Luanda - “Arma virumque cano…” Eu canto, pela métrica de Virgílio, As Armas, os 23 anos de guerra e o Homem que os soube enfrentar, conduzir e vencer no meio de tamanho sofrimento e sacrifício do seu Povo, no meio de tamanha destruição do País, no meio de tamanha delapidação das suas Riquezas.


Fonte: JA

As operações subversivas da UNITA

Eu canto os nove anos de paz, premissa essencial e necessária para a Reconstrução Económica e Social de Angola. Eu canto o Homem que enfrentou as agressões militares do maior Exército a sul do Sahara e que venceu a subversão da UNITA, resoluta e obstinada na tomada do poder pela força das armas. Eu canto os 32 anos da guerra e da paz de José Eduardo dos Santos, pela Defesa da Independência Nacional, da Integridade Territorial e da Soberania Nacional.


Eu conto as operações conjuntas do Exército sul-africano e da UNITA. Eu conto a guerra subversiva da UNITA, apoiada por potências ocidentais e por países africanos. Eu canto os riscos que José Eduardo dos Santos correu para defender e proteger os angolanos. Eu conto contra quem o Presidente combateu, que complôs enfrentou.

 

Eu canto o Heróico Povo Angolano e o seu clarividente timoneiro, imperturbáveis perante a fragrância fatal do jasmim inebriante, possessivo, extasyante, vindo do Norte de África: Egipto, Síria, Líbia, Iémen e Tunísia – a antiga Cartago, hospedeira de Eneias, ouvido por Dido rainha, sobre a Tragédia de Tróia. Entre nós, alguns existem comandados de fora, que nos querem tamanha e semelhante desgraça. Não há espaço em Angola para os “cavalos de Tróia” da nova vaga, nem para qualquer tipo de “Primavera”, mesmo forjada pelas novas mudanças climáticas, já que temos tão somente duas estações do ano.

 
Primavera ou Inverno

 

Analistas e politólogos, alarmados com o rumo dos acontecimentos nesta região geopolítica conturbada, consideram que à “Primavera Árabe” começa a suceder-se o “Inverno Islâmico”. A invectiva para a interpretação desta realidade, que se vai desenhando no Mundo Árabe, vem bem escalpelizada na conceituada revista “Afrique Asie” deste mês (págs. 16 a 30), com o título “Primavera Árabe ou Inverno Islamista?”. Qual a sua essência, quem a promove, quem a executa, que objectivos persegue?:


“Após décadas de estabilidade e estagnação políticas, o mundo árabe é, desde o início deste ano, o teatro de agitações geopolíticas recorrentes. A Tunísia abriu esta série de mudanças com a queda inesperada do regime de Ben Ali. Seguiu-se, então, o Egipto, o Bahrein, a Líbia, o Iémen e a Síria. Em todas essas mudanças, ainda que não relacionadas entre sí, ressalta-se uma constante: o ressurgimento em força do islamismo político com a bênção do Ocidente.”


“É prematuro, até aqui, falar de ‘Primaver’", ou seja, de encontros históricos com a democracia. Em resposta, existe, em toda a parte, uma certeza: ninguém sabe o dia de amanhã. Os partidos islâmicos vão substituir os regimes autocráticos pró-ocidentais ou laicos? Quanto tempo levará a transição para a democracia?”


“O islão político que afirma ter a solução para todos os problemas saberá dar uma resposta diferente do ultraliberalismo às questões sociais do mundo árabe, como o analisa magistralmente, neste dossier, o economista Samir Amim? As monarquias do Golfo que se deixaram arrastar pela vaga da ‘primavera árabe’ e que financiaram o surgimento, em força, dos partidos islâmicos, agem por conta própria ou por conta das potências estrangeiras, como sugere o politólogo tunisino Mezri Haddad?”


“Além da Tunísia, onde a transição acontece laboriosamente, todas as outras alterações no Bahrein, no Iémen, no Egipto e na Síria em particular, podem conduzir a guerras civis já em gestação ou a poderes islâmicos sem horizontes democráticos.”

