Luanda - O 28 de Setembro é, antes de mais, uma data marcante e de profunda reflexão. Enquanto que num dia como hoje, eu chegava ao mundo, coincidentemente, num ano diferente, entretanto, mesmo dia e mês, a 28 de Setembro de 1991, por volta das 21h00, foi brutalmente assassinado Lourenço Pedro Makanga, que era na altura do seu assassinato, a quarta figura da hierarquia política da UNITA, a seguir ao Dr. Savimbi.

Fonte: Club-k.net

O acto hediondo ocorreu em Lombe, à saída da cidade de Malanje, quando o então alto dirigente se deslocava para Luanda, respondendo prontamente a uma 'suposta' chamada feita pelo seu Alto Comandante, através do seu gabinete, uma vez que o presidente tinha a sua chegada triunfal a Luanda e comício marcado para o dia 29 de Setembro daquele ano.

Lourenço Pedro Makanga era um nacionalista e patriota angolano de consciência e convicções bastante profundas; foram essas as palavras do Dr. I. Samakuva, em 2011, dirigindo-se a mim, na ocasião dos preparativos para as eleições internas. O M/V Samakuva acrescentou: 'trabalhamos juntos, lado a lado, por um longo período de tempo na Direção Geral de Logística 'DIGLOG', sendo que mais tarde o teu pai passou a dirigir a área logística do material de guerra.

 

Quando jovem, LP. Makanga ingressou na academia "Escola de Aplicação Militar", em Nova Lisboa (actual prov. do Huambo), onde recebeu treino militar. Pertenceu ao exército português, chegou a furriel, e, desertou do exército português em 1969; na companhia de Avelino Soares, seu companheiro de armas, num percurso de inimagináveis dificuldades sombrias e tortuosas, atravessaram a segunda maior floresta do mundo "Mayombe" e atingiram a famosa Zona Norte de guerrilha, onde se juntaram aos guerrilheiros do MPLA, fazendo parte dos bravos guerrilheiros que a partir daquela zona combatiam o exército português, e, lutavam para a conquista da independência de Angola.

Quando jovem, LP Makanga ingressou na academia 'Escola de Aplicação Militar', em Nova Lisboa (atual província do Huambo), onde recebeu treino militar. Pertenceu ao exército português, chegou a furriel, e desertou do exército português em 1969; na companhia de Avelino Soares, seu companheiro de armas, num percurso de inimagináveis dificuldades sombrias e tortuosas, atravessaram a segunda maior floresta do mundo 'Mayombe' e atingiram a famosa Zona Norte de guerrilha, onde se juntaram aos guerrilheiros do MPLA, fazendo parte dos bravos guerrilheiros que a partir daquela zona combatiam o exército português, e lutavam para a conquista da independência de Angola.

O próprio Almirante Avelino Soares (primeiro Comandante da Marinha de Guerra Angolana), numa entrevista à Revista Marinha, edição n°9, 1° trimestre 2007, conta esse feito na primeira pessoa, conforme imagens e documento aqui anexo.


Avelino Soares, conta que, em choque e em tristeza ouviu pela rádio a notícia sobre o assassinato de LP Makanga, aquele que tinha sido seu companheiro de fuga do exército português, e que esperava vê-lo vivo para se abraçarem e falarem do que depois cada um passou.


LP Makanga permaneceu seis intensos meses no Congo Brazaville ligado ao MPLA, de onde, em meio à perseguição interna e tentativa de assassinato, saiu ileso, abandonou, e partiu para a República Centro-Africana, de onde chegou-lhe uma bolsa de estudos e rumou para a Europa, Suíça.


O resumo da biografia de LP MAKANGA, aqui presente, foi retirado do livro 'The UNITA LEADERSHIP', editado pela Hoover Institution, Stanford libraries, 1990.
Em 1970, José Ndele, o nacionalista que foi primeiro ministro do governo de transição em Angola, por parte da UNITA, seu amigo e companheiro de trincheira, apresentou LP Makanga ao Dr. J. Savimbi, e, em 1971, a partir de Lausanne, Suíça, L.P. Makanga aderiu a UNITA.


Nessa altura, assumiu o cargo de Secretário Geral da SUNITA 'representação da UNITA na Suíça', e mais tarde assumiu a responsabilidade sobre as finanças da organização, como tesoureiro.

