Luanda - A UNITA, durante largos anos, agitou a crista e levantou muita poeira ao abanar as suas asas por, alegadamente, lhe ser sistematicamente denegado o direito de informar e de se informar por meio dos órgãos de Comunicação Social públicos.

Fonte: Club-k.net

Era assim (e presumo que ainda seja) o Galo Negro a bater-se desalmadamente por um Direito ínsito no estatuto jurídico-político vigente na República de Angola, que, em bom rigor, e com o tácito patrocínio do Tribunal Constitucional, nunca teve eficácia debaixo do nosso sol político.

Os queixumes da UNITA amainaram ligeiramente com o advento das redes sociais que - com toda irresponsabilidade que nela grassa - tem servido de alternativa aos órgãos de Comunicação Social públicos convencionais e influenciado sobremaneira a Opinião Pública.

As redes sociais têm hoje, indubitavelmente, um papel de primacial importância na luta de ideias. A UNITA deveria saber tirar partido delas com afinco e responsabilidade. Mas não o faz.

A UNITA não sabe “cantar de galo” como deve ser nas redes sociais. Por mais incrível que possa parecer. Não tem a garganta e voz afinadas por falta de mestria e de visão estratégica. Do mesmo jeito que explora de forma sofrível e pouco profissional um instrumento estratégico de luta política muito importante: a sua emissora de rádio (detalhe: em Angola apenas dois partidos são detentoras de emissoras , o MPLA e a UNITA).

A UNITA (ao que tudo indica) ainda está para compreender o papel que as redes sociais têm na dinâmica da formação de opiniões cívico-políticas no mundo hodierno.

Incompreendo, por exemplo, o facto de vários militantes da UNITA estarem nas redes sociais e não tirarem partido cabal e responsável das mesmas. Eles ficam quedos e mudos nas redes sociais. Observam tudo. Não intervêm. Não debitam opinião. Pelo contrário. Ficam a tomar notas das ideias de quem intervém como se estivessem a frequentar um curso, ministrado pelos desavindos com o MPLA e não só, sobre a situação social e política do País.

Os militantes da UNITA nas redes sociais não questionam, não analisam questões pertinentes que afligem o País, deixando alguns membros da Sociedade Civil tomarem a dianteira neste domínio. Não demonstram senso crítico, objetivando buscar a verdade questionando responsavelmente a governação e propondo alternativas.

As farpas que a UNITA atira contra o MPLA nas suas conferências de Imprensa e outros eventos por si realizadas podem até arrancar aplausos nas “rodas de botequim”, mas dificilmente conseguirão convencer um eleitor politicamente (bem) esclarecido.

Não conheço o “pensamento estratégico” da UNITA para Angola, que me permita olhar para o presente, perspetivando um melhor porvir para os angolanos. Tal como eu, acredito que boa parte do País também desconhece. Desta forma, sou obrigado a concluir que a esperança an actual alternativa política actual está (quase )com um pé na cova.

O mais emblemático integrante dos Beatles já dizia:“ É uma falta de responsabilidade esperarmos que alguém faça as coisas por nós”. Pois, tinha ele toda (e mais alguma) razão!