Luanda - O Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM) está a passar por um novo modelo de gestão que, contado, parece inacreditável para um órgão do Estado, tutelado pelo Ministério da Comunicação Social.


*Adolfo Pedro
Fonte: Club-k.net


Em Agosto passado, a ministra Carolina Cerqueira nomeou a jornalista Sara Fialho para assumir interinamente a direcção da Comissão de Gestão do CIAM, na sequência da demissão do então director Olímpio de Sousa. Durante 16 anos, o antigo director pilhou o CIAM como bem entendeu e abertamente conferenciava com o Sr. Gonga, que regularmente se deslocava ao seu gabinete para falsificar facturas e contas. Olímpio de Sousa gabava-se do amparo que recebia da esposa, a actual secretária-adjunta do Conselho de Ministros, para agir com impunidade.

 

No entanto, Sara Fialho, em menos de cinco meses têm dado mostras de ser uma versão pior e malcriada de Olímpio de Sousa, com a protecção da ministra Carolina Cerqueira de quem se diz amiga influente. Por exemplo, Sara Fialho chamou a si a responsabilidade de pagar directamente os salários, no seu gabinete e à noite. Anulou o sistema de pagamentos por via de transferência bancária directa e só pagou dois meses de salário, apesar dos funcionários terem salários em atraso desde Janeiro passado. Fez descontos arbitrários de 30 a 80 porcento, tendo impedido os trabalhadores de assinar quaisquer recibos.

 

Nas sessões de pagamento de salários, outro membro da comissão de gestão, o jornalista Tó Bragança, lia os comentários feitos no Club-K, contra a ministra, enquanto Sara pagava e ralhava os funcionários.

 

A 29 de Novembro de 2011, na conferência de imprensa que se seguiu ao encontro dos adidos de imprensa, Sara Fialho mentiu publicamente ao afirmar que os salários dos funcionários do CIAM tinham sido pagos e que o assunto estava resolvido.

 

Uma notícia publicada no Club-K sobre a distribuição diária de fatias de bolo aos trabalhadores do CIAM, ao invés do salário, mereceu resposta vigorosa da directora Sara Fialho nos seguintes termos: “Tirei-vos o bolo, agora tiro-vos a água. Vocês aqui não bebiam água filtrada. Tentei dar-vos alguma dignidade mas vocês não merecem. Se falarem outra vez ao Club-K, ao entrego-vos todos à disposição do MAPESS [Ministério da Administração Pública, Emprego e Segurança Social]. Ponho-vos na rua”!

 

Sobre a fuga de informação, Sara Fialho fez carnaval entre os funcionários e aos gritos afirmou: “Aqui vocês vão comer o pão que o diabo amassou. Se não querem passar humilhações tirem o MPLA do poder em 2012. Senão, aguentem!”.

 

Sara Fialho, descrita como “arrogante e malcriada”,  alterou o horário da função pública para sujeitar os trabalhadores ao seu horário. Chega sempre ao serviço depois das 17h00 e obriga parte dos trabalhadores, que inicia a labuta às 8h00, a permanecer no local de serviço até às 22h00 ou 23h00.

 

Na sua simples função de coordenadora da Comissão de Gestão, a referida jornalista, que é administradora executiva do Jornal de Angola, já empregou cinco novos funcionários no centro, sem concurso público e contrariando as leis vigentes.



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