Lisboa - Afonso Macacho Marceta Dhlakama, com 65 anos, líder histórico da oposição armada e política ao partido maioritário de Moçambique, a Frelimo, morreu esta quinta-feira.

Fonte: TVI24

A informação veiculada pela Televisão Independente de Moçambique (TIM) dá conta que Afonso Dhlakama terá morrido de complicações relacionadas com a diabetes.

 

A TIM tem informações de que Afonso Dhlakama terá perdido na manhã de hoje (08:00 horas) quando esperava o helicóptero que o levaria a Pretória, na África do Sul, onde se iria submeter a tratamento hospitalar de urgência", refere a publicação da televisão moçambicana na sua conta no Facebook.


A morte do líder histórico da oposição armada e política em Moçambique foi também confirmada por fontes da Renamo, o maior partido da oposição, à agência noticiosa francesa AFP.


Fonte partidária da RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana) confirmou depois à agência Lusa, a morte de Afonso Dhlakama.

Dhlakama vivia refugiado na serra da Gorongosa, no centro do país, desde 2016, tal como já o havia feito noutras ocasiões, quando se reacendiam os confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança de Moçambique.


Armas na mão

Afonso Dhlakama nasceu em Mangunda, na provincía de Sofala, no centro de Moçambique, a 1 de Janeiro de 1953. Em 1974, após a Revolução do 25 de Abril em Portugal, que ditou o fim das guerras coloniais, ingressou na Frelimo, o movimento moçambicano que combatera o colonialismo português.

Dhlakama viria depois a abandonar a Frelimo para fundar a RNM (Resistência Nacional de Moçambique), um movimento armado criado com o apoio da Rodésia, atual Zimbábue, e da África do Sul.


O movimento que continuou a lutar contra o governo da Frelimo passou a designar-se Renamo e manteve uma guerra civil em Moçambique durante 16 anos.

Em outubro de 1992, em Roma, Dhlakama assinou o Acordo Geral de Paz com o então presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, líder da Frelimo, passando a Renamo a ser formalmente um partido político.

Dois anos depois, a Renamo concorreu às eleições gerais (legislativas e presidenciais) e perdeu. Seguiram-se eleições gerais em 1999, cujos resultados foram contestados por Dhlakama, que voltou a procurar a confirmação nas urnas em 2014.

Com a vitória nessas eleições presidenciais do atual presidente Filipe Nyusi, com 57 por cento dos votos, Dhlakama não aceitou os resultados e