 

“À excepção das petromonarquias que estão em vassalagem desde o seu surgimento, todos os outros países árabes têm, agora, a sua soberania e integridade territorial ameaçadas. O que é vergonhoso é que a recolonização do mundo árabe está em marcha, sob pretexto da defesa dos direitos humanos e da democracia, enquanto os seus objectivos, ontem como hoje, são essencialmente económicos e vilmente mercantilistas.”


“O que é vergonhoso, é que os jovens, intelectualmente vulneráveis, cujo instinto patriótico foi alterado por causa de muitos anos de ditadura, foram doutrinados e manipulados para servir um propósito geopolítico sobre o qual não tinham a mínima ideia. O que é preocupante é que a Tunísia serviu de plataforma de lançamento deste míssil da ‘liberdade’ que abre a porta aos anos de servidão voluntária".


O iconoclasta Mezri Haddad


“Alguns dedicam-lhe um ódio feroz, enquanto outros têm-no em grande estima. O facto é que os escritos e as declarações de Mezri Haddad nunca nos deixam indiferentes. Apenas com cinquenta anos, ele já ostenta uma vida intelectual e política muito rica, não só pela escrita, como também pela acção. Doutor em filosofia política pela Universidade de Sorbonne, jornalista durante muito tempo e universitário em França, ele tornou-se embaixador da Tunísia na UNESCO, no final de 2009, cargo do qual decidiu demitir-se na noite de 13 de Janeiro de 2011, logo após o último discurso de Ben Ali, tendo sido o único responsável tunisino a ter tal gesto antes da saída de Ben Ali.”

 

“Em 2002, ele apresentou o seu pensamento político num livro analítico e polémico, publicado em França sob o título ‘Cartago não será destruída’, um livro considerado precursor e visionário (contra “delenda esse Cartago”, de Cícero = Cartago deveria ser destruída). No seu novo livro, Mezri Haddad fez uma autópsia impecável à ‘primavera árabe’, e com argumentos notáveis, ele refuta a espontaneidade da ‘revolução Jasmi’", cujo efeito dominó sobre o Egipto, Líbia, Iémen e Síria levanta algumas interrogações.


“Para o autor, esta é uma revolta social autêntica e legítima, que foi disfarçada de insurreição política. Ele acusa claramente a administração americana e ao que ele chama o ‘Estado-Televisão do Qatar’, de serem os principais instigadores. Sem mergulhar na teoria do complô, Mezri Haddad pensa que essa conspiração contra a Tunísia, em nome da democracia, é parte de um plano estratégico americano, estabelecido pelos neo-conservadores e retomado na íntegra por Obama, desde a sua chegada à Casa Branca, para servir um desiderato geopolítico muito maior. Ele acusa o presidente americano de ser ‘um falcão com asas de pomba’ e alinha no mesmo diapasão do seu prefaciador, o grande pensador egípcio Samir Amin.”


“Graças à brecha aberta por uma revolução, da qual não fizeram parte, os islamistas voltaram em força, numa altura em que a sua influência estava em declínio. Será isso um efeito secundário? Mezri Haddad afirma que a intenção dos estrategas americanos era completamente contrária, pois eles tudo fizeram para ‘subverter’ o processo revolucionário. Como provas, ele argumenta que o Tio Sam decidiu, há muito tempo, jogar a carta do islamismo ‘moderado’ não só na Tunísia mas em todo o mundo árabe e muçulmano.”


“Escrito num estilo vivo e cristalino, a face oculta da revolução tunisina é um livro sem contemplações. Nem para os Estados Unidos, nem para França, cujo humanismo universalista se evaporou a favor de um atlantismo suicidário. Nem para o ‘Qatrael’, esse cavalo de Tróia ao serviço do império para destruir todos os estados nacionalistas…”


Os falsos profetas


No momento que lhe pareceu oportuno, e calculando que o “efeito jasmim” tinha chegado a Angola, sem a mínima satisfação às autoridades Angolanas, surpreendendo todos, a rádio Voz da América, fazendo jus ao modus operandi da grande potência unipolar, fez a rentrée espectacular do antigo programa da Vorgan, arranjado e retocado para Angola, o fantástico “Angola Fala Só”, depois de abandonada, há 19 anos, a plataforma em que as duas operavam sobrepostas na Base Aérea Militar Americana desdobrada no Botswana.


