Coreia do Sul - Park Geun-hye foi condenada a 24 anos de prisão num caso em que foi acusada de abuso de poder e corrupção. Juiz aplicou sentença severa para servir de mensagem a futuros líderes. O tribunal condenou a antiga presidente da Coreia do Sul a uma pena de 24 anos de prisão num processo em que Park Geun-hye foi acusada de abuso de poder, corrupção e ações coercivas. O escândalo que tem marcado a atualidade política do país asiático envolve outras figuras mediáticas e com cargos de relevo e tem motivado uma onda de revolta e críticas à elite política.

Fonte: Publico


“A Presidente abusou do poder que lhe foi dado pelos cidadãos”, declarou o juiz na leitura na sentença que espera servir de mensagem firme aos restantes e futuros líderes da Coreia do Sul.  A decisão — que foi comunicada em direto, algo que não é habitual, e sem a presença da antiga chefe de Estado na sala do tribunal — envolve ainda o pagamento de uma multa de cerca de 14 milhões de euros.

 

Park, aliás, tentou boicotar todo o processo, recusando-se a estar presente, tanto nas sessões do julgamento como na leitura da sentença, alegando que o tribunal estaria condicionado desde o início para a condenar.


Apesar da condenação, Park Geun-hye continua a reunir o apoio de milhares de sul-coreanos que saíram à rua com cartazes e várias manifestações em defesa da antiga líder. A população mais velha e conservadora, que recorda o tempo da ditadura do pai de Park como um período de poder e desenvolvimento do país, foram a sua principal base eleitoral. Estão também entre os seus principais apoiantes.


Park foi julgada por um coletivo de três juízes, incluindo Kim Se-yun, que é também o magistrado responsável pelo caso “Rasputina”, como é conhecida Choi Soon-sil, a amiga de longa data de Park e figura central do escândalo de corrupção e tráfico de influências que levou à destituição da antiga chefe de Estado sul-coreana. O Ministério Público considerou provado que Park criou com “Rasputina” uma rede através da qual pediu e obteve subornos de pelo menos três empresas — Samsung, Lotte e SK — no valor de cerca de 59.200 milhões de won (cerca de 48 milhões de euros).


Na altura em que foi acusada, soube-se também que Park Geun-hye teria desviado milhões de fundos dos serviços secretos: todos os meses receberia, entre 2013 e meados de 2016, entre 50 e 200 milhões de won (39 mil e 156 mil euros) do serviço de informações (NIS), revelou o Ministério Público aos órgãos de comunicação social sul-coreanos. Estas somas eram entregues por agentes dos serviços secretos aos conselheiros de Park em parques de estacionamento ou em ruas pouco frequentadas em redor da presidência, de acordo com os ‘media’. O dinheiro era proveniente de “fundos especiais” que o NIS podem usar sem prestar contas, indicou a agência noticiosa sul-coreana Yonhap.


Primeira mulher a ser eleita para a presidência da Coreia do Sul, Park Geun-hye foi também a primeira chefe de Estado a ser destituída (a 9 de dezembro de 2016) desde que a Coreia do Sul voltou a realizar eleições democráticas. A decisão obrigou a convocar eleições antecipadas também pela primeira vez desde 1987. Park, de 65 anos, é a terceira antiga chefe de Estado a ser julgada por corrupção depois de Chun Doo-Hwan e Roh Tae-Woo, condenados na década de 1990.



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