Johanesburgo - No dia 14 de outubro de 1998, as autoridades angolanas evacuaram para África do Sul, o então Vice-Chefe de Estado Maior das FAA, Arlindo Chenda Isaac Pena, acompanhado de uma das suas esposas Mavilde Pena. O general fora evacuado depois de ter andado a ser assistido no posto de saúde do exercito que lhe atribuía paludismo. Ainda com alguma força, este oficial que ao tempo da guerrilha da UNITA passou a ser apelidado por “Ben Ben” em homenagem ao líder revolucionário argelino, Ahmed Ben Bella, entrou para as coordenadas das  comunicações externas  da guerrilha centrada em Abidjan para passar a mensagem que tinha pouco tempo de vida. Também as autoridades sul africanas telefonaram para o então SG da UNITA, general Lukamba Paulo “Gato” para que este comunicasse a Savimbi que tinham consigo o seu sobrinho e que iria morrer por ter sido alvo de uma contaminação microbiológica. Cinco dias depois o General “Ben Ben” não resistiu acabando por falecer numa clinica em Joanesburgo por alegada “paralisia renal e problemas pancreáticos.“

Fonte: Club-k.net

Com a morte de “Ben” e a partir das matas, o tio Jonas Savimbi orientou que os seus restos mortais não fossem repatriados para Luanda, contrariando, assim, a uma vontade do então Governo de Eduardo dos Santos que reclamava o envio do corpo a Angola para se prestar a devida homenagem militar ao malogrado general conforme regras das FAA, quando se perde uma alta patente. As duas partes (Governo e UNITA) que se guerreavam nas matas de Angola, transportariam o seu “combate” para os tribunais sul africanos.


A viúva Matilde Pena foi orientada pela UNITA para representar a parte familiar no sentido de se opor a trasladação dos restos mortais para Luanda. Matilde estava sob pressão das duas partes (Luanda e Bailundo, onde estava Savimbi). A mesma não teve outra saída se não mudar de hotel e ter uma delegação de generais do regime que estavam em Pretória, desprovidos de contacto.

O governo angolano, por sua vez, intercedeu junto do Tribunal Sul Africano dizendo que “Ben Ben” não tinha uma única esposa, pelo que havia uma outra, senhora “Maximissa”, que também tinha uma palavra a dizer. “Maximissa” era na altura uma jovem do Huambo, que se dizia oriunda da JMPLA, que o general “Ben Ben”, conhecera, no planalto central, quando a UNITA regressou às cidades depois da assinatura dos acordos de paz de bicesse e que o falecido levou a Luanda quando foi tomar posse como Vice-Chefe de Estado Maior das FAA.

 

 

Em tribunal, a batalha seria agora dois contra um. De um lado o Governo de Angola e a esposa Maximissa, e do outro lado a esposa Mavilde. Estava-se numa sexta-feira e a próxima audiência em Tribunal, estava marcada para terça-feira. Como solução para o desfecho do assunto, o então numero dois da hierarquia da representação da UNITA, na Costa do Marfim, capitão Celino Saveyile fez uma comunicação ao líder do partido, Jonas Savimbi propondo o envio a África do Sul, dos progenitores do malogrado General “Ben Ben”, os velhos Isaac Pena e Judith que se encontravam naquele país ao norte de Africa, sob seu controle.

 

A estratégia apresentada pelo capitão Celino Saveyile era de que com o envio dos velhos, “ninguém mais diria que Ben tem duas mães e dois pais”, e com isso “Ninguém estaria em condições de contrariar o que eles fossem determinar como progenitores.”

 

A partir das matas, Jonas Savimbi, por intermédio do general Esteves Betatela Pena “Kamy”, respondeu no mesmo dia, a comunicação feita pelos seus homens na Costa do Marfim dizendo que concordava e orientava que tratassem, neste mesmo dia, da viagem dos velhos à África do Sul.

 

Neste mesmo dia, a UNITA a partir de Abidjan contactou um alto funcionário (nome propositadamente omitido) do Ministério do Interior da África do Sul que estava acompanhar o processo para que intercedesse junto ao Tribunal no sentido de se adiar a sessão que estava prevista para Terça-feira, e aguardar pela chegada dos progenitores de “Ben Ben”. Por volta das 18h daquela sexta-feira, o “contacto” da UNITA junto ao governo sul africano solicitou que estes contactassem o então Embaixador da África do Sul na Costa do Marfim para emissão dos vistos de viagem dos velhos. Pela manha de sábado do dia seguinte, a Embaixada sul africana abriu exclusivamente para atender a situação da UNITA (emissão de vistos para irmã de Savimbi e o seu respetivo esposo).

 

Em simultâneo, o Gabinete da Presidência da República da Costa do Marfim teria também atendido a um pedido da UNITA para a emissão das ordens de serviços, já que os velhos viajavam com passaportes de Serviço emitidos por este país.

 

Despachados para a África do Sul, o tribunal deste país considerou a vontade dos progenitores do falecido e os restos mortais de “Ben Ben” não foram trasladados para Luanda, onde o governo fazia questão de realizar as suas exéquias com honras militares. O corpo de "Ben" foi embalsamado e provisoriamente enterrado no cemitério de Zandfontein, na cidade de Pretória, onde viviam os filhos.

 

A UNITA, na altura alegava que havia uma “outra intenção” do governo, que não seriam somente as honras de Estado.

 

Passados 20 anos, o governo e a UNITA, já com novas lideranças realizaram finalmente o funeral de Ben-Ben, ocorrido, na aldeia de Lupitanga a pedido da família.


O caso “Ben Ben” terá sido um dos raros, em que o Governo de Angola bateu-se para que os restos mortais de um “ex-opositor ao regime” fosse enterrado em Luanda. Porém, a mesma vontade do governo em fazer enterro nunca foi sentida para com os corpos de Salupeto Pena e Jeremias Chitunda, que se encontram sob custodia das autoridades, desde Novembro de 1992.

 



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