Luanda - O País está expectante em relação ao discurso sobre o Estado da Nação a ser proferido perante os tribunos da República - (i)legítimos representantes do povo -, nos próximos dias, pelo Presidente da República (PR) e Titular do Poder Executivo (TPE).

Fonte: Club-k.net

A Nação estará de olhos e ouvidos atentos ao “relatório de actividades” do PR e TPE. “Fizemos isto, fizemos aquilo” é a cantilena que o País vai ouvir. Sempre foi assim. E desta vez não fugirá à regra.

Pessoalmente, gostaria muito que o discurso sobre o “Estado da Nação” se centrasse nos problemas concretos do País e que afligem sobremaneira os cidadãos-eleitores e contribuintes.

Os cidadãos-eleitores e contribuintes ficariam satisfeitos se o PR e TPE apresentasse, de forma prospectiva, um País que transmitisse esperança, bem-estar social e econômico.

O País político exultaria de alegria se ouvisse do PR e TPE que a falta de água e energia eléctrica não mais será um problema; que a insegurança pública será, daí para frente, coisa do passado.

Os cidadãos-eleitores e contribuintes sentir-se-iam respeitados se ouvissem do PR e TPE que o poder político deixará de interferir na Justiça, manipular e subornar juízes.

O País político sentir-se-ia regozijado se o PR e TPE dissesse que os abusos das autoridades policiais (como torturar e mijar na boca de presos, como aconteceu recentemente, na cidade do Cuito, província do Bié, verbis gratia) têm os dias contados; que a impunidade seria acerrimamente combatida.

Os cidadãos-eleitores e contribuintes dar-se-iam por satisfeitos se o PR e TPE anunciasse o fim do controlo político acérrimo dos órgãos de Comunicação Social do Estado e que os poderes (Executivo, Legislativo e Judicial) passariam a ser escrutinados pela Imprensa. E o ramalhete ficaria composto, neste domínio, se anunciasse a extinção do Ministério da Comunicação Social do organigrama do Executivo.

O País político ficaria menos nervoso se ouvisse o anúncio segundo o qual o problema de saneamento básico seria resolvido, de modo a acabar, de uma vez por todas, com as “doenças de suínos” que matam que se farta em Angola: a malária e a cólera!

A classe trabalhadora manifestaria o seu apreço se recebesse sinais de predisposição do PR e TPE de passar a negociar com os sindicatos dos professores, médicos, enfermeiros, jornalistas e afins.

O País político não caberia em si de contentamento se o PR e TPE prometesse que seria constituída uma instituição que se dedicaria a tapar os buracos e crateras que têm as estradas e autoestradas nacionais.

Os cidadãos-eleitores e contribuintes teriam o sono mais leve se tivessem a garantia de que criança nenhuma mais ficará fora do Sistema de Ensino, que as salas de aulas terão carteiras e que no interior do País elas deixariam de estudar debaixo de frondosas árvores e ao relento.

E para fechar com “chave-ouro”o discurso sobre o Estado da Nação, João Lourenço deveria admitir que, desafortunadamente, a corrupção (também) arrasou o seu consulado e a teoria de que era o “messias” angolano. E por essa razão deveria redimir-se perante todos aqueles que (não) o elegeram para o cargo que ocupa.