Lisboa – O ministro da Economia, Abraão Gourgel, afastou na última segunda-feira, 23, em Lisboa, a hipótese de Angola voltar a receber, nos próximos tempos, um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas admitiu que a instituição internacional possa prestar, simplemente, serviços de consultoria ao executivo. Por outro lado, o titular da pasta de economia convidou as empresas “estrangeiras” com sérios problemas financeiros a virem investir – mesmo sem capital suficiente – no país.


Fonte: JN/Club-k

abro gourgel.jpg - 16.04 KbQuestionado pelos jornalistas, durante uma conferência conjunta com o ministro português da Economia e Emprego, sobre o futuro da relação do país com o FMI, Abraão Gourgel disse – sem papas na língua – que “mais do que os recursos financeiros disponibilizados, o que interessava ao Executivo angolano era o suporte, em termos técnicos, às reformas que Angola já tinha começado a fazer”.


Essas reformas, acrescentou, permitiram dar a Angola a “credibilidade para conseguir novas condições de rating” e também reforçar o processo de estabilização macroeconómica no país.
“A esse nível, sim, pensamos continuar a contar com a participação do FMI, mas não necessariamente num programa com esta configuração”, disse Abraão Gourgel, admitindo que a colaboração possa passar por “uma prestação de consultoria”.


Em novembro de 2009, o FMI aceitou acordar um crédito de 1,4 mil milhões de dólares para ajudar Angola a reconstituir as suas reservas de divisas, depois de uma baixa do mercado do petróleo diante da recessão mundial.


Por outro lado, o ex-governador do Banco Nacional de Angola reconhece que a estrutura empresarial nacional é ainda incipiente e quer melhorá-lo. "Com foco no sector privado como motor do desenvolvimento económico, assumimos que a chave do crescimento é o estímulo ao investimento”, disse.


Angola Abraão Gourgel explicou ainda que as medidas do executivo angolano ao longo do último ano, começando pela nova lei de bases do investimento que, alinhou incentivos à iniciativa privada e visou acomodar os projectos de investimento. O governo legislou também visando as micro, pequenas e medias empresas, explicou o governante, bem como o programa de desenvolvimento de empresas e a lei das parcerias publico-privadas em Angola.


Abraão Gourgel falava esta noite num jantar organizado pela Camara de comércio e industria Portugal Angola, que reuniu em Lisboa perto de 200 empresários e os dois ministros da economia, de Portugal e Angola. As PPP estão sobretudo lançadas a pensar em investimento estrangeiro e visa melhorar as infra-estruturas em Angola e promover o desenvolvimento do país. "O governo está aberto ao investimento estrangeiro", assegurou o ministro.


Falando de parcerias com países como "Portugal, Espanha e Itália", o ministro convidou as empresas em dificuldades a deslocalizar as suas actividades em Angola. Em causa estão empresas que, por dificuldades conjunturais mas com cenários de viabilidade, possam ser alvo de transladação para Angola, explicou.


Confrontado pela plateia quanto aos limites mínimos de um milhão de dolares para ter acesso aos incentivos previstos na lei para o investimento privado, Abrão Gourgel afirmou que "pretende-se que se encontrem vias para que os empresários que não tem capacidade para investimentos dessa magnitude possam participar na economia angolana", desafiando que tal seja realizado através de parcerias com investidores locais.



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