"farsas eleitorais" - Samakuva

Se não forem observadas condições para eleições "democráticas e transparentes", Isaías Samakuva não vai avançar para as presidenciais, afirmou à Lusa.

O líder da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) sublinhou que está é a sua opinião pessoal, ainda não submetida aos órgãos do partido, cujos estatutos prevêm que o presidente da força partidária é o candidato presidencial, embora ainda não haja data oficial, as eleições presidenciais estão previstas para 2009.

O presidente do partido do "Galo Negro", o maior da oposição e que nas legislativas de 05 de Setembro sofreu uma significativa derrota, conseguindo apenas 10 por cento dos votos contra 81 por cento do MPLA, sublinhou, no entanto, que a UNITA está a trabalhar para que haja eleições presidenciais.

Samakuva, que anunciou no final da semana passada a sua saída do parlamento para se dedicar à reorganização da UNITA, lembrou que o partido aceitou os resultados das legislativas em nome da estabilidade, "mesmo não concordando com muitos aspectos do processo eleitoral", e acrescentou que a sua candidatura presidencial não se coaduna com um cenário de "farsa eleitoral".

O MPLA, no poder, já admitiu que o actual Presidente da República, José Eduardo dos Santos, que também preside ao partido, é o seu candidato natural.

Para Samakuva, se as condições em que se fazem as eleições "forem melhoradas", a UNITA estará "presente nas eleições (presidenciais).

"Estamos preparados para eleições democráticas e não para farsas eleitorais", insistiu.

Sobre os dois meses e meio que passaram desde as últimas legislativas, o líder do maior partido da oposição teceu críticas ao Governo do MPLA, que afirmou não estar a corresponder ao prometido, no sentido de permitir o diálogo e uma vivência democrática no país.

Samakuva apontou a existência de "conflitos sociais preocupantes" e lamentou que o MPLA, que tem uma maioria qualificada no Parlamento, com 91 dos 120 deputados, esteja a "perseguir elementos da oposição".

O presidente da UNITA disse ainda estar "preocupado" com o "timing" da visita a Angola do Papa Bento XVI, para Março de 2009, em período pré-eleitoral, mas sublinhou saber que este calendário "não tem contornos políticos".

Isaías Samakuva concordou com o apelo do Núncio Apostólico em Luanda para que não sejam feitas tentativas de aproveitamento político desta visita papal.

Fonte: Lusa



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