Alguns videntes observaram, pela sua bola de cristal, que o “efeito Jasmim” ia resultar de forma irreversível na “Primavera Bantu”, cujo epicentro de irradiação era Angola para toda a África Central. Que fazer com os falsos profetas?


Entendemos a posição dos responsáveis do INACOM que dizem (debate informativo com o tema “Rádiodifusão - Que Futuro Perante a Actual Proposta de Lei” – Rádio Eclésia, 04.06.2011) que “as emissões que sejam feitas a partir de fora, de outros pontos que não estejam dentro do território angolano, não estão sob jurisdição do Estado Angolano, como tal as entidades angolanas não têm qualquer autoridade sobre elas” – Dr. Lucas Kilundo.

 

Ora, se o Presidente de Angola incluiu os Estados Unidos da América no elenco dos parceiros estratégicos de Angola, é linear e seria de bom tom comunicar ao Governo Angolano a abertura de um programa especial para Angola incrustado na Voz da América, como prova de uma cooperação não estritamente ligada ao “trade”, às relações comerciais.

 
Confusão e subversão


É preciso ir ao fundo do relacionamento entre Estados Soberanos, que governam os seus povos, donos do direito inalienável à informação e à livre expressão, mas ninguém tem o direito de as confundir e subverter. Na verdade, quem consegue parar e estancar um insulto no instante em que ele é proferido? Se tal foi pronunciado, tal efeito pretendido foi certamente atingido.


Nestas circunstâncias é descabido e mesmo desonesto dizer que se corta ou que não se permite que alguém ofenda alguém. Como assim, se o interveniente já falou só e os radiouvintes já escutaram? O sentido da audição é para ouvir, logo ninguém consegue impedir que alguém ouça se esse alguém não é surdo.         


“Angola Fala Só”, entre outras, transformou-se na máquina incentivadora da mobilização apelativa da intervenção do Conselho de Segurança da ONU e da OTAN, comandada pelos Estados Unidos e pela França, para agir contra o Presidente de Angola como fizeram contra Gbagbo e contra Kadhafi. Todavia, quem se interessar, pode encontrar alguns pronunciamentos nesse sentido nas entrevistas de sexta-feira ou noutras completamente insultuosas e despudoradas contra o Presidente da República, proferidas pelo senhor Numa, no Lobito, no dia 06.06.2011, num ambiente que lhe é familiar, isto é, falando pela Voz da América. Estava em casa…


Que grande coincidência entre o início das manifestações verificadas no Largo da Independência a 2 de Abril de 2011 e o início do programa “Angola Fala Só” a 1 de Abril de 2011! Será possível estabelecer uma relação de causalidade entre a coincidência e a evidência?           


A defesa da Bandeira


Eu canto o Homem, que, pela voz bem timbrada de Rui Mingas, tem defendido “a Bandeira que os Meninos do Huambo ganharam”, sem qualquer exclusão, para os Meninos do seu tempo e para todos os Meninos e para todos os Jovens de Angola, que devem conhecer o que ele fez por eles, durante 32 ANOS, devendo por isso seguir-lhe o exemplo:


– Estudante exemplar do Liceu Salvador Correia; Sensível à opressão colonial, envolveu-se na luta clandestina; Inconformado, com outros jovens irmanados nas mesmas convicções, deixou Angola para participar na Luta de Libertação Nacional, há 50 anos; Dirigente juvenil respeitado no seu e no amplo movimento socialista juvenil de então; Estudante universitário brilhante, licenciou-se em Engenharia de petróleos na antiga União Soviética, onde também se especializou em Telecomunicações Militares; Chefe do Centro de Comunicações do MPLA em Brazzaville; Ministro das Relações Exteriores; 2º Vice-Primeiro Ministro; Ministro do Plano; Tirocinado em Arte Operativa e Técnica de Estados-Maiores do Curso Superior de Oficiais. 


