Luanda - Em alguns círculos da nossa sociedade angolana, falar da Rádio Ecclesia é algo melindroso, muito mais no que à extensão do seu sinal em todo o país diz respeito. Mas não é sobre isto que quero me debruçar. É sobre a “fuga”, ou se quisermos ser mais elegantes na ponta da língua, sobre a saída sucessiva dos seus profissionais para outros Órgãos de Comunicação Social – mormente estatais. 
 
A recente saída, por exemplo, de meu amigo Moisés Sachipangue, dessa Estação Emissora para a nossa Televisão Pública de Angola, vem realçar e sustentar a minha ideia de sempre. Qual? A de considerar a Rádio Ecclesia um dos grandes Viveiros do Jornalismo Angolano. Basta olhar para a Televisão Pública de Angola, Rádio Nacional de Angola, Televisão Zimbo e demais Órgãos de informação para aferir que a Rádio Ecclesia passou a ser uma verdadeira Escola.
 
O importante seria olhar para este fenómeno não como uma perca, embora uma “fuga de quadros” constitua sempre um esvaziamento, um empobrecimento. Mas acima de tudo, deve ser também vista esta realidade como o amadurecimento do jornalismo angolano. E todo o mérito deve ser atribuído à Rádio Ecclesia. Pode ela ser crucificada por alguns “males?” que alguns – infelizmente alegam – para não se estender a todo o país. Mas diga-se, grosso modo, ela é hoje uma Rádio que tem jogado um papel formativo e informativo em prol da nossa incipiente democracia, tendo-se tornado numa voz do povo.
 
Neste sentido, a Rádio Ecclesia não é mais do que uma das melhores portas para todos aqueles jornalistas que encontraram um furo para se posicionar económica e socialmente – até mesmo ao nível de reputação pessoal – no outro lado do túnel. Disto não tenho dúvidas. As televisões e algumas rádios possuem no leque dos seus quadros jovens jornalistas  que passaram pelo “crivo” das várias Direcções que a Ecclesia já teve. A elas, penso eu, tais jornalistas devem um eterno agradecimento.
 
A este ritmo e como as coisas decorrem, não restam quaisquer dúvidas de que a Rádio Ecclesia continuará a ver nos seus profissionais uma presença transitória, ou seja, temporária, pelo que isto deve constituir um autêntico desafio. Algo que, na verdade, deve constar da agenda e dos imprevistos da sua Direcção.
 
Não há como evitar ou conter a fuga de quadros, em muitas Instituições. Eles vão para ali onde a isca os atrair, ou onde acharem que a vida deles possa mudar razoável ou significativamente. Mas também nem tudo é mar-de-rosas. As instituições vivem em conflitos internos permanentes.
 
O certo é que o aliciamento tem sido também um verdadeiro pisca-olho para um “venha cá”. 

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Fonte: A Capital