Após os seus estudos, em Medicina, deixou Lausanne, Suíça, e seguiu para a Universidade de Lagos, na Nigéria, onde começou uma especialização, lugar onde sofreu outro atentado, tendo escapado ileso. Dentro da orientação e lógica da luta de libertação a partir do interior, junto do povo, regressou a Angola, em 1976, coincidindo a sua chegada ao Huambo com às vésperas do 8 de Fevereiro, o início da Longa Marcha da UNITA para o interior "Maquis".

Enquanto alto dirigente do movimento, serviu com o seu conhecimento técnico, suas habilidades sociais, sua inteligência, e, nos momentos mais sombrios e mais exigentes, serviu também com o seu engenho em prol do avanço da revolução, da conquista e implementação de um Estado Democrático e de Direito em Angola.
Só para termos uma ideia, do quão abrangente e socialmente salutar é o estado democrático e de direito; ainda hoje, volvidos 70 anos de luta e conquista desse ideário em Angola pelos nossos progenitores, de acordo com, o professor Rui Pereira, prefaciando a obra "Educação para a cidadania no século XXI", do professor Hermano Carmo, 2014, a ciência social concluiu que a democracia é o melhor modelo social e político que a humanidade congeminou, colocando a cidadania, a coesão social ao serviço dela, visando o desenvolvimento da sociedade.


Conforme se pode ler no resumo da sua biografia que extraímos do livro 'The UNITA LEADERSHIP', editado pela Hoover Institution, Stanford libraries, 1990; LP Makanga serviu como Comandante militar e alto dirigente político em várias zonas e em diversos anos, tendo-lhe custado ferimento grave em plena frente de combate, quando a coluna em que seguia, preparava-se para receber a coluna de companheiros, comandada pelo então TC. Kandjundu, sobre a ponte do rio Kuiva.


Por confiança na sua capacidade de trabalho e habilidades no campo da Administração Pública, o Comité Permanente da Comissão Política e pelo voto de confiança do próprio Dr. J. Savimbi; LP Makanga foi nomeado a governar a Jamba, sob o título de Presidente da Câmara Municipal da Jamba, conforme se pode ler no documento aqui anexo, "on his Current Position".


E, três anos depois, em 1991, momento em que a UNITA esteve como nunca no seu auge político e militar, e, em circunstâncias mais exigentes e desafiadoras em que o movimento afinava a sua máquina de trabalho visando a derradeira batalha política, iminente com os Acordos de Bicesse; dentre as mais altas e ilustres figuras, então vivas e presentes, novamente, a alta direção do movimento e com o voto de confiança do próprio Dr. Savimbi, confiou a LP Makanga, o cargo e a responsabilidade de Secretário Geral Adjunto do partido; assim, considerado na altura, efectivamente o 4° homem da hierarquia política da UNITA, e, simultaneamente nomeado a dirigir os destinos do partido em Malanje.


Apesar das tarefas e responsabilidades que já pesavam sobre os ombros do então Presidente da Câmara Municipal da Jamba e SG Adjunto de uma UNITA bastante pesada; considerando Malanje uma província desafiadora e crucial, nela, o Dr. Savimbi não queria arriscar outro nome.


Chegado a Malanje, sua terra natal, no ritmo e dinâmica que lhe eram característicos, por dois meses, pôs a máquina política a trabalhar a todo vapor, conquistando terreno onde quer que passasse, até que, no fim do dia 27 de Setembro de 1991, o seu gabinete recebeu uma mensagem de "suposta" convocatória, vinda do gabinete do Alto Comandante, pedindo a sua infalível presença em Luanda, no dia 29, afim de reunir com o presidente Savimbi.


No decurso da viagem, por volta das 21h00 do dia 28 de Setembro de 1991, na zona do Lombe, Malanje, depararam-se com uma barricada na estrada, um enorme tronco de árvore a bloquear a passagem, de repente, homens altamente armados; segundo informações de um dos seguranças sobrevivente, os homens do mal, no local diziam sem rodeios que, o que queriam era tratar com o Makanga que ali estava; uma vez identificado, seguiram-se rajadas de balas incendiárias disparadas contra o dirigente.

Relato muito estranho, de um facto muito confuso e bizarro!


No dia seguinte, o corpo foi encontrado, a notícia foi veiculada a nível nacional e internacional.


Na verdade, aquele era o presságio de queda fatal de todo um processo de paz angolano, que tinha sido conseguido após 16 anos de luta armada intensa, com o custo de inimagináveis sacrifícios, suor e sangue!


Para LP Makanga estava interrompida a caminhada que tinha começado desde Malanje e terminou em Malanje.


As reações não se fizeram esperar.


