As autoridades congolesas e rwandesas anunciaram a detenção do renegado líder rebelde Laurent Nkunda; ele foi preso em território do Rwanda.

A sua detenção ocorreu na sequência de uma ofensiva militar conjunta dos exércitos do Rwanda e da República Democrática do Congo contra grupos rebeldes hutu que operam no leste do Congo.

O General Nkunda teria fugido para o Rwanda, depois de uma perseguição empreendida por soldados congoleses.

Já em território rwandês, ele e os seus homens envolveram-se numa troca de tiros com soldados rwandeses, antes de serem detidos.

O Coronel Jean-Paul Dietrich, o porta-voz da Força da ONU de Manutenção da Paz no Congo, MONUC, disse que a sua missão fora informada do ocorrido.

"O General Nkunda foi preso ontem às 22 horas e 30 minutos em Bunagana, uma localidade rwandesa que fica a cerca de 95 quilómetros a norte de Goma."


Laurent Nkunda deverá agora ser entregue às autoridades congolesas. O ministro congolês da Informação, Lambert Mende Omalanga, disse à BBC que a detenção do líder rebelde não constituiu uma surpresa.

"A maioria dos membros da CNDP abandonaram Laurent Nkunda e juntaram-se ao nosso exército. Nkunda estava isolado. Ele ficou apenas com dois batalhões que não o conseguiram ajudar a escapar ou a evitar a prisão."

Crimes de guerra

Segundo Omalanga, Nkunda vai agora responder em tribunal militar por crimes de guerra e por traição.

"Esta é a vontade do povo congolês. O tribunal militar já emitiu um pedido de extradição. Não sabemos o que será feito pela justiça mas esperamos que Nkunda responda pelas suas responsabilidades perante os juizes."


Implacável, inteligente e ambicioso - é como alguns analistas definem Laurent Nkunda, que fora até agora o mais poderoso comandante militar no leste do Congo.

Mas, as suas ambições políticas desmedidas acabaram por lhe custar caro.

Na semana passada, um grupo de comandantes rebeldes, liderado pelo chefe do Estado-Maior do CNDP, Bosco Ntaganda, distanciou-se de Nkunda e assinou um acordo para se juntar, com milhares de homens, ao exército governamental congolês.

E esta semana os exércitos do Congo e do Rwanda iniciaram operações conjuntas, em território congolês, para acabar com grupos rebeldes que participam no genocídio de 1994 no Rwanda.

Sabe-se agora que Laurent Nkunda, que sempre recebeu ajuda militar e financeira das autoridades rwandesas, era uma das 'moedas de troca'.


O tribunal militar já emitiu um pedido de extradição. Esperamos que Nkunda responda pelas suas responsabilidades perante os juizes


Contudo, e apesar mesmo da sua detenção, não se dissiparam totalmente os receios em relação ao conflito congolês.

Olusegun Obasanjo, o enviado especial da ONU para o Congo e ex-presidente da Nigéria, saudou a detenção de Laurent Nkunda mas disse também que era preciso mais trabalho para se pacificar a região dos Grandes Lagos.

"O problema do Congo é que se resolve um problema e logo a seguir aparece um outro. Desta vez precisamos de resolver o problema da forma mais radical.

"E é por essa razão que a minha mediação não deve acabar, porque a nossa responsabilidade ultrapassa o Congo e cobre a totalidade da região dos Grandes Lagos."


Fonte: BBC



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