Eu canto o Homem que tem sabido, com todo o seu ser, abnegação, sabedoria e firmeza, levar, às últimas consequências, o grito de Independência do Fundador da Nação, Dr. António Agostinho Neto, contra as forças estranhas dominadoras e opressoras determinadas a estabelecer uma nova ordem mundial que pretende a recolonização de África e do nosso portentoso País: “Nós Somos Nós Mesmos”…


Piedade para os vencidos


Eu canto para que os jovens entendam esta simples expressão algébrica: x = a + b + c = 32, 32 ANOS que são o fundamento do Rumo que o País tem. Eu canto para que os “Jovens” respeitem os Legítimos Superiores e se deixem educar pelo 4º Mandamento da Lei de Deus, que é imperativo: “honra teu pai e tua mãe e outros teus Legítimos Superiores”. Na verdade só não respeita os Legítimos Superiores quem não respeita os próprios pais!

 

Voltaire, de seu nome próprio François Marie Arouet, antigo discípulo de jesuítas, enciclopedista de renome e deísta convicto, não obstante ter escrito o epitáfio à Igreja Católica, recomendava: “se quiserdes uma Sociedade sã, colocai o Catecismo nas mãos das crianças.”


Eu canto o Homem que não se deixou guiar pelo conselho de De La Fontaine, para quem é rematada estultícia poupar a vida ao inimigo derrotado e capturado em combate (qual serpente enrijecida pelo frio, recolhida por transeunte bem agasalhado; quando aquecida, tenta matar o seu benfeitor…). Exemplo por si só expressivo e eloquente, está no comportamento do deputado da UNITA, Camalata Numa, e que Eneias contextualiza quando, nos seus companheiros vencidos pela tomada de Tróia, procurava incutir coragem para suportar a sua desgraça: “una salus victis, nullam sperare salutem = a única salvação para o vencido (é) não esperar nenhuma salvação”. Ele e outros correligionários capturados tiveram a salvação, isto é, estão vivos até hoje. Porquê? Imaginem se fosse o inverso!
A José Eduardo dos Santos são-lhe intrínsecas a misericórdia e a indulgência, pois já muito antes do “histórico desfecho do Lucusse”, a 22 de Fevereiro de 2002, comutou e indultou os condenados à pena capital, enquanto esta não foi abolida.


O nosso Plano Marshal


Eu canto o visionário que soube, no momento certo, olhar para a “Terra do Sol Nascente” e palmilhar o caminho de Marco Polo para conseguir os recursos financeiros necessários ao “Plano Marshal” para a reconstrução do País destruído pela guerra, desfazendo, desta forma, a inviabilização do desenvolvimento, engatilhada pela Conferência de Doadores, realizada na Bélgica, defensora de que Angola necessitava tão somente de Investidores! De resto, não é ele homónimo do previdente José, que preparou Faraó e o Egipto contra a grande carestia de sete anos de trigo, que se seguiu à grande abundância dos sete anos anteriores?!


Por ironia do destino, 16 anos depois dessa falhada e hipócrita conferência (Setembro de 1995) e 11 anos depois do Presidente José Eduardo dos Santos se ter voltado estrategicamente para a China, a Europa, mergulhada numa profunda crise económica sem precedentes, faz o mesmo trajecto para resolver os seus problemas financeiros.

 

De lá já não vêm as especiarias, nem a seda fina, nem as porcelanas delicadas, mas o dinheiro sonante e vivo para revitalizar a economia da Europa, enquanto que de África já não interessam os escravos que até podem morrer na travessia do Mediterrâneo ou de outros mares, mas um novo espaço vital conquistado, em cujas entranhas virgens jazem as maiores reservas minerais mundiais. Eis em marcha, sem a mínima dúvida, o plano da recolonização de África.  


Coragem e firmeza


Eu canto a coragem, a firmeza, o sacrifício do Homem durante estes 32 ANOS, sentindo-me, evidentemente, obrigado a sublinhar dois altos momentos desta entrega total ao dever e à causa da defesa de Angola e dos Angolanos:


Quando, em 1983, lhe foi proposta a instauração do Estado de Sítio, para usar os plenos poderes especiais que lhe foram conferidos, não seguiu nem Sillas nem Júlio César; em vez de um Quartel-General com poderes absolutos, que lhe foi sugerido organizar para conduzir os destinos do País, congelando a Assembleia do Povo e o Governo, reorganizou, sim, o Conselho de Defesa e Segurança para realizar a manobra política, diplomática, militar e o desenvolvimento económico e social, desdobrado em Conselhos Militares Regionais, que, por sua vez, tinham sob sua jurisdição províncias e comandos de frente. De notar que tais Conselhos Militares Regionais não se estenderam à totalidade do território nacional. Na manobra político-diplomática assumiu especial relevância a condução do processo de negociações aturadas para o cumprimento da Resolução 435 do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a independência da Namíbia.


