainda mais a atenção da oposição, sobreduto da UNITA.

* Pedro Veloso
Fonte: club-k



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