Alemanha - Em Angola multiplicam-se os casos de perseguição, agressão e sequestro de organizadores dos movimentos de protesto anti-regime. Os perpetradores anónimos, chamados "kaenches", são homens armados e treinados a preceito.


Fonte: DW

Por causa do rapto de manifestantes

As mais recentes vítimas dos "kaenches" são os líderes do "Movimento Revolucionário Unido", um grupo de ex-militares das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) e do Exército Libertação Nacional de Angola (ELNA). Estas formações convocaram uma manifestação contra "o mau trato que sofrem" por parte do governo angolano.


De resto, os organizadores da manifestação fracassada do último domingo estão preocupados. Os antigos militares, apenas queriam manifestar o seu desagrado com as condições de vida que afirmam ser desumanas e a falta de apoio do governo angolano. Mas a manifestação foi impedida pelas autoridades. Mais: dois dos dirigentes do movimento desapareceram. Tomás Artur Maria, um dos membros do protesto, dirigiu-se agora à imprensa nacional e internacional, pedindo para que estes raptos não passem despercebidos. Artur Maria teme que os seus colegas estejam a ser torturados e não reapareçam tão cedo, como disse à DW África: "Opovo já sabe que no domingo foi detido o Álvaro Kamulingue e desde então não há rasto dele. Na terça-feira, foi detido o dirigente máximo, Isaais Sebstião Kassule. Estamos à procura em toda a parte, fomos a todas as esquadras da polícia, mas os comandantes estão a negar toda a responsabilidade."


Apelo à imprensa


A DW África contactou o comando provincial da polícia de Luanda, que negou ter qualquer conhecimento destes casos de sequestro. Aos amigos e familiares dos desaparecidos, a polícia terá dito que nada sabe sobre a identidade dos sequestradores, referiu Tomás Artur Maria: "Eles disserem que são elementos desconhecidos, e que as famílias têm que os procurar. Mas nós não sabemos onde procurá-los. A polícia que é a entidade competente para manter a ordem!"


O membro do grupo dos ex-militares "Movimento Revolucionário Unido" diz-se muito preocupado e lança um apelo de solidariedade a todos os ex-militares e ao povo angolano em geral. O objetivo é forçar a libertação dos dois manifestantes desaparecidos, diz Tomás Artur Maria: "Vou comunicar a todo o povo angolano, aos ex-militares da casa militar, ex-FAPLA, ex-ELNA, vou apelar aos nossos partidos políticos, à UNITA, ao nosso Bloco Democrático, ao Partido Popular, PRS e aos outros partidos idóneos, para fazer saber que em todos os bairros, devido às manifestações, há raptos e torturas”, avisa.


Milícias não estão identificadas


Artur Maria adverte ainda que o seu movimento vai dar 48 horas às autoridades: “Se os nossos homens não aparecerem, nós vamos dirigir-nos todos diretamente à casa do empresário Bento Kangamba, empresário de assassínios. É ele o comandante das milícias que estão a executar em todas as áreas da periferia de Luanda, " acusa o veterano.


Recorde-se que entre os vários movimentos de oposição em Angola reina um clima de medo devido aos sucessivos atos de violência perpetrados pelas chamadas milícias. Circulam muitas suspeitas sobre os organizadores e financiadores desses bandos, mas, até agora, nada foi provado. As autoridades angolanas afirmam não ter qualquer informação sobre quem poderá estar por detrás dos "kaenches".



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