Desta feita, livrou o País de ser visto como uma ameaça para os seus vizinhos, pois que colocar um Estado em Estado de Sítio podia engendrar o fenómeno do duplo efeito, podendo um deles atacar para não ser atacado e em consequência tirar proveito das debilidades e das vulnerabilidades decorrentes desta excepção momentânea.       


Quando muitos pensaram que Angola tinha entrado na sua “Vigésima Quinta Hora”, pelos desaires temporários operacionais das FAA nas campanhas de pacificação do Huambo e Bié, com consequências vaticinadas para a insustentabilidade da capital, Luanda, vozes autorizadas do exterior aconselharam-no a deixar o País, ao que ele se opôs resolutamente, como de resto é apanágio de um destemido Capitão-General e das pessoas do seu bem fadado signo, sob o qual nasceram ele e o Primeiro Presidente da Nossa Terra. Do Presidente Neto, no seu último périplo pelo Kuando-Kubango, Huíla e Malange, recordo uma frase proferida numa reunião partidário-governamental em Menongue, em Agosto de 1979: “por detrás desta pessoa aparentemente calma e tranquila, existe uma personalidade forte e determinada…” (na sequência deste pronunciamento operou mudanças profundas na DISA, tendo deixado indicações claras e pertinentes de mudança para o Ministério da Defesa).          


Intrigas e mentiras


Eu canto o Homem, o Presidente, o Estadista, o General, o Pacificador, o Defensor e Protector do Estado Angolano. Vou, então, contar:


- As operações militares sul-africanas: as operações militares sul-africanas conjuntas com as operações subversivas da UNITA (o factor Savimbi na estratégia do Apartheid);


- As operações especiais sul-africanas: contra os objectivos estratégicos e económicos de Angola; contra a integridade pessoal do Presidente José Eduardo dos Santos; ataques nucleares sul-africanos; ataque com a utilização de explosivos em telefone móvel (Improved Explosive Device - Dispositivo Explosivo Improvisado - DEIS);


- As operações subversivas da UNITA;


- Os riscos que José Eduardo dos Santos correu para defender e proteger os Angolanos; contra quem combateu, que complôs enfrentou;


- Balanço dos prejuízos humanos e materiais provocados pelas agressões a Angola;


- Nove a nos de paz, que resultados, que benefícios?
 Tudo isto para que os jovens, hoje, conheçam qual foi o “preço da Liberdade” (Rui Mingas), e de tal modo consigam entender a equação enunciada, x = a + b + c = 32.

 

José Eduardo dos Santos passou 23 Anos a combater os Sul-Africanos, a UNITA e todos os seus incondicionais apoiantes. Gente há que persiste na sua má-fé de não querer ver nem reconhecer que nove anos é pouco, não é muito para resolver, pela simples vontade de mudar, os problemas provocados por 23 anos de guerra impiedosa e devastadora.

 

Porque não pedem responsabilidades também à África do Sul, à UNITA e às grandes potências que se envolveram na Guerra contra Angola? Hoje, que paradoxo, pedem nova intervenção dos Estados Unidos da América, de França, da Inglaterra contra esta nossa tão martirizada terra, a troco de quê? Da recolonização do nosso País?


Vejamos como é que o Presidente viu, já em Abril (15.04.2011, Reunião Extraordinária do Comité Central do MPLA), aquilo que hoje se vive nos países batidos pelos ventos da “Primavera Árabe”: “...porque se usa a mentira, a intriga, a desinformação e a manipulação para dividir as forças patrióticas e afastar o povo do Governo, preparando deste modo as condições para executarem os planos de colocar fantoches no poder, que obedeçam à vontade de potências estrangeiras que querem voltar a pilhar as nossas riquezas e fazer-nos voltar à miséria de que nos estamos a libertar com muito sacrifício”.


