Luanda - No final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, havia a urgência de encontrar um espaço adequado para albergar o Povo Judeu que foi vitima do holocausto, perpetrado pelo Partido Nazista Alemão, liderado pelo Adolfo Hitler. O holocausto significa o massacre, o genocídio, a chacina ou a matança de um grande número de seres humanos como aconteceu com os judeus e outras pessoas nos campos de concentração nazis durante a Segunda Guerra Mundial. Nesta referência, os dados históricos indicam que cerca de onze milhões de pessoas foram exterminadas nos campos Nazis, de entre os quais, seis milhões foram judeus.

Fonte: Club-k.net

Em função disso, no rescaldo (1948) da Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos da América, o Reino Unido e a França foram ter com o Doutor António de Oliveira Salazar, o Soberano Português, com um Plano discreto de fundar o Estado Judeu no Território de Benguela, na Província Ultramarina de Angola, sob a jurisdição do Estado Português.


Apesar da pressão enorme exercida sobre Salazar, mas o líder português foi obstinado e categórico em rejeitar o Plano da criação do Estado Judeu em Benguela. Ele afirmava que, Benguela era parte integrante do Território Português, da Província Ultramarina de Angola; e por isso, «nem um palmo de terra» de Angola seria cedido, dizendo: “Não discutimos a Pátria.”


Importa salientar que, a Doutrina do Estado Novo tinha as Colónias Africanas como sendo Províncias Ultramarinas, parte integrante do Território Português, sob a Soberania de Portugal. Isso significa que, as Colónias Africanas não estavam somente ocupadas, colonizadas e oprimidas, mas sim, anexadas a Portugal. Reparemos que, Doutor António de Oliveira Salazar, acima de tudo, foi o Professor Catedrático de Economia Política, Ciências das Finanças e Economia Social da Universidade de Coimbra.
Portanto, Salazar tinha o domínio absoluto do potencial económico e da geopolítico de Angola. Além disso, ele discerniu antecipadamente a intenção subjacente ao Plano dos americanos, que não limitava somente à criação do colonato judeu em Benguela, mas sim, à importância estratégica do Porto do Lobito, do Caminho de Ferro de Benguela, do Planalto Central de Angola, do Território vasto do Moxico, da Zona Diamantífera das Lundas, da Vila Fronteiriça de Teixeira de Sousa, da Província Mineira de Katanga (Congo Belga) e do Copperbelt (Rodesia do Norte).


Esta vasta região estratégica, que abrange o coração de Angola, e que dá acesso ao Interior da África Subsariana, estava conectada directamente ao Porto do Lobito, isto é, ao Território de Benguela, que era o pulmão da economia de Angola, do Congo Belga e da Rodesia do Norte. Aliás, a Estratégia oculta dos Norte-americanos não visava apenas Benguela, mas sim, todo o Território situado a Sul do Rio Cuanza. Por isso, Doutor António de Oliveira Salazar teve a noção exacta da armadilha que estava por detrás da criação do Estado Judeu em Benguela, que fica ao longo do Oceano Atlântico, entre o Porto do Lobito e o Porto do Moçâmedes.
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Ora, a intenção de escrever esta reflexão narrativa não visa entrar em detalhes sobre os meandros da formação do Estado de Israel e as suas implicações, mas sim, de dizer que houve de facto má-fé e preconceito na acomodação dos judeus e na destruição deliberada da Nação Palestina, que é milenar e bíblico.


Pois, historicamente os povos palestinos e hebreus são da mesma origem étnica, da raça semita, oriunda da Península Arábica, tendo-se caminhados pela Mesopotâmia, Síria, Palestina, e depois, por volta do ano 700 a.C., alcançaram a região do Chifre da África, o actual Somália e Etópia (Abissínia). Isso para dizer que, se trata do mesmo povo, mas que, ao longo da história, divergiram-se, tornaram-se inimigos, e ficaram fechados num conflito interminável, que continua até aos dias de hoje.


Logo, neste processo complexo do regresso dos Hebreus à Palestina, a atenção ficou virada para o lado dos Hebreus em detrimento do lado dos Palestinos. Com isso quer dizer que, desde o inicio, em 1948, o povo palestino passou a ser vítima da política das potências ocidentais, sobretudo dos Estados Unidos da América, que assumiu o papel do patrono do Estado de Israel contra a Nação Palestina. Como consequência, o Território da Palestina foi entregue aos Judeus, protegidos pelos EUA, com o potencial militar esmagador.


Nessas circunstâncias, os Judeus, que acabavam de chegar (de diversos países do mundo) na Terra Prometida impuseram-se aos Palestinos, agredindo e ocupando sistematicamente o seu Território. Infelizmente os Palestinos, sem apoio das potências mundiais, perderam as suas Terras, ficando assim apátridas, sem ter eira nem beira. Note-se que, os Palestinos neste momento são refugiados na sua própria Terra.


Além disso, o povo palestino ficou privado de erguer um Estado soberano, de organizar a sua defesa, e de consolidar a sua Nação, que é milenar e bíblico. Nessas condições, o povo palestino ficou alvo mole do povo judeu, que tem a liberdade absoluta de ocupar os territórios palestinos, de afastá-los das suas terras, de oprimi-los e de massacra-los a torto e a direito. Tudo isso tem sido feito ao olhar impávido e sereno das grandes potências mundiais.


Este drama de chacinas que estamos a assistir actualmente, por mais cruel que seja (por ambas partes) é da responsabilidade inteira das grandes potências mundiais, sobretudo dos Estados Unidos da América, que é o patrono do Estado de Israel. O mais grave é de que, os EUA têm estado a inviabilizar todas as Resoluções das Nações Unidas tendentes a formação de dois Estados soberanos para garantir a paz duradoira, a segurança, a integridade, a estabilidade, a liberdade, a justiça, a igualdade, a dignidade e o bem-estar dos dois povos irmãos desavindos.


Em síntese, convinha ressaltar que, o holocausto, perpetrado pelos Nazis foi um acto de barbárie, condenado e condenável, que revolta a consciência do homem, e que, suscitou a solidariedade espontânea e total de todos os povos do mundo a favor do povo hebreu. Em função disso, a Humanidade esperava que um acto deste género jamais seria praticado contra um povo por alguém, seja quem for. Muito menos isso podia ser praticado pelo povo judeu que já sofreu duramente na carne, no espirito e na alma.
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Afinal de contas a racionalidade humana conduz-se à extremidade da irracionalidade. A alma do Homem é um poço de sangue que alimenta a maldade e inspira a violência extrema. Caso isso fosse o contrário, o povo judeu seria o mais pacifico, solidário e altruísta, na sua convivência com os povos irmãos semitas (Assírios, Arameus, Cananeus, Babilônios, Fenícios e Árabes) que lhe rodeiam, com que têm a mesma ancestralidade de sangue e de herança étnico-cultural.


Em referência ao Plano do Colonato Judeu em Benguela, suponhamos que, se Doutor António de Oliveira Salazar abdicasse e cedesse Benguela aos Judeus, o que seria de nós, os povos do Sul do Rio Cuanza, que seriamos os primeiros alvos diretos da expansão e ocupação judeu? Aliás, o Estado Judeu não ficaria apenas por ocupar uma parte de Angola, mas sim, tomaria o Território inteiro. Com certeza, os Nativos deste Território hoje estaríamos na condição dos Nativos das Américas, dos Aborígenes da Austrália ou dos Rohingyas do Mianmar.


Em tudo isso, analisando bem a postura do António de Oliveira Salazar, me faz acreditar no aforismo africano de que, «a maldade e a bondade não são absolutas na alma do ser humano». Porque de facto, os anais da história da Humanidade relevam os processos constantes da conversão do mal no bom, e do bom no mal, e vice-versa.
Por isso, quando deparamos com os fenómenos sociais e da natureza é imperativo que isso seja feito a partir de uma base global e sólida que nos permita distinguir entre os factores positivos e negativos, e assim, fazermos um julgamento equilibrado, justo e objectivo. Além disso, o conflito milenar entre os Judeus e os Palestinos deve-nos lembrar mais uma vez do adágio popular segundo o qual: “Ver o argueiro no olho alheio, e não ver a trave no seu olho.” Que significa, criticar os defeitos alheios, mesmo quando pequenos, e não ver os próprios, mesmo quando são grandes.


Por este facto, nos actos públicos e estatais é preciso que haja prudência e razoabilidade nas relações interpartidárias, interétnicas, inter-raciais e inter-religiosas para não «extremar as diferenças e as rivalidades» com risco de «comprometer eternamente a convivência humana» e o futuro das gerações vindouras.


Luanda, 12 de outubro de 23.