Luanda - Após vários anos a propor, sem sucesso, ao Governo angolano uma solução política para o conflito em Cabinda, a Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) decidiu abandonar a alternativa política e concentrar-se na opção militar. Este realinhamento estratégico é o resultado de uma ofensiva diplomática inédita em curso do movimento independentista, disse à e-Global o porta-voz da FLEC, Jean Claude Nzita.

Fonte: E- Global

“Se a FLEC optou por uma solução militar para a libertação de Cabinda, a inteira responsabilidade desta opção é de João Lourenço”, explicou Jean Claude Nzita, “o presidente angolano sempre menosprezou os cabindas, ignorou todas as nossas propostas e prossegue com uma postura sanguinária belicista, quando, em simultâneo, pretende projectar uma imagem de pacifista e conciliador, tal como tem feito no quadro da presidência da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral) ridicularizando esta organização. João Lourenço não conhece outra via de negociações para além da via belicista”, disse o porta-voz da FLEC.


Segundo Jean Claude Nzita a ofensiva diplomática que a FLEC tem levado a cabo, “já permitiu obter apoios diplomáticos concretos, mas principalmente apoio militar, em equipamento e formação, apoio financeiro, e a garantia da atribuição de bolsas universitárias para jovens civis cabindeses cujas famílias estão solidárias com a FLEC e apoiam os nossos militares”.


Marrocos, Mauritânia, Nigéria, Sudão, Somália, Egipto, Arábia Saudita e Kuwait são alguns dos países que já receberam oficialmente uma delegação da FLEC, composta por quatro elementos, dos quais dois militares, chefiada por Jean Claude Nzita.


“As nossas deslocações são sempre num quadro oficial. Reunimos sempre com as autoridades civis e militares destes países. Em cada deslocação, para além dos compromissos estabelecidos, recebemos formação para quadros políticos mas também formação militar de capacitação no manuseamento de meios que não dispúnhamos até agora”, disse Jean Claude Nzita.


“No término de cada deslocação”, que pode estender-se de uma a três semanas, “elaboramos um relatório, onde constam os compromissos estabelecidos e os resultados obtidos, que é entregue em mão ao presidente [da FLEC] Emmanuel Nzita”, explicou o porta-voz da organização.



Jean Claude Nzita garantiu que os resultados dos compromissos obtidos com os “novos parceiros diplomáticos e políticos” da FLEC, “vão começar já a ser sentidos no terreno” e “vão surpreender as tropas de ocupação angolanas”.

 

Uma das prioridades da FLEC, segundo Jean Claude Nzita, será travar o “aumento das actividades de tráfico e contrabando transfronteiriço, organizado por oficiais angolanos e cidadãos chineses. A FLEC já tem no terreno unidades que vão acabar com estas práticas. Os oficiais militares angolanos estão a traficar tudo em Cabinda, desde madeiras raras a marfim. João Lourenço tem conhecimento, mas fecha os olhos”.

 

“Nestes tráficos já identificamos que os militares angolanos têm vias terrestres informais na fronteira do Congo Kin (RDC) com Cabinda em Yema, assim como, no lado congolês de Mbaka-Kosi e Tshiobo em Cabinda, como também em Zenze-Lukula e Tshimbuandi. Na fronteira de Cabinda com o Congo Brazza já identificamos pontos de passagem junto a Massabi mas também perto de Dolisie e Kimongo”, precisou o porta-voz da FLEC.

 

“O presidente João Lourenço sempre optou pela via militar em Cabinda. A FLEC, durante anos, optara por privilegiar a via política, mantendo uma postura militar apenas defensiva. Com os nossos novos parceiros, decidimos abandonar qualquer solução política, devido a que o presidente angolano João Lourenço impôs-nos a via militar como a única solução. A escalada militar que está para breve em Cabinda é da total responsabilidade de João Lourenço”, concluiu Jean Claude Nzita, porta-voz da FLEC.