Silêncio comprometedor


Porque é que não apresentam a factura de indemnização contra os prejuízos humanos e materiais à UNITA, à África do Sul, aos Estados Unidos da América e a alguns países africanos que albergaram no seu território santuários da subversão? Leiam, para informação e compreensão, as seguintes obras:


- “Livro Branco das Agressões do Regime Racista da África do Sul contra a República Popular de Angola - 1975-1982”; “The CIA’s Greatest Hits”, de Mark Zepezauer “A Destruição de um País - A Política dos Estados Unidos para Angola desde 1945”, de George Wright;“Savimbi Vida e Morte”, de João Paulo Guerra.

 

Porque é que alguns paladinos do efeito jasmim no nosso País não exigiram mudanças imediatas ao Governo na altura em que a África do Sul ocupava grandes parcelas do Sul do País?

 

Porque é que não foram a Pretória para se manifestarem contra o ataque bárbaro a Cassinga, contra o ataque à Refinaria de Luanda, contra o ataque ao Malongo?


Porque é que não exigiram mudanças imediatas ao Governo, quando a UNITA destruiu o Caminho-de-Ferro de Benguela? quando ameaçou Luanda? Quando a UNITA destruiu a barragem das Mabubas? Quando a UNITA destruiu a conduta de água entre Kifangondo e Luanda? Quando a UNITA destruiu os postes de alta tensão entre Cambambe e Maria Teresa? Quando a UNITA atacou o comboio em Zenza do Itombe carbonizando civis inocentes e indefesos? Porque é que não foram a Washington manifestar-se diante da Casa Branca, quando Reagan autorizou a entrega de Stingers a Savimbi?

 

Porque é que não se manifestaram quando a UNITA colocou cargas explosivas na barragem de Capanda, ainda em construção, o que provocou atrasos significativos na sua conclusão? Quando a UNITA colocou cargas explosivas na barragem do Gove, que mexeram na sua estrutura comprometendo a regularização da albufeira, com consequências graves para as províncias da Huíla, Cunene e Namibe? Quando a UNITA destruiu a Base do Kuanda no Soyo? Com todas estas infra estruturas destruídas, como dar água e energia às populações a curto prazo e como sustentar o desenvolvimento industrial do País?


Porque é que a UNITA destruiu o valioso e precioso Centro de Investigação da Chianga, um dos mais bem equipados da África Austral?  Porquê este crime da barbárie contra o conhecimento, contra um capital de investigação impossível de reconstituir? A única explicação para esta acção contra a razão, está no facto de que a UNITA iria, certamente, receber tudo do apartheid, que tinha gizado um plano de desenvolvimento para a Angola de Savimbi.


Finalmente, se tivesse que aprofundar as razões desta tendência mórbida para a destruição, não sei se me poderia valer de Freud e capacitar-me o suficiente para fazer a psicanálise da guerra levada a cabo pela UNITA, cuja divisa era: bater onde dói mais; destruir para construir melhor… 


O medo do passado


Perante este quadro sinóptico de devastação que os 23 ANOS DE GUERRA provocaram, como esquecer o passado se a “Juventude” fala dum passado que não conhece? Quem tem medo do passado? O presente que vivem hoje, de que passado é que veio? Quem tem medo de ser condenado pelo passado? Quem tem medo da verdade que o passado tem? Porque é que não transmitem aos “Jovens” o que é que o Presidente José Eduardo dos Santos fez, o que é que ele suportou para o bem de Angola, dos Angolanos, da Namíbia, do Zimbabwe e África do Sul?
 Ao contrário, transmitem-lhes uma imagem péssima e distorcida da sua pessoa? Quem está interessado em apagar o seu passado de luta, de guerra, de combates, o seu legado de sabedoria? A quem interessa apagar a história? Não apareceram, não os vimos em parte alguma para ajudarem o Presidente a aguentar e a transportar, como Atlas, todos estes anos, o pesado fardo de manter Angola íntegra, soberana e unida. Se ele tivesse tirado “as mãos e os pés” naquela altura, como querem hoje, alguns que nem sequer têm 30 anos de idade, Angola estava escaqueirada, tão frágil era como frágil é um vaso lindo de cristal precioso.

