Luanda - Pessoas da minha geração já não encontraram cinemas a funcionar como tal e para quem cresceu lá no interior de Angola, pior ainda, falar de matinê ou outra categoria horária de exibição de filmes esquece!

Fonte: Club-k.net

O que muitos podem ter como memória colectiva é sim as salas adaptadas nos mercados informais onde num pequeno televisor se exibia filmes de origem americanas e os cartazes eram colados a entrada do pequeno estabelecimento e ninguém ligava nenhuma as legendas e a história do filme, o que importava mesmo eram as lutas e muitos tiros o resto todos nós podiamos montar com a nossa imaginação e capacidade criativa de entender a língua inglesa que todos nós falavamos a nossa maneira e entendimento.


Agora o que nunca tivemos mesmo são filmes de produção nacional, nem resquícios de um passado nada, nada, nada.


O primeiro filme "nacional" que vi foi Sambizanga de Sarah Maldoror e fiquei fascinado porque percebi que o cinema contado a nossa maneira é de todo mais intenso que toda dramaturgia que já tinha visto... e quando a TPA começou a exibir os seriados " Caminhos da vida" lá na rua todos trocavam as telenovelas brasileiras pelas cenas do Betinho e o seu Avô Pena. Mas o'que sucedeu é que todas estas brilhantes iniciativas sempre terminam sem mesmo terem começado de facto, a danca do recomeço continua e hoje uma nova geração de "aventureiros" se vai impondo na questão de termos filmes feitos a maneira mwangole, mesmo que sejam academicamente criticados, que sejam arrojados, que precisem disto e daquilo como grandes sabichões sempre vêm a público desmotivar Os assaltos em Luanda e seus descendentes a verdade é que a malta quer mesmo ver filmes de produção nacional e so fazendo e fazendo de novo e fazendo constantemente se vai chegar lá na tal industria que muito bem estão a construir os nossos manos na Nigéria.


Mas que não se esqueça que a base do cinema angolano está assente no teatro, é esta classe que vai fornecer e tem fornecido os autores e actores(a), os teimosos e novos estudiosos que se firmam na ousadia de termos hoje já um bocado nas televisões a privada via satélite alguma coisa para se ver a moda mwangole.

Rosário Ngunza

Escritor