Luanda - A TV Girassol censurou a entrevista do segundo comandante da Força Aérea Nacional Emmanuel (Nando) Russo. Deve-nos um pedido de desculpas. Fez-nos conjugar o Verbo Esperar no Presente do Indicativo. Fez-nos fazer pipocas para assistirmos a entrevista de perfil de Emmanuel (Nando) Russo. Estava para ser emitida no pretérito sábado. Não foi. Terá sido censurada por “Ordens Superiores”. Uma falta de respeito! Só espero que o homem, agora, não venha a ser proscrito do cargo que ocupa na Força Aérea Nacional por ter optado por chorar com os “olhos secos”.

Fonte: Club-k.net

A TV Girassol deveria ter a decência cívica de pedir desculpas ao censurado. Ao País e ao mundo também. Deveria dizer a estação não é propriamente um “jardim celeste” onde se possa falar do País real. Era o mínimo que poderia fazer por respeito ao cidadão-contribuinte e eleitor. A TV Girassol anunciou nas redes sociais e não só o “teaser” da entrevista em que o Emmanuel (Nando) Russo lamenta pela actual situação social e econômica de Angola. Para completar o ramalhete, o entrevistado chora. Lagrima. Seca os olhos com um guardanapo de papel e desabafa: “não foi para isso que nós lutamos”. Pois não!


O desabafo não é de um roboteiro. Não é de um activista de Direitos Humanos ou de um membro de um partido político na oposição. É do segundo comandante da Força Aérea Nacional. Um Oficial Superior de um ramo especializado das Forças Armadas condecorado. Um desportista reconhecido. Foi um acto de inaudita coragem. Emmanuel (Nando) Russo manifestou a sua desilusão. Fez o que muitos seus “camaradas de armas” pensam em silêncio. Um silêncio que representa a mais alta expressão da cobardia dos generais e políticos angolanos.


Emmanuel (Nando) Russo chorou porque o esforço que ele e muitos anônimos engajaram na guerra que terminou em 2002 não se reflete, hoje, na situação social e econômica do País. Não é todos os dias que se vê um brigadeiro a chorar “baba e ranho” e a dizer - por outras palavras - que o País nunca passou por penúria igual a que está a passar de 2017 para cá. Foi comovente! O choro censurado de Emmanuel (Nando) Russo transmite uma sensação de impotência e frustração. Não é apenas dele. Mas sim da maior parte dos angolanos. O brigadeiro censurado amplificou uma realidade do País que é sobejamente conhecida, mas que a maioria tem medo de pinta-la tal como ela é: crise econômica, altos índices de desemprego, inflação e falta de oportunidades.


A TV Girassol sequer deu-se ao trabalho de dizer ao País e ao mundo porque razão é que não emitiu a entrevista de Emmanuel (Nando) Russo. Tenho para mim que houve receio de que as declarações do segundo comandante da Força Aérea Nacional fossem causar instabilidade política. Incitar à desordem pública ou enfraquecer a moral de todos aqueles que, no passado, deram o “corpo ao manifesto” para que o País deixasse de estar a ferro e fogo. É isso que tenho para mim!


Emmanuel (Nando) Russo merece - nesta hora de desilusão e perplexidade - uma “pergunta-consolação” cantarolada (à minha maneira): “Fui ao jardim da Celeste/girassol/girofla/fui ao jardim da Celeste/girassol/giroflá//O que foste lá fazer? girassol / giroflá/O que foste lá fazer//“.