Dada a gravidade e o impacto desse assassinato, conforme documento aqui anexo, o jornalista de investigação norte-americano Fen Osler Hampson, do United Instituto of Peace Press, em Washington D.C., na sua obra "Nurturing Peace", página 110, cujo prefácio da obra coube ao antigo Secretário de Estado norte americano Chester Crocker, sublinhou o incidente que envolveu o assassinato de LP Makanga, salientando que tratou-se de uma emboscada, e naquilo, as FALA (UNITA) acusaram as FAPLA (MPLA), entretanto, o autor achou estranho o facto do assassinato ter ocorrido numa zona que na altura estava sob controlo das FALA (UNITA). Olhando para a data da ocorrência, e a história militar do país, fica-se a saber que naquela zona os comandantes por parte da UNITA eram os oficiais militares Cor. Apolo Ya Kevela e Brig. Chimuku.
Tomando conhecimento do ocorrido, o então D.G. da UNAVEM (em Angola), após discussão sobre o tema em reunião de serviço, em alinhamento com a troika, considerou que aquele incidente não deveria travar o processo de paz que tinha custado muito, e que não poderia descarrilar.


Conforme documento aqui também anexo, Amnistia Internacional mencionou e documentou esse incidente, e classificou-o de execução sumária de que tinha sido vítima LP Makanga, acusando o MPLA.


Nos corredores da "nossa" política doméstica, na altura do GURN, segundo relatos, certa vez um alto dirigente da UNITA, indagou sobre o assassinato de LP Makanga junto do falecido Mais Velho Wanhenga Xitu, do MPLA, sendo que, esse último, em resposta disse-lhe que o melhor era também questionar e averiguar mesmo bem o "vosso" lado, pois, disse ele, "desde os tempos da luta para a independência, nós conhecíamos as valências daquele homem, e, não seria morto assim, naquelas circunstâncias, tão rapidamente em tempo de paz declarada".


O mais velho Wanhenga Xitu falou da entrevista que LP Makanga tinha dado à rádio em Brazzaville, no programa Angola Combatente, após a deserção da tropa portuguesa.


Lembrou do detalhe em que Makanga pisoteou a boina que fazia parte do fardamento da tropa portuguesa, dizendo que não queria mais aquilo, que iria lutar contra aquele sistema colonial até à libertação do país "a independência"!


Noutra ocasião, estive eu próprio em Malanje, em julho de 2012, em véspera das eleições gerais ocorridas naquele ano, e, na companhia de um primo-irmão meu, estávamos sentados numa esplanada onde surpreendentemente estavam sentados homens trajados à MPLA e outros trajados à UNITA, no mesmo espaço de convívio; quando de repente entrou um homem alto, forte e escuro. O meu primo disse-me imediatamente, olha, é esse... é esse um dos homens que, naquela altura, COMANDO que era, andou com o pai, fez parte da equipa de segurança, naquela viagem que, para o pai, só foi de ida.


Então, o meu mano chamou-lhe imediatamente: ó, fulano, faz favor, dá-nos uns minutos: está ver este aqui, é filho do Mais Velho LP Makanga, meu tio; e, já agora, o que é que te apraz dizer sobre o que aconteceu naquele viagem em que vocês que tinha a missão de protegê-lo, regressaram e estão aqui vivos, mas ele ficou no terreno, assassinado!

Está aqui, fala com o jovem.


O homem, que me parecia meio constrangido, tinha a atenção de todos que estavam na esplanada; tanto os de um como os do outro lado, pois, o meu primo lhe tinha questionado em volume de voz bastante audível.


O homem olhou-me rapidamente, e, falou mais para todos do que para mim, e disse-me: meu irmão, eu só consegui sair daquela emboscada porque eu sou africano, sim, sou um guerreiro africano preparado.


De resto, não me lembro de mais nada de importante que me tivesse dito. Contra aquela resposta, soaram vários murmúrios dos presentes, e, de ambos os lados. Contra aquela explicação do guerreiro africano, outras palavras em kimbundu começaram a ser soltas pelos presentes, em forma de piadas e descrédito.

E, dali saímos...


Voltando no tempo, em 1990 LP Makanga tinha sido submetido a uma cirurgia no hospital central da Jamba, que ele próprio tinha estado à frente da edificação da estrutura, enquanto governante.


