Luanda - Recentemente, Donald Trump publicou na sua plataforma Truth Social que Cuba tem de chegar a um acordo com os Estados Unidos antes que seja tarde demais, caso contrário enfrentará consequências.

Fonte: Club-k.net

No entanto, Donald Trump não especificou quais seriam essas consequências políticas, militares ou diplomáticas, tendo avançado apenas com referências a possíveis consequências económicas, ao afirmar que não haverá mais petróleo nem apoio financeiro da Venezuela para Cuba. A declaração recorre a uma linguagem de ultimato e de coerção diplomática, como tem sido apanágio da política externa dos Estados Unidos.

No âmbito das Relações Internacionais, este tipo de discurso é subentendido como uma ameaça implícita, dando lugar a especulações e deduções sobre eventuais desenvolvimentos futuros, resultantes da sua ríspida retórica política.

O comentário sugestivo de Donald Trump, segundo o qual o seu secretário de Estado, Marco Rubio, poderia vir a ser presidente de Cuba, é revelador de uma retórica política intervencionista e pode ser interpretado como um sinal de pressão e ingerência, embora não constitua prova inequívoca da existência de um plano iminente por parte dos Estados Unidos.

Em resposta, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que Cuba é um país soberano e que ninguém lhe dita o que deve fazer, rejeitando quaisquer ameaças e declarando que o país está pronto para defender a pátria. A declaração surge na sequência da assinatura de um comunicado oficial dirigido ao povo cubano, a 10 de janeiro de 2026.

Estas declarações surgem num momento de tensão na região, na sequência de uma operação militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do seu líder Nicolás Maduro, aliado histórico de Cuba e na morte de seguranças cubanos.

Para uma melhor compreensão do conflito entre os Estados Unidos da América e Cuba, é necessário proceder um enquadramento histórico que permita identificar as suas raízes políticas, económicas e ideológicas.

Cuba foi colónia espanhola por mais de quatro séculos, desde o final do século XV até 1898.

A independência cubana surge na sequência da Guerra Hispano-Americana, conflito no qual os Estados Unidos derrotaram a Espanha e assumiram um papel determinante no destino da ilha; Embora Cuba tenha alcançado formalmente a independência em 1902, cuba ficou condicionada pela forte influência norte-americana.

Essa influência ficou juridicamente consagrada na Emenda Platt 1901, imposta pelos Estados Unidos como condição para a retirada das suas tropas; A emenda concedia a Washington o direito de intervir nos assuntos internos cubanos sempre que considerasse os seus interesses ameaçados, limitava a política externa de Cuba e permitia a manutenção de bases militares norte-americanas como a de Guantánamo; Na prática, Cuba tornou-se um protetorado informal dos Estados Unidos.

Durante a primeira metade do século XX, a economia cubana ficou profundamente dependente dos Estados Unidos, com vastos sectores, como a indústria açucareira, a banca e as infraestruturas, controlados por capitais norte-americanos.

Politicamente, Washington apoiou regimes favoráveis aos seus interesses, incluindo o de Fulgêncio Batista, cujo governo autoritário de 1952-1959 se caracterizou pela repressão, corrupção e profundas desigualdades sociais.

A Revolução Cubana de 1959, liderada por Fidel Castro, representou uma rutura com esta ordem. A nacionalização de empresas estrangeiras, muitas delas norte-americanas, e a adoção de um modelo socialista levaram ao rápido deteriorar das relações entre Havana e Washington.

Em resposta, os Estados Unidos tentaram retomar Cuba por via militar em 1961, através da invasão da Baía dos Porcos e da Operação Mangosta. Ambas as tentativas falharam, os EUA passaram a encarar Cuba como uma ameaça ideológica. Por consequência, impuseram um embargo económico, político e financeiro que se mantém até aos dias de hoje, relegando o povo cubano para condições deploráveis.

Este embargo tornou-se o principal instrumento da política externa norte-americana em relação a Cuba, com o objetivo declarado de pressionar o regime a promover mudanças políticas internas.

O conflito acabou por transformar-se num dos antagonismos mais duradouros das relações internacionais contemporâneas.

Resumindo, a melhor solução para Cuba não é ideológica, mas sim pragmática, centrada na vida concreta do povo cubano, na preservação da soberania nacional, na reforma do socialismo, na abertura económica e num diálogo franco com os Estados Unidos da América, priorizando sempre o bem-estar social da população, de forma a que cada pessoa possa viver do seu trabalho.

Portugal aos 15/01/26

AVELINO METI