 

Se ele tivesse tirado “as mãos e os pés” naquela altura, Angola tinha sido esmagada pelo apartheid, pela UNITA e pelas grandes potências. É um crime apagar a memória de um Povo lutador, combativo e heróico, personificado em José Eduardo dos Santos.


A festa do Natal


Reflictamos, sem qualquer oportunismo, na Liturgia do Advento, que nos leva ao nascimento de Cristo, que o mundo cristão comemora com a festa do Natal. E se a memória Cristã fosse apagada, como é que a Humanidade celebraria o mistério da sua Redenção? Esta celebração tem mais de 2.000 anos de duração! O que são 32 ANOS na vida de uma Nação em construção? Porquê tanta azáfama, tanto corrupio e tanto sprint dos mentores das mudanças, para o exterior do País? O que levam para lá e o que trazem de lá? Estratégias, dinheiros, que certezas e garantias trazem de apoio aos seus planos? Ao que parece não conseguem justificar, lá fora, porque é que não conseguiram as mudanças imediatas desde Abril até agora!


Não basta vestir-se de “libertador” se não se libertarem primeiro a eles próprios; a libertação que apregoam tem de ser radical não no sentido que defendem, mas na profundidade deles próprios. Só é livre e pode libertar e libertar-se quem estuda, quem se valoriza para poder fazer a sua parte. Não é livre e não consegue libertar nada nem ninguém, à sua volta, se enveredar pela manifestação como profissão. Arriscam-se, por isso, a não terem personalidade própria e a agirem como caixas de ressonância de ideias e de vontades alheias. E se essas vontades alheias atingirem os seus objectivos e eles forem excluídos porque não têm capital para se inserirem num quadro de novas exigências, então vão revoltar-se contra os seus ideólogos. Até quando?


Com efeito, a estes também se aplicam as palavras do politólogo tunisino Mezri Haddad: “o que é vergonhoso, é que os jovens, intelectualmente vulneráveis, cujo instinto patriótico foi alterado por causa de muitos anos de ditadura, foram doutrinados e manipulados para servir um propósito geopolítico sobre o qual não tinham a mínima ideia. O que é preocupante, é que a Tunísia serviu como plataforma de lançamento deste míssil da ‘liberdade’ que abre a porta aos anos de servidão voluntária”.

 

Para que a nossa Juventude não caia nessa servidão voluntária e para não se desviar do seu papel autêntico, como força motriz da Sociedade Angolana, eu canto-lhe uma passagem do Redemption Song do inesquecível Bob Marley: “libertai-vos da mentalidade de servidão. Ninguém senão nós mesmos podemos tornar livre a nossa mentalidade”.   


O tempo no País não começou a contar a partir dos primeiros dias de Abril de 2011. O tempo em Angola faz o seu percurso normal no seu meridiano referenciado ao meridiano de Greenwich; e é importante reter que desta vez a ordem dos factores não é arbitrária, porque será sempre nesta sequência 23 + 9, isto é, os 23 ANOS DE GUERRA estarão sempre antes dos 9 ANOS DE PAZ e de outros que lhe seguirão.   

  
Porque não lêem o número 32 ao contrário? O que vão encontrar é, nem mais nem menos, o número 23, isto é, o tempo de guerra que o Presidente José Eduardo dos Santos travou contra os inimigos de Angola. Ora, se dizem que 32 É MUITO e o que dizer então dos 23 anos de guerra? “Jovens Angolanos” e os que estão em idade madura, interiorizai isto:


x - c = a + b = 23 ANOS DE GUERRA
23  ANOS DE GUERRA É MUITO
+9  ANOS DE PAZ É POUCO
 32 ANOS DE GUERRA E DE PAZ DE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS AO SERVIÇO DE ANGOLA E DOS ANGOLANOS!


Eu canto a grande humildade que o Homem revelou, na comemoração do seu 68º aniversário, 28.08.2010, no jardim da Cidade Alta, contida nas seguintes palavras: “Ninguém sabe tudo. Ninguém pode tudo.” 



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