Luanda - Maricel Capama é “afilhada à espanhola” de João Baptista Kussumua. Foi, em parte, por sua “culpa” e “grandessíssima culpa” que ela terá galgado os degraus necessários no partido no poder, até ser alçada ao cargo de secretária do Bureau Político do MPLA para a Política Social.

Fonte: Club-k.net

Foi nesta condição que, na última quinta-feira, 27, afirmou que o partido no poder tinha assumido o compromisso de tudo fazer para reverter a actual crise social do País, na sequência da permanente perda do poder de compra das famílias.

Dito de outro modo: Maricel Capama disse, por outras palavras, em nome da direção do partido no poder, que o MPLA é uma “eterna criança”que não soube amadurecer no que à arte da governação diz respeito.

Foi, na verdade, uma espécie de “mea culpa” para pedir, sequentemente, mais paciência ao povo heróico e generoso, até o MPLA conseguir acertar o passo no que respeita à governação.

O MPLA assumiu a governação de Angola há já quase meio século e nunca acertou o passo. Há aproximadamente cinquenta anos que o MPLA procura alcançar o firmamento e consequentemente as estrelas da governação.

Mais grave: coloca gente sem experiência política, laboral e patriótica no Executivo. O País não é um polígono de tiro e os cidadãos não são cobaias para fazer deles “experimentos” da governação de gente que se estreia no mercado de trabalho como Servidor Público no aparelho do Estado ou do Governo.

A fala de Maricel Capama confirma a cegueira da visão holística de quem governa e a falta de consideração pelos cidadãos e o descaso pelo País.

Era eu bambino e do “MPLA-Pioneiro” quando, na década 80, prometiam que em “2000 (haveria) Saúde para Todos”. Não aconteceu!

Andava eu a gritar a plenos pulmões nas actividades do MPLA, em Luanda, “Arrastou comandou/arrastou comandou/Bate o Pé Esquerdo/Bate o Pé Esquerdo/“, quando ouvia a promessa segundo a qual “O Mais Importante É Resolver era Os Problemas do Povo (sic!)”. Nunca resolveram!

Hoje, quase meio século depois, vejo que o mais importante é resolver os problemas de alguns dirigentes e de quem gravita na órbita do poder.

O povo, este, que se vire, enquanto vai vivendo entre a sua legítima razão e as falsas e idosas esperanças de quem faz que governa.