Luanda - "Ponto prévio: Após uma conversa com um oficial superior das FAA que passou recentemente à reforma, achei por bem dizer alguma coisa."

Fonte: Club-k.net

Não é justo mandar para casa um Oficial Superior nas condições em que os nossos bravos guerreiros militares das FAA estão a ser sujeitos. Trabalhar para a Pátria durante todo o período de guerra e ir para a reforma apenas com o salário, NÃO É JUSTO. É INADMISSÍVEL. HÁ QUE SE REVER ISTO. Os Militares merecem um pouco de respeito. E o respeito passa, também, pela forma como são tratados depois da brilhante tarefa de defender a Pátria. Quem chegou até às FAA, e tem mais de 30 anos de serviço, merece um tratamento especial, tal como têm várias individualidades políticas.

Quem viveu a guerra na primeira pessoa e sentiu os seus efeitos na pele e na alma não pode se calar nem ficar quietinho no seu canto sem dizer nada diante de uma tremenda injustiça e malvada insensibilidade dos homens. Todos os bravos combatentes da liberdade, independentemente da barricada a que pertenciam, todos eles lutaram por Angola. É deles que nasceram as FAA – Forças Armadas Angolanas. São eles que cumprem com zelo e dedicação as missões da defesa da soberania. Todos eles estão às ordens e devem obediência ao Comandante-Em-Chefe. (O Presidente da República tem a Faca e o Queijo na mão. Dele depende, em grande parte, a resolução desse grave dilema.)

É realmente lamentável, boa parte dos militares queimou a juventude na luta, muitos deles desde 1975, e sobreviveram às várias guerras. Eles são os verdadeiros heróis da Nação, por isso, nenhum deles deveria sair das FAA de mãos a abanar. Que se criem condições mínimas para esses combatentes que dedicaram mais de quarenta anos das suas vidas na defesa da Pátria. Eles merecem um outro tratamento. Não podem ser tratados de qualquer maneira.

Um deputado do povo que cumpre um mandato de cinco anos é agraciado com o subsídio de instalação de 22.667.625,00kz(vinte e dois milhões, seiscentos e sessenta e sete mil, seiscentos e vinte e cinco kwanzas), e mais o subsídio de fim de mandato de 24.501.184,00kz(vinte e quatro milhões, quinhentos e um mil, cento e oitenta e quatro kwanzas) – significando um encaixe de 47.168.809, 00 kz(quarenta e sete milhões, cento e sessenta e oito mil, oitocentos e nove kwanzas). Esses milhões que o estado oferece a uma única pessoa equivalem a mil, quatrocentos e sessenta e cinco salários mínimos.

Ora bem, se o País tem disponibilidade financeira para dar isto tudo há uns,
por que não atribuir aos Oficiais Superiores das FAA e da Polícia Nacional um montante igual, que lhes permitiria começar uma nova vida digna fora da farda e longe dos quartéis? (Por isso, muitos não querem ir para a reforma. Há um ex-Comandante Geral da Polícia Nacional que lamentou amargamente sobre isto. Não sei se foi ouvido!)

Se o dinheiro é insuficiente, e apenas chega para dar aos governantes, magistrados, deputados e PCAs de empresas públicas - sugere-se que, para os militares, dever-se-ia atribuir um Crédito Bonificado, a ser reembolsado com os rendimentos dos negócios que cada um for a montar. Isto é possível ser feito! E se for feito, estaríamos a combater a pobreza; seria uma forma de criar emprego e de distribuir melhor a renda nacional.

O país é de todos! As riquezas são para todos! Por que uns têm direitos a quase tudo, e outros não? Se não dá para todos, digam! Mas aqueles que mais se bateram na defesa da Pátria deveriam ser sempre a prioridade. Justiça seja feita. Os nossos deputados deveriam trabalhar nisto e unirem-se, todos eles, para que os militares e os polícias pudessem passar a ir para casa com maior dignidade.

Os militares deram muito cabedal e continuam a dar em missões Internacionais de manutenção da paz, a exemplo das missões na Guiné Bissau, no Congo Kinshasa e em Moçambique, para além de exercícios militares conjuntos da SADC. Tudo isso deveria pesar um pouco na hora de dizer adeus a esses bravos filhos de Angola.

O Presidente JLo, sendo um ex-combatente, não deveria permitir que os homens do gatilho acabassem mal em tempo de paz.

Luanda, 28 de Outubro de 2023
Gerson Prata