Lisboa - O Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, despachou está semana, à Londres, uma delegação governamental, com o propósito de negociar com a CNN-Europa, a possível criação do canal “CNN - Angola”.

Fonte: Club-k.net

CNN REJEITA  PROPOSTA DO REGIME   ANGOLANO

Liderada pelo ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Mário Oliveira, e do Secretario de Estado Nuno dos Anjos Caldas Albino, a delegação juntou-se na capital inglesa ao adido de imprensa da embaixada de Angola, Alfredo Salvador Carima, para tratarem do assunto visto que a sede da CNN, em Londres, é a responsável por fornecer cobertura jornalística de toda a região europeia. Luanda, queixa-se de hostilidade por parte da “CNN-Portugal”, pelo que considera ter a sua própria CNN-Angola, para servir a comunidade de língua portuguesa, em África.

 

A delegação angolana teve o seu encontro preliminar na passada segunda-feira, 19, na sede da CNN , em Londres, onde foram recebidos por uma equipa chefiada por Phil Nelson, o recém nomeado Vice-Presidente executivo da CNN para as operações de negócios internacionais junto de parceiros comerciais fora dos Estados Unidos da América. Ao lado de Phil Nelson, estiveram o responsável de conteúdos Kostas Oikonomou, o diretor de vendas, Zara Driss, o responsável de estúdios John Malome, entre outros que no total completaram sete elementos.


No decorrer da reunião, a delegação angolana colocou na mesa o desejo de se abrir em Angola uma divisão da CNN, a semelhança do que ocorre com os já existentes canais de língua portuguesa “CNN Brasil”, e “CNN Portugal”.


O argumento que a delegação angolana transmitiu, foi o de que apesar de Angola ter uma plataforma (ZAP) que transmite a “CNN – Portugal”, o governo angolano sente que esta divisão portuguesa é hostil ao regime sendo que não passa assuntos do país com certa regularidade. O regime sente-se desconfortável com  a  “CNN – Portugal”, depois de há  dois anos, está divisão portuguesa,  ter andado a dar espaço as filhas do antigo Presidente José Eduardo dos Santos (JES), que se incompatibilizaram com  João Lourenço. 


Na pessoa do seu responsável máximo fora dos EUA, Phil Nelson, a CNN rejeitou o pedido de se criar uma divisão para Angola por considerar não haver condições para que este prestigiado canal de televisão opere a semelhança do que acontece em outros países onde se observa abertura democrática (verdadeira liberdade de imprensa)


Ao verem os seus designíos rejeitados, a delegação chefiada pelo ministro Mário Oliveira, avançou com uma segunda proposta que participaria pela assinatura de um contrato de pub -reportagem, em que a CNN- Londres, passassem a produzir conteúdos de reportagens sobre as alegadas potencialidades do país.


O Vice-Presidente da CNN, Phil Nelson, transmitiu aos interlocutores angolanos, que na próxima vez, estes devem avisar com uma certa antecedência de pelo menos seis meses, sempre que pretenderem uma Pub-Reportagem (também conhecida como reportagem paga).


Destacou igualmente que para o pretendido trabalho, a CNN teria de enviar antes uma equipa de avanço para estudar a possível existência de condições em Angola.


O responsável televiso, deixou também claro, neste encontro pré-eliminar, que em caso de se efectivar futuros trabalhos de reportagens pagas, as mesmas vão obedecer aos padrões da linha editorial da CNN, e não a orientação ou imposição de critérios do regime angolano.

 

Segundo apurou o Club-K, a CNN Londres, como uma grande organização de mídia, geralmente considera vários factores ao avaliar a aceitação de uma pub reportagem sobre um país africano. Alguns dos principais critérios que podem influenciar essa decisão incluem: Relevância e interesse público;

 

Qualidade jornalística: A reportagem deve atender aos altos padrões jornalísticos da CNN, com informações precisas, imparcialidade, equilíbrio na apresentação dos fatos e uma abordagem investigativa e crítica.

 

Acesso e disponibilidade de recursos: A equipe da CNN Londres considerará se há acesso suficiente à região ou ao país africano em questão para produzir uma reportagem de qualidade. Isso inclui a disponibilidade de jornalistas, recursos técnicos e a capacidade de realizar entrevistas e investigações no local.

 

Viabilidade comercial: A decisão também pode levar em consideração a viabilidade comercial da pub reportagem, incluindo fatores como potencial de audiência, patrocínios ou acordos de parceria, e como a reportagem se encaixa na programação e estratégia editorial da CNN.

 

Qualidade jornalística: A reportagem deve atender aos altos padrões jornalísticos da CNN, com informações precisas, imparcialidade, equilíbrio na apresentação dos fatos e uma abordagem investigativa e crítica.

 

Acesso e disponibilidade de recursos: A equipe da CNN Londres considerará se há acesso suficiente à região ou ao país africano em questão para produzir uma reportagem de qualidade. Isso inclui a disponibilidade de jornalistas, recursos técnicos e a capacidade de realizar entrevistas e investigações no local.

 

Viabilidade comercial: A decisão também pode levar em consideração a viabilidade comercial da pub reportagem, incluindo factores como potencial de audiência, patrocínios ou acordos de parceria, e como a reportagem se encaixa na programação e estratégia editorial da CNN.

 

A recepção a delegação angolana que levou cerca de duas horas, terminou com um itinerário dos visitantes, aos estúdios da CNN, seguido de um almoço. A delegação angolana comprometeu-se em transmitir aos seus superiores, para se agendar uma futura reunião.

 

Fontes da CNN, revelaram ao Club-K, que apesar dos responsáveis editoriais terem antes feito um levantamento sobre o ambiente de liberdade de imprensa em Angola, sentiram se na necessidade de proceder uma aprofundada “due deligence”, de forma que uma eventual parceria comercial de reportagens pagas, pelo regime angolano, não venha a comprometer a própria imagem deste canal de televisão americano.

 

A CNN (Cable News Network) é uma rede de televisão a cabo e satélite que foi fundada em 1980 nos Estados Unidos. É uma das principais redes de notícias do mundo, com cobertura internacional e uma variedade de programação que abrange notícias, análises, entrevistas, documentários e programas de entretenimento.

 

A CNN é conhecida pela sua cobertura jornalística abrangente e a sua presença global. A rede possui vários canais e plataformas, incluindo a CNN International, que transmite para audiências internacionais, e a CNN en Español, que transmite em espanhol para os países de língua espanhola.

 

A CNN ganhou reconhecimento e influência ao longo dos anos e tem correspondentes e equipes de reportagem em todo o mundo. A rede é conhecida pelo seu estilo de reportagem direto e objetivo, e tem sido pioneira em várias inovações tecnológicas na transmissão de notícias.

 

A reputação da CNN é geralmente considerada como uma das principais fontes de notícias internacionais, mas é importante observar que a percepção da reputação pode variar entre indivíduos e pode ser influenciada por fatores como afiliação política e preferências pessoais.

ANTECEDENTES

Ao se concretizar no futuro, a assinatura de um contrato entre o Governo de Angola e a CNN-Londres, este deverá ser o segundo contrato na historia contemporaria do regime. O contrato foi entre o governo do Presidente José Eduardo dos Santos (JES) e o canal Euronews.

Em Setembro de 2017, o assunto da publicidade foi objecto de apreciação por parte da então alta representante da UE para a politica externa, Federica Mogherini, e a comissária europeia para a economia e sociedade digital, Maryia Gabriel, no seguimento de uma reclamação, por escrito da eurodeputada socialista, Ana Gomes.

Ana Gomes é contra a propaganda paga com dinheiro público da União Europeia (UE) para promover governos cleptocratas, como era o caso de Angola. Foi a ex-eurodeputada que denunciou junto de instâncias da UE a existência de um contrato de publicidade entre a EuroNews e o Governo angolano.

Quando era membro do Parlamento Europeu, a política portuguesa escreveu à alta representante para a política externa, Federica Mogherini, e à comissária para a economia e sociedade digital, Maryia Gabriel, a manifestar o seu desagrado, depois de ter sido alertada sobre a existência de um contrato com o referido canal de televisão.


O levantamento do assunto prende-se pelo facto de a Euronews ser um canal de televisão órgão que recebe financiamento da Reunião Europeia razão pela qual a eurodeputada portuguesa levanta a possibilidade da revisão dos apoios europeus ao canal, com realce ao financiamento por Bruxelas.