Luanda - O Bureau Político do MPLA orientou, nesta quinta-feira, 20, o seu grupo parlamentar “a tomar todas as providências para que o Parlamento não venha a ser instrumentalizado” pela UNITA, para concretizar aquilo a que chamou de “desígnios assentes numa clara agenda subversiva, imatura e de total irresponsabilidade política”.

Fonte: ISTO É NOTÍCIA

Em comunicado de imprensa, o Bureau Político do MPLA referiu-se a uma alegada “estratégia de criação de um clima de instabilidade institucional”, com o objectivo de se “criar um quadro político que justifique a sublevação popular e a ascensão da UNITA ao exercício do poder, sem a necessária legitimação democrática”.

O MPLA, que defende a ideia de a UNITA ter a noção de ser esta a única via para algum dia tornar-se em Angola, acusa alguns dirigentes de topo do maior partido na oposição de terem hoje “noção clara de que a insurreição armada do passado pode agora ser travestida de uma eventual insurreição popular, como têm apregoado nas diversas localidades por onde têm passado”.

Para o Bureau Político do MPLA, a iniciativa da UNITA de “destituir o Presidente da República, sem factos que encontrem fundamento respaldado na Constituição, só é possível ser criada por uma organização política que — consciente da sua notória e cada vez mais evidente incapacidade de conviver numa sociedade democrática e pluralista — não hesita em provocar um ambiente institucional contrário ao que o MPLA, através do seu grupo parlamentar, proclamou ainda há poucos dias, no sentido de um maior diálogo e inclusão no debate político”.

“Convém esclarecer ao povo angolano que a própria direcção da UNITA, que saudou a iniciativa de diálogo apresentada pelo grupo parlamentar do MPLA e que, em face disso apresentou uma proposta de agenda de diálogo, vem, com o seu pronunciamento, acabado de tornar público, demonstrar uma total ausência de seriedade, de sentido de Estado e de disponibilidade para a sã e harmoniosa convivência institucional”, considerou o BP do MPLA, declarando:

“Com esse comportamento, irresponsável e anti-democrático, a UNITA indicia que pretende assumir uma atitude de ruptura com o diálogo institucional, sobretudo em sede da assembleia nacional”.

Segundo o partido no poder, depois de o povo angolano ter cumprido o seu poder soberano e escolhido, livremente, quem deve exercer o poder político em Angola — dando, uma vez mais, o seu voto de confiança ao MPLA e ao camarada presidente João Lourenço —, a UNITA sentiu, de forma profunda, o facto da sua oportunidade de ser poder ter sido adiada por mais cinco anos e não hesitou em criar um conjunto de suspeitas, para alicerçar o argumento da ilegetimidade da vitória, com o propósito único de impedir o livre exercício do poder pelo MPLA”.

O MPLA considera, por outro lado, que “a UNITA nunca teve a coragem de assumir que o MPLA saiu vitorioso em 143 dos 164 municípios do país e que, em dez províncias, o MPLA venceu em todos os municípios, nomeadamente no Bié, no Huambo, na Huíla, no Namibe, no Cunene, no Moxico, na Lunda-Sul, no Kwanza-Norte, no Kuando Kubango e em Malange”. “Esta é a verdade nua e crua”, atesta aquele órgão do partido no poder.