Nessa ocasião, sob efeito da anestesia geral que tinha apanhado, à medida que ia recuperando, e ainda sob efeito anestésico, foi falando muita política. Falou sobre as invejas e as perseguições internas (coisa de que ele tinha sido vítima 8 anos atrás), e sobre algumas acções infundadas. Numa previsão acertada, falou sobre o que muito possivelmente aconteceria ao partido, uma vez chegando às cidades, caso internamente não houvesse coesão efectiva e proteção mútua, sendo que o partido ainda não tinha alcançado o maior objectivo; o bom nisso, é que, a meio desse delírio "delirando", manifestou o seu apoio total a causa e ao presidente Savimbi; aquilo foi uma prova de uma convicção que se alojava e vinha até do subconsciente, e, bem provavelmente, chegou a mesa da BRINDE e da alta direcção.


Enquanto aquilo se passava, as visitas ao quarto onde estava internado não paravam; dentre os oficiais que vinham e iam, estava o oficial da presidência que, de 4 em 4 horas aparecia, procurando saber da sua evolução, pois, tinha orientação do gabinete do Alto Comandante que estava preocupado e queria estar informado do seu estado de evolução.


O outro era um homem da BRINDE, que, discretamente, rondava o local e transportava consigo um rádio-gravador. Esse aí tinha sido imediatamente detectado por um dos seguranças do pai, que também estava no local e em prontidão; o segurança era o mano Jamba, um homem muito disciplinado e leal ao pai, que, apercebendo-se da presença daquele agente da segurança, foi logo ter com a nossa mãe, que também estava lá de plantão, e o segurança, dirigindo-se discretamente a nossa mãe, disse-lhe em umbundu: tia, aquele aí é um "daqueles", por isso, enquanto o nosso Mais Velho estiver nessa condição, a tia fica mesmo aí na sala ao lado da porta do quarto onde o nosso pai está acamado e, não aceita sair daí. Foi o que a nossa mãe fez.
Felizmente, a recuperação foi boa e aquele momento ficou para atrás.


As revoluções em várias partes do globo, tiveram e terão sempre dessas coisas.

Lembro-me do rapper Azagaia, quando num dos seus temas musicais, dizia: "A revolução não é um mar de rosas, a revolução não foi feita só com canções e vivas, houve também traições, torturas e versões escondidas". Aquilo às vezes, é uma vivência necessária e obrigatória; é uma escola prática e penosa; é um aprendizado!
À semelhança do que aconteceu com o Mais Velho Samuel Chiwale, uma figura histórica incontornável da UNITA, e da recente história político-militar angolana; também aconteceu exactamente com LP Makanga.


O general S. Chiwale conta detalhadamente no seu livro "Cruzei-me com a história", da Sextante Editora, páginas 259 à 268, um momento altamente sombrio e humilhante pelo qual passou, por conta de invejas e perseguições internas implacáveis de que foi alvo. Só de ler, dá-nos calafrios, angústia e revolta; imaginemos os que viveram aquilo na pele?!


O período de 1982 a 1984 foi horrendo para muitos dos históricos e altos dirigentes da UNITA, no seio do movimento.


Nessa altura, LP Makanga tinha sido envolvido no mesmo embrulho, e exactamente sob a mesma acusação "suposta participação numa intentona (golpe de estado) contra o presidente" que de igual modo pesava sobre Samuel Chiwale [Cruzei-me com a história, pág. 259 a 268].


O modus operandi era quase o mesmo ,e, num determinado dia, a meio do 1° semestre do ano de 1982, LP Makanga foi preso pela BRINDE. A inveja, perseguição e ódio dos aversos aos intelectuais estava a corroer o tecido interno do movimento.


Após despromoção, e prisão por meses, tudo estava aposto para a sua execução; entretanto, havia um detalhe; o próprio Dr.J. Savimbi não tinha conhecimento de que a BRINDE já tinha decidido liquidar o homem. A sorte de LP Makanga foi que alguém influente naquele meio, enviou rapidamente uma mensagem ao gabinete do Alto Comandante, sobre o que estava para ocorrer; sendo que o mesmo encontrava-se distante e em digressão.


A outra sorte, foi a imediata resposta vinda do gabinete do A/C dizendo que o Velho disse que quer encontrar o homem e falar com ele pessoalmente. E disse mais, haveria problemas sérios se algo pior acontecer com aquele homem!


Mensagem chegou a tempo à BRINDE, e não aconteceu o pior a LP Makanga.


O Dr. Savimbi chegou a questioná-lo, falaram pessoalmente e no final, aconselhou-o a ter muita cautela com a oratória, com os dizeres, com os discursos, pois, "muita da nossa gente" tinha um sentido de interpretação inverso, sobretudo os fracos e invejosos estariam sempre à espera da primeira oportunidade.


Há relatos de que, após àqueles incidentes, o Dr. J. Savimbi também chamou a atenção aos oficiais da BRINDE por conta de excessos, que, em alguns casos eram notórios.

Também, conforme lhe era característico, dizem ter profetizado o seguinte: "Esse é o homem que vai nos levar a conquistar Malanje, enquanto pólis; se esse homem desaparece agora a UNITA terá sérias dificuldades de se estabelecer em Malanje"!


Ao que mais tarde se apurou, a intervenção e acompanhamento da situação por parte de alguns Mais Velhos influentes foi de vitalícia importância. Quando ficou claro que LP Makanga iria ficar livre, dois homens Mais velhos visitaram a nossa mãe, que tinha acabado de dar a luz a um bebê (rapaz), os visitantes eram seus tios directos. Relataram-lhe da situação do esposo e asseguraram-lhe que dentro em breve estaria com ele. Procuraram saber do nome do recém nascido, em resposta disse-lhes a mãe: este é o nome do pai dele, meu sogro, o meu marido deixou o nome antes de se ausentar. Em resposta, os mais velhos disseram-lhe em tom de recomendação e ordem: "vais trocar o nome do bebê, como reconhecimento àquele que enfrentou e travou aqueles que queriam a vida do teu senhor"!

Este bebê vai se chamar Loth Malheiro...

E assim, se cumpriu.

A nossa mãe é do Bié, do município do Kwemba, esse município é que alberga a comuna do Munhango, onde nasceu o Dr. Savimbi.


Os Kanguende [Kangende] de quem a nossa mãe é filha e os Katchequele [Kacekele] avô materno do Dr. Savimbi eram parentes próximos. Naquela zona centro-sul, sudeste e leste de Angola, os Kanguende tiveram um papel preponderante e participaram activamente no acolhimento e proteção do Dr. Savimbi nos seus primeiros anos de organização e actividade política, em meio a perseguição intensa da PIDE.


Relata-se que a primeira bandeira da UNITA em tecido foi costurada por um dos velhos Kanguende dentre o Royal e o Frederico, que eram os sogros de LP Makanga.


Portanto, esse factor pode ter ajudado, pois naquela cabala, os lobos queriam a todo custo a vida de LP Makanga.

LP Makanga recuperou-se daquilo, enfrentou internamente os seus detratores, e, os detratores e destruidores da causa que até era sagrada, são mesmo esses mencionados em "Cruzei-me com a história" de S. Chiwale, pág. 258-269, e também mencionados por Jardo Mwekalia em "Angola, a segunda revolução", pág.188, em que, por conta do seu trabalho de melhorias, reformas e avanço no CADIS extinta BRINDE, Jardo Mwekalia começou a receber "indirectas" recados sorrateiros "ameaças" de que estava a andar muito depressa" olhando para aquelas circunstâncias e fenômeno, J. Mwekalia citou Michael Hesaltine, o então ministro da Defesa de Margareth Thatcher, que em circunstâncias semelhantes, o mesmo tinha sido acusado de ter estado a andar muito depressa e de ter ido longe demais, em resposta a aquilo, Michael Hesaltine tinha dito que: "há gente que não quer ir a lado algum, mesmo devagar". Eram coisas de gente como o tenente Sangue, também descrito por Jardo Mwekalia, ibidem, pag. 64 e 65.

Após a "travessia ao deserto", LP Makanga voltou à carga, provou àquele meio que ele era competente, sendo que, depois de muita labuta, 4 anos foi promovido a coronel e por mérito foi chamado a comandar administrativamente a Jamba.
{De resto, estará no livro a ser publicado}.

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Para os mais "open mind" daquele momento, o assassinato de LP Makanga naquelas condições e circunstâncias, foi sinal de que o sistema interno de proteção aos altos dirigentes tinha falhado enormemente; o ciúme, as possíveis invejas tinham se sobreposto a vigilância e a proteção mútua; e, a consequência daquela tragédia foi sentida exactamente um ano depois; pois, as primeiras eleições gerais em Angola estavam a decorrer a 29 e 30 de Setembro de 1992, sendo que, exactamente mais um mês depois (entre os dias 29 de Outubro e 03 de Novembro, outros altos dirigentes da UNITA estavam a ser assassinados em massa. Estava instalado o caos!
O livro há de sair...

Por: LP Makanga Jr.

28 de Setembro 2023