– Qual é a importância das comemorações do fuzilamento publico do destemido comandante Sotto Mayor 33 anos depois, sobretudo numa altura em que Angola se prepara para as 2 eleições legislativas?

Não é verdade que coloca uma pergunta bastante difícil de eu responder?...Vamos admitir a hipótese que a 33 anos atrás eu era já um menino maior de idade, porquanto recolhi dados históricos de pessoas adultas do Clã Sotto Mayor e que me permite agora responder esta pergunta com alguma exactidão. Risos...

– - Que idade tinha na altura?

Tinha eu 8 anos de idade e sete meses.

– - Já agora fala-nos de algo interessante da tua infância?

O que mais me marcou durante a minha infância quando eu tinha apenas 7 anos, foi o seguinte. De tanto ouvir as conversas do meu pai, meu tio e outros seus companheiros de luta, ganhei curiosidade e decidi ir a dona Amália para ver e ouvir o discurso do saudoso camarada presidente Neto. Pois o meu e os seus companheiros diziam sempre que o Chefe viria dar a independência nesta altura e ele curioso queria ver de que cor e forma tinham esta independência...! Risos.

4- Portanto completa então o seu raciocino com relação a primeira pergunta.

Bom tudo quanto a Clã Sotto Mayor a família na qual eu estou aqui a representar recolheu ao longo destes 33 anos de averiguação sobre o mistério que andou a volto dos acontecimentos que culminou com o fuzilamento publico de VST, encontrou um denominador comum e que consiste na importância historia das comemorações do 33 aniversario nesta fase em que Angola se prepara para as 2 eleições legislativa. Esta importância consiste no seguinte. -

1- Foi em Agosto que se realizou a conferencia Inter-regional de Militantes onde se alterou e se reafirmou a necessidade de constituir a frente unida de todas as forças que lutavam para a independência de Angola. Esta era todo como uma condição fundamental para luta contra a dominação neocolonialista. Ora esta é tida como uma das acções a ser realizadas para dar por realizado por completo o cumprimento do programa mínimo do MPLA. Ora Virgílio Sotto maior era defensor acérrimo da realização da frente de todas as forças nacionalista para a independência de Angola. Esta questão era a mais polémica conhecia no interior do MPLA, naquela altura.
2- 
3- Foi em Agosto que Virgílio Sotto Mayor é fuzilado, sem culpa formada. Ora se relacionarmos estes dois factos a família Sotto Mayor Admite a hipótese de que a razão para a cilada que o preparam encontra razão de ser no seu posicionamento vertical no que concerne a constituição da frente ampla de todas as forças nacionalista em Angola. Sotto Mayor defendia o ponto de vista de que a independência Completa de Angola só seria possível com a formação da frente aglutinada do MPLA, + FNLA +UNITA + Outras forças politicas internas). Portanto nas véspera em que Angola se prepara para realizar as 2 ª eleições legislativas é imperioso não perder de vista este objectivo que vem plasmado no (1 e 2 apelo a Unidade) do comité director do MPLA DE 1961 e 1963. Nesta conformidade a Clã Sotto Mayor reafirma o posicionamento do seu progenitor e apela as forças politicas actuais a encontrar um consenso para constituição da frente Unida Angolana para pacificação e reconciliação nacional, como uma das condições para travar o impacto das forças estrangeiras que pretendem a todo custo submeter A NEOCOLONIZAÇAO DE ANGOLA


1.3- Na tua visão quais foram as razoes que estiveram na origem do fuzilamento de VST, a julgar que não estava presente no dia que as tropas saíram do quartel!

A família Sotto Mayor pensa de que a resposta a esta pergunta encontra sustentação no 1 e 2 apelo a unidade lançado pelo Comité Director do MPLA nomeadamente em 1961 e 1963, na qual VST, era defensor acérrimo da unidade de todas forças politicas nacional para a independência total e completa de Angola. Alias devemos recordar de que o grupo nacionalistas que esteve ligado ao assalto as cadeias no dia 4 de Fevereiro de 1961 sobre comando de Virgílio Sotto Mayor, Paiva Domingos Silva, Raul Deão, Imperial Santana e Coordenação do Cónego Manuel das Neves, agiu por iniciativa própria com alto espírito patriótico e nacionalista sem ligação a nenhum movimento de libertação naquela altura. De alguns sobrevivente que também já não estão no mundo dos vivos tomamos conhecimento de que VST defendia o reconhecimento deste grupo como uma força politica a fazer parte da frente unidade de Angola a ser constituída nos lineares dos ano 70 e não como um grupo a integração num dos movimentos de libertação nacional existentes. Para mais esclarecimento sobre a questão recomendamos a consultar o 1 e 2 apelo a unidade lançado pelo Comité Director do MPLA em 1961 e 1963.

1.2- Quem foi afinal de conta Virgílio Sotto Mayor?

Como membro da Clã Sotto Mayor, penso não ser eu a pessoa indicada para falar daquele que foi um dos promotores e organizadores do que a historia de Angola e do MPLA, denominou o Assalto do 4 de Fevereiro, pela dimensão histórica que o seu nome angariou no processo da luta pela independência de Angola, mas …. |

Portanto Virgílio Sotto Mayor, nasceu n Icolo e Bengo – Cassoneca de uma família camponesa constituída de 8 filhos (4 rapazes e 4 meninas), Virgílio era o 5 filho.
Tinha como habilitação académica o 1 ano do ciclo preparatório. Era um jovem de tratamento fácil com os seus companheiros, sobretudo quando relacionado com o desporto rei (O futebol), que era o desporto familiar, tanto mais que sobrinhos e netos que praticaram já o nosso campeonato federado beberam a água desta fonte.

Nos anos que vão de 1922 a 1949, os pais de Virgílio foi lhe desapropriado as terras que possuía, na rebeliou - se contra tais medidas o que lhe levou a ser espaçado mais barbaramente torturado pelo facto de ter chamado nomes ao chefe do posto tendo –o dito que  ele era o ( Documento da escravatura) . Documento da escravatura significava dizer naquela altura de ele era mestiço e não tinha o direito de lhe desapropriar a terra que era sua pertença como Angolano genuíno.

Nesta altura, Virgílio com aproximadamente 12 anos e os demais irmãos todos eles de menor idade presenciaram aquele triste acontecimento que gravaram e carregaram nas suas mentes durante vários anos ate que se tornaram adultos. Foi da bravura o pai que Virgílio e bebeu a postura Revolucionaria que possuía ate aos últimos dias de sua vida.

Virgílio Sotto Mayor veio a Luanda com aproximadamente (13) anos de idade. Contaram-nos de pessoas que com ele passavam a maior parte do tempo de que nos encontros de futebol sempre no final dos jogos VSM ,chama atenção aos meninos de sua idade de cor da seguinte maneira (…Esta terra não é vossa e vossos pais tem um dia que abandonar a nossa terra…). Portanto da para compreender de que VST , Sofreu uma influencia muito grande da sua família.

Nos princípios dos anos 50, fins dos anos 40, a família Sotto Mayor fixa residência em Luanda, pois previam já uma alteração no processo político em curso. E que qualquer retaliação aos pais podia ser possível em Cassoneca , se ocorresse um fuga de VST para a terra natal, pois ele estava integrado numa célula clandestina no Rangel com companheiros seus tais como Raul Leão , Imperial Santana e tantos outros que estavam totalmente entregue a causa da luta pela independência de Angola.

No dia D, VST e seus companheiros de que neste dia iria chegar um pouco tarde portanto estes tinham de aguardar por ele alguns minutos, porque tinha que ir jantar com os pais e receber deles algumas instruções importantes e que era extensiva para todos eles. É assim que depois do jantar VST e o Irmão arranjaram um lugar seguro para albergar os pais, por formas que se houvesse algum problema não fossem localizado pela autoridades coloniais e sofrer represálias para indicar o paradeiro do seu filho. Depois disto Virgílio S.M, foi ao encontro dos companheiros e transmitiu – lhes a seguinte mensagem (…Recebi recomendações de que nós vamos para acção, mais se formos forçado a recuar, então nenhum de nós deve saber onde cada um irá refugiar-se para evitar que caso alguém fosse detido e torturado para revelar onde os demais se encontravam, este não tinha como revelar porque na realidade não sabia onde cada um se encontrava. E que a referencia para um possível encontro somente podia ser o ponto onde eles partiram para o inicio da acção, no dia (X)

Foi assim que quando VST depois ter sido atingido num dos braços no assalto do 4 Fevereiro de 1961, ele se preocupou a dirigir-se a casa do Irmão porque tinha instrução para não passar em sitio nenhum e nem se deixar ver por quem quer que fosse, mesmo por seus próprios companheiros, isto para evitar possível denuncia. É esta a instrução que receberá do Irmão mais velho António Francisco Sotto Mayor antes da realização da acção abortada. Pois AFSM que na maior das vezes era torturado e espaçado pela topa colonial sempre que estes tentassem deter Virgílio SM. Felizmente este nunca descobriu o seu irmão pois estava plenamente consciente que tinha de sofrer pelo o irmão visto que a causa que estavam a lutar e a defender era uma causa digna e justa.
Não foi pois por acaso de que nas exéquias fúnebres de AFST, o comandante Paiva que leu a biografia fúnebre num dado momento dizia (…Perdemos um amigo, mais não somente um amigo, mas sobretudo perdemos também um companheiro de luta…)

VIRGILIO SOTTO MAYOR E O MPLA


2-Fala-nos de Virgílio Sotto Mayor e o MPLA, uma vez que há dados histórico de que o MPLA foi fundado nos anos 60…

      Tendo sido um dos organizadores principais do 4 de Fevereiro, como consta dos documentos arquivados na torre do Tombo em Lisboa, VST foi detido e temporariamente encarcerado na cadeia de Missombo e posteriormente deportado para São Nicolau, tendo em conta o perigo que este destemido nacionalista representava para o derrube do regime colonial.
       No inicio dos anos 70 VS é posto em liberdade e regressa a Luanda e fica a residir em casa do seu irmão mais velho António Francisco S.M. –Este que também albergou seu primo e companheiro de luta  o malogrado Lourenço ferreira ( DIANDENGUE). Virgílio S.M. coabitou com o irmão ate que conseguiu construir uma casa própria algures no município do Cazenga.

      Passados alguns meses VST parte para o Congo e integrasse ao MPLA-Movimento, pois tinha já recebido varias mensagens e era sua convicção de que a obra ainda não tinha terminado e que a contribuição de todos o Angolanos na luta pela independência era uma obrigação patriótica, assim como tinha convicção de que esta grande obra só se alcançaria se nos completariam uns aos outros.
      Em 1974 regressa do Congo em companhia de outros seus colegas e da continuidade a sua actividade politica no MPLA MOVIMENTO, mais precisamente no comité 4 de Fevereiro, na qual veio a ser o seu comandante, ate os últimos dias de sua vida.

A Tragedia que levou o fuzilamento publico do destemido comandante Virgílio Sotto Mayor

É para mim e o Clã Sotto Mayor uma das recordações mais triste que arrastamos nas nossas mentes ate aos dias de hoje. Tio Sotto foi e é inocente no meio deste acontecimento. Não foi senão uma cilada que o preparam para justiçar os objectivos que pretendiam alcançar. A história se responsabilizará um dia de repor a verdade.

Pois no dia do acontecimento VST encontrava-se ausente de Luanda a convite do seu amigo e companheiro de Luta o comandante Imperial Santana, para assistir o casamento de um dos seus filhos. Para sua surpresa as tropas sobre suas ordens movimentaram – se sem a sua inteira autorização para uma diligência na qual existem ate hoje varias versões, sobre os factos reais. Pois admite-se a hipótese de existirem mais do que 3 versões. Por esta razão a família Sotto tem vindo a investigar ao longo destes 33 anos o que foi de facto o que esteve na origem deste trágico acontecimento em que vidas humanas se perderam. Assim sendo a família Sotto quer admitir a hipótese de que naquela altura ter existido alguém interessado em desviar-nos da realidade, porque achamos que houve intenção de criar 3 cenários diferentes para não nos concentrarmos na verdadeira versão visto que as 3 versões surgiram simultaneamente – Desvio de Fundo, morte e violação de mulheres…

Perante a este cenário VST, como comandante do Comité 4 de Fevereiro, disposto a encontrar as verdadeiras causas do sucedido, movimentou-se fazendo diligência a vários níveis. Para sua surpresa sem ter chegado a nenhuma conclusão, é lhe dado ordem de prisão e se a memoria não me atraiçoa em menos de 48 é lhe ordenado que fosse fuzilado em hasta publica na companhia de mais alguns subordinados seus. Assim terminava a vida de um destemido comandante, de um amigo e filho do seu povo. Por que razão fuzilaram VST, se ele não cometeu…? Que justiça seja feita em nome da Revolução Angolana.

Só me resta em nome da Clã Sotto Mayor, pedir a quem de direito a reposição dos danos morais causado a família de VST, pois os familiares das pessoas que foram mortas carregam a 33 anos um odeio sem fim a todos membros da nossa família, mas VST, foi inocente nomeio de esta historia toda, por isso a vossa dor é a nossa então sejamos solidário e unidos na causa por que ele morreu. Ele morreu pela causa mais justa do nosso povo. Ele morreu pela unidade de todas as forças do xadrez político nacional na luta pela dominação estrangeira. Que a Sua alma descanse em pás…!


Fonte: Folha8/Club-k.net



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