Luanda - Ivã (1530-1584) - Grão-Príncipe de Moscovo até à fundação do Czarado da Rússia - era uma personalidade complexa: culta, inteligente, piedosa e, ao mesmo tempo, paranoica, sádica ao ponto de assistir a sessões de tortura de inimigos do czar por pura vontade e mórbido prazer.

Fonte: Club-k.net

Era adepto da tortura cruel contra todos os que se opunham ao czarismo. Chegou a matar o próprio filho ao atingi-lo com um candelabro na cabeça. Foi por tudo isso que ganhou a alcunha de Ivã, o “Terrível”. Mas isso foi lá na Rússia. Há muitos séculos.

Por cá, temos também um Ivã. Tem Manuel como sobrenome. Mas tratá-lo-ei como Ivã, o “abusador”. Por quê? Porque, à pala do distintivo que ostenta e da pistola que porta na cintura, vive e abusa da generosidade dos cidadãos da província do Bié .

Contrariamente ao Ivã russo, Ivã, o “abusador”, do Bié , é um polícia malformado, bebado, torcionário, semianalfabeto e, provavelmente, um dos mais frios sicários ao Serviço de Investigação Criminal (SIC).

Há dias praticou um acto de humilhação digno de causar inveja aos actos de bestialidade e de brutalidade praticados na Idade Média ou na época da Inquisição, ao tentar transformar a boca de um suspeito em penico ou vaso sanitário para se aliviar de um dos principais mecanismos do corpo para eliminar substâncias desnecessárias e subprodutos do metabolismo: a urina, o xixi!

Dito de outro modo: torturou e obrigou um suspeito a engolir a sua urina com o propósito de fazê-lo confessar um crime. Fê-lo quando ébrio que nem um cacho.

O acto de indescritível crueldade convoca a minha indignação e reprovação. Quem se sente e é filho de boa gente deste País, decerto que sentir-se-á também revoltado. O País não mais pode caucionar actos desta índole. Seja de quem for!

Ora, só uma pessoa cruel é capaz de obrigar a alguém, sob tortura, a “saborear” a sua urina. É a todos os títulos inadmissível infligir uma tortura desta natureza a um compatriota num País independente, que se quer democrático e adepto das liberdades fundamentais dos cidadãos.

Há relatos de que Ivã, o “abusador”, terá, já, sido detido depois de uma denúncia pública sobre o acto por ele praticado. Mas isso não me satisfaz. Não satisfaz o País. Ele deveria ser exposto publicamente ao ponto de os filhos terem vergonha do pai que têm. Deveria ser denunciado ao ponto de a sua consorte sentir-se embaraçada por partilhar o mesmo leito com um mariola que sequer merece o ar que respira. O torcionário deveria ser banido da província do Bié. O seu lugar é numa reserva animal e não numa Sociedade que se quer sã e em paz. O homem é um perigo para sociedade biena.

Ivã, o “abusador”, deve ser expulso das fileiras do SIC. E com ele deveria ser afastado também o director do SIC local, que neste momento deveria, quanto a mim, partilhar a mesma cela que o seu comandando.

Por causa deste repugnante acto de claro e flagrante abuso de poder, ministro do Interior tem a obrigação de dar uma explicação e - sem tergiversações nem eufemismos - pedir desculpas ao País. É o mínimo que se pode fazer pelo cidadão contribuinte e eleitor. A não acontecer, o ministro do Interior deve apresentar a sua carta de demissão ao Titular do Poder Executivo por incapacidade de pôr ordem no seio do SIC e da Polícia Nacional. Repito: ou o ministro do Interior pede desculpas ao País ou demite-se!

Meu juízo (minha cabeça, minha sentença): urge injectar sangue novo nas fileiras do SIC, afastando todos os torcionários e sicários que dele ainda fazem parte. Os agentes do SIC não podem continuar a usar, impunemente, a tortura psico-emocional como forma de amedrontar, humilhar os cidadãos, objectivando arrancar confissões devido à sua “congênita” incapacidade de investigar, primeiro, e deter depois. Os agentes do SIC invertem a ordem: prendem primeiro, investigam depois. Não pode ser! É preciso inverter a ordem das coisas. É preciso parar com isso. Ou se faz isso ou, definitivamente, que se extinga o SIC, de sorte a colocar-se um ponto final ao terrorismo de Estado desencadeado pelo mesmo.