Lisboa - O número de jornalistas portugueses a trabalhar em Angola é hoje sete vezes maior do que há 3 anos, estando já a alterar o panorama do sector ao tornar a forma de noticiar e os projectos gráficos semelhantes.

Salarios 5 mil euros,habitação e
um número limitado de viagens para Portugal

 

"Calculamos que sejam estejam cerca de 40 jornalistas portugueses em actividade em Angola, mas não conseguimos controlar todos os freelance", disse à Lusa o responsável do Sindicato de Jornalistas Angolano Teixeira Cândido.

"Até há cerca de 3 anos, quando começou a onda de lançamentos de vários títulos novos em Angola, não havia mais de 5 jornalistas portugueses no país", garantiu.

Embora não seja ainda possível desenhar um perfil do jornalista português que parte para Angola para trabalhar em novos títulos como os jornais O País ou Expansão e a estação TV Zimbo, o sindicalista admite que muitos tomaram a decisão pelas vantagens monetárias que representa.

"Os estrangeiros não podem ocupar lugares de direcção [nos media], segundo a lei angolana da imprensa, mas ficam como conselheiros", mantendo cargos que, na prática, permitem ser decisores, esclareceu Teixeira Cândido.

Os que têm cargos de maior responsabilidade levam, habitualmente, as famílias para viver em Angola, até porque as empresas disponibilizam casas para morar.

Apesar de o Sindicato de Jornalistas não referir valores a serem pagos aos jornalistas portugueses, fontes contactadas pela Lusa adiantaram que as propostas têm rondado os 5 mil euros, além de habitação e, nalguns casos, um número limitado de viagens para Portugal.

O aumento substancial de jornalistas portugueses em Angola desde 2006, representando já 2 por cento do total de profissionais desta área naquele país, tem consequências na comunicação social, admitiu o representante do Sindicato de Jornalistas Angolano.

A situação "estimula a competitividade local", acredita Teixeira Cândido, adiantando, no entanto, que "os jovens [jornalistas angolanos] sentem falta de oportunidades".

Segundo explicou, as primeiras licenciaturas em Comunicação Social em Angola tiveram início em 2002/2003, pelo que só agora estão a entrar para o mercado.

"Os órgãos de comunicação social preferem contratar jornalistas com experiência, sobretudo portugueses e brasileiros", dificultando a inserção dos angolanos na profissão.

"O Sindicato tem defendido que os órgãos de comunicação social deviam apostar em quadros nacionais e, só em último caso, recorrer a estrangeiros", sublinhou.

Para o sindicalista, o cada vez maior recurso a jornalistas portugueses já está a ter uma consequência na imprensa local que "será reforçada nos próximos 10 a 15 anos".

"O panorama da comunicação social em Angola está a ficar parecido com o de Portugal porque os jornais e as notícias são feitos pelas mesmas pessoas", disse, assegurando que até "os projectos gráficos são já muito parecidos".

Fonte: Lusa



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