Luanda – O Comité Político do Movimento do Protectorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT) reiterou o seu compromisso com a via do diálogo pacífico para a resolução da questão da Autonomia da Lunda, no final da sua primeira reunião ordinária de 2026, realizada nos dias 9 e 10 de Janeiro, em Luanda, sob orientação do presidente do movimento, José Mateus Zecamtchima.

Fonte: Club-k.net

Num comunicado divulgado após o encontro, o MPPLT sublinha que, passados mais de 20 anos desde a sua criação, mantém a sua aposta numa solução negociada com as autoridades do Governo da República de Angola, reafirmando o carácter pacífico da sua luta política.

O Comité Político denunciou ainda a grave situação social e económica vivida pela população Lunda Tchokwe, referindo níveis de desemprego estimados em cerca de 90%, pobreza extrema generalizada, falta de justiça social, limitações no acesso à alimentação básica, medicamentos, cuidados de saúde e educação de qualidade, bem como condições de trabalho consideradas precárias para os professores. Segundo o movimento, este quadro contribui para a dependência e para a degradação da dignidade das comunidades locais.

Para o MPPLT, o ano de 2026 deve ser marcado pela paz, reconciliação, unidade e solidariedade. No comunicado, o movimento invoca valores éticos universais inspirados em princípios cristãos, como o perdão, o arrependimento e a rejeição da violência e da vingança, defendendo uma luta assente na dignidade humana e no respeito pela diversidade, com vista ao desenvolvimento harmonioso de Angola.

O Comité Político apelou aos deputados da Assembleia Nacional, aos partidos políticos com assento parlamentar e extraparlamentar, à Igreja angolana, à imprensa nacional e internacional e a outras forças políticas e sociais para uma abertura a um debate nacional inclusivo e transparente sobre a Autonomia da Lunda.

No plano organizativo, a reunião autorizou a liderança do movimento a avançar com alianças, coligações e filiações em organizações e organismos internacionais, bem como com outras forças políticas nacionais que se mostrem favoráveis à causa da Autonomia da Lunda, nos termos dos estatutos do MPPLT.

O comunicado inclui também um apelo às organizações nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos para que acompanhem a situação de cerca de 190 activistas cívicos detidos na Lunda, acusados e condenados por crimes de rebelião. O movimento solicita igualmente o envolvimento de advogados para a revisão judicial dos processos, com vista à libertação dos referidos activistas.

O MPPLT anunciou ainda que o dia 30 de Janeiro será dedicado à reflexão e homenagem às 106 vítimas do massacre de Cafunfo, na província da Lunda Norte, recordando que o processo judicial relativo às indemnizações às famílias das vítimas se encontra parado desde 2023.

O movimento reiterou que a sua principal reivindicação continua a ser a Autonomia da Lunda, um processo que, segundo o comunicado, está sob tutela do Governo angolano desde 2006, sem resposta concreta, apesar de apelos da comunidade internacional, da sociedade civil, da Igreja e das autoridades tradicionais.

Por fim, o Comité Político rejeitou alegações de que o movimento promova instabilidade militar, afirmando não dispor de qualquer força armada. O MPPLT apelou ao envolvimento directo do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, no sentido de promover um diálogo político que conduza a uma solução pacífica para a questão da Autonomia da Lunda.