Cabo Verde - A notícia é avançada hoje pela agência oficial cabo-verdiana Inforpress, que cita fontes do BAI/CV, na sequência de um relatório que o banco angolano enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR), em resposta a uma notificação solicitando informações sobre "operações realizadas por clientes arguidos em processo crime a decorrer".


Fonte: Lusa/RTP


O processo é a operação "Lancha Voadora", iniciado pela Polícia Judiciária (PJ) cabo-verdiana em outubro de 2011 e que levou à apreensão de 1,5 toneladas de cocaína e à detenção preventiva de vários suspeitos, como o ex-presidente da Bolsa de Valores de Cabo Verde (BVCV), Veríssimo Pinto, e outros com contas no BAI/CV.


É a associação entre Veríssimo Pinto e um dos clientes do BAI/CV, Paulo Pereira, também em prisão preventiva e que a Inforpress indica que a PJ acredita ser o "dono" da droga apreendida, que acaba por envolver o próprio banco.


Segundo as informações obtidas pela Inforpress, coube ao BAI/CV gerir uma subscrição de obrigações do próprio banco feita por Paulo Pereira, que, para tal, se deslocou à BVCV para, na companhia de Veríssimo Pinto, entregar um envelope com 140 mil euros a um funcionário do banco para proceder à operação.


Esse mesmo funcionário, não identificado mas que é citado ao longo do relatório, segundo a Inforpress, disse que Veríssimo Pinto lhe solicitou que o dinheiro fosse depositado na conta de Paulo Pereira, argumentando que se destinava à subscrição de obrigações do BAI/CV.


O funcionário em causa passou, depois, todos os dados da operação ao presidente do Conselho de Administração do BAI/CV, David Djasse, que o "instruiu" a depositar apenas 40 mil euros, indicando que o restante seria guardado na Tesouraria Central.


Admitindo ter tido alguns contactos com Veríssimo Pinto, o funcionário não adiantou, porém, se o depósito foi comunicado ao Banco de Cabo Verde (BCV), tal como prevê a lei.


A Inforpress adianta que, segundo o documento a que teve acesso, o que acaba por estar verdadeiramente em causa são os restantes 100 mil euros, uma vez que a verba foi depositada por David Djasse no BAI Europa, ao abrigo de uma autorização solicitada ao BCV a 20 de setembro de 2010 e transferido, posteriormente, para uma conta pertencente a Paulo Pereira no BAI/CV.


Fontes judiciais citadas pela agência noticiosa cabo-verdiana indicaram que o BCV mandou fazer uma auditoria ao BAI/CV, que o banco central confirmou, sem adiantar pormenores.


Um magistrado judicial esclareceu à Inforpress que o procedimento do BAI/CV seria absolutamente normal caso se tivesse feito depósito de todo o montante na conta de Paulo Pereira em Cabo Verde, informando a Unidade de Informação Financeira (UIF) e, depois, solicitando autorização para o envio de divisas para o BAI Europa.


Ao invés disso, apontou o magistrado, o que os documentos dizem é que os 100 mil euros, juntamente com outras divisas que saíram do país, foram posteriormente depositados por David Djasse no BAI Europa para, depois, serem transferidos para a conta de Paulo Pereira no BAI/CV.


No seu entender, só depois dessa transação é que o BAI/CV dá a ordem de subscrição de Paulo Pereira às obrigações que estavam então em Oferta Pública de Venda (OPV) na Bolsa de Valores.


Caso se confirmem as informações apresentadas sobre Veríssimo Pinto, admitiu o magistrado, pode não pender sobre ele apenas a suspeita de lavagem de capitais, mas também de associação criminosa com Paulo Pereira.


A Agência Lusa tentou hoje obter esclarecimentos junto do BAI/CV, da BVL e do banco central, mas nenhuma das instituições se mostrou disponível para comentar.


É desconhecida a determinação da suspensão dos dirigentes do BAI/CV.


O BAI Cabo Verde, com um capital social de 90 milhões de euros, tem como acionistas o BAI Angola, com 71 por cento, a petrolífera angolana Sonangol, com 19 por cento, e a empresa cabo-verdiana SOGEI, com 10 por cento.



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