Lisboa –  Uma equipa de advogados (liderada por Sérgio Raimundo e José Carlos) está em vias de solicitar ao Tribunal Provincial de Luanda, a detenção do cidadão Fernandes Silva por obstrução da verdade, num processo em que o mesmo aparece como testemunha.

Fonte: Club-k.net

Fernandes Silva, também conhecido por “Nandinho” ou “Nando Power”, é integrante dos HDA (Homens Das Artes), um grupo de praticantes de artes marciais em Luanda. O mesmo tem estado a depor, em tribunal contra um oficial da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), Celso Duarte Monteiro de Azevedo, mais conhecido por “Russinho”, a quem ele diz ser a pessoa que atirou mortalmente contra o seu amigo Júlio Tchinhama Sumixi, em Janeiro de 2012.

O malogrado Júlio Sumixi é filho de uma alta funcionária do Serviço de Inteligência e Segurança de Estado (SINSE) e era conhecido como o líder dos HDA. O mesmo foi morto nas mediações da embaixada portuguesa quando regressava da discoteca W-Club, em Luanda. 

No dia da sua morte, ele [Júlio] conduzia um carro de marca RAV4 e tinha como co-piloto uma amiga de nome Inácia Vanessa Viemba de Melo e no banco detrás, estava o seu amigo Fernandes Silva “Nando Power” acompanhado de uma jovem,  Erica Moreira.

No dia do crime, Júlio seria morto por alguém de capacete (trajado de um casaco azul) que os seguiu de motorizada. Durante o acto, Fernandes Silva “Nando Power” foi atingido com três tiros tendo, no entanto,  sobrevivido. 

Embora os HDA alegam ser o agente da DNIC, Celso Duarte Monteiro de Azevedo “Russinho”, há suspeitas de que à morte de Júlio terá sido em retaliação ao assassinato de um jovem identificado por “Kiss”, assassinado a tiro pelo malogrado líder dos praticantes de artes marciais.

O nome do oficial da DNIC [Russinho] terá entrado neste processo, pelo facto de o mesmo ter sido um dos policiais que investigava, e prendia os integrantes dos HDA. “Russinho” encontra-se há mais de um ano detido na Comarca de Viana.  Os HDA acreditam que ele terá sido o autor dos disparos contra o seu líder [Júlio] porque “Russinho” teve semanas antes a sua viatura queimada por desconhecidos e que poderá ter agido contra este grupo de jovens em retaliação.

“Russinho” foi preso no seguimento de um depoimento do sobrevivente Fernandes Silva “Nando Power” que declarou a polícia que o reconheceu no dia em que Júlio foi mortalmente baleado. Quando o seu nome começou a ser implicado neste crime, o agente terá entrado em desespero e se refugiado na fazenda de um familiar, nos arredores de Luanda, por receber informações de que os HDA estariam a sua procura para assassina-lo.

O julgamento, sobre a morte de Júlio, teve inicio no dia 10 de Fevereiro do corrente, e tem como juíza a magistrada Patrícia Pereira. As últimas sessões  foram marcadas por contradições e desencontros de posições entre o sobrevivente “Nando Power” e as duas jovens testemunhas que se encontravam na viatura com o malogrado.

Factos a considerar:

- Fernandes Silva “Nando Power”, que alega ser o agente Celso Azevedo “Russinho, o autor dos disparos, diz que este trajava um casado e estava de motorizada.

- Erica Moreira e Inácia Melo, as duas jovens que estavam na viatura no dia do assassinato, disseram que os disparos foram feitos por alguém de camisola azul, semelhante a da polícia. Segundo as mesmas, o autor dos disparos estava de capacete e não se podia identificar/verificar o rosto.

- As duas jovens negaram que alguma vez tivesse sido antes ouvidas pela DNIC, mas reconfirmaram terem sido chamadas pela Procuradoria Geral da República (PGR). Porém, a juíza Patrícia Pereira mostrou-lhes um documento de uma declaração/depoimento fornecido pela DNIC, que se atribui as duas raparigas. (Ficou-se com a impressão que a declaração terá sido forjada pela investigação criminal)

- Fernandes Silva “Nando Power” diz que no dia dos disparos  apanhou oito tiros tendo sido de imediato internado. Porém, o relatório medico diz que este jovem sobrevivente apanhou apenas três tiros.

- Erica Moreiró disse que “Nando Power”, que se encontrava consigo no banco de trás da viatura, terá abaixado no momento dos tiros (o que dificultaria o mesmo a identificar quem de facto foi o autor dos disparos).

- No final, ambas as jovens disseram em tribunal que foram instruídas pelos HDA, a apresentarem as declarações que fizeram inicialmente em tribunal.

- Os HDA declararam que foi um jovem identificado por “Leandro” que terá dado a informação ao autor dos disparos que malogrado Júlio estaria na discoteca naquele dia. Porém, chamado a depor, Leandro desmentiu dizendo que não ia a discoteca W- Club há mais de três meses, na altura, porque teve problemas com um dos proprietários daquela casa noturna, identificado por Valdir.

- Uma outra testemunha Mário da Cruz “Marito”, que no momento dos disparos se encontra na rua a por as malas na sua viatura para viajar, disse nos autos da PGR que eram dois elementos a fazerem os tiros contra a viatura RAV4 de “Julinho” dos HDA. 

Chamado pelo Tribunal “Marito” desmentiu a versão de Fernandes Silva “Nando Power” tendo contado que foram duas motorizadas com quatro elementos ao total vestidos de azul e que os disparos foram efectuados pelos dois integrantes  que iam por detrás da motorizada.

É em função das enumeras contradições que a equipa de advogados manifesta a pretensão de solicitar a detenção de Fernandes Silva “Nando Power” por entender que este mentiu em Tribunal.

Desde então surgiu no seio dos HDA, a convicção de que  “Russinho” possa ser devolvido a liberdade por ineficiência de provas contra si. A 7 de Março, um dos integrantes deste grupo de nome, António Ezequiel Bonda, também conhecido por “Pablo Ouro” ou “Manunho”, proferiu palavras nas redes sociais que foram interpretadas como pronúncio de vingança ao agente da DNIC.

“Já estou pronto para vingança, ando com bom material seja no carro ou na mota cintura. Esta sempre a pesar, não falho naquilo que faço nem paro na mão dos palhaços. É o regresso dos H, os heróis da ingombota”, escreveu Pablo  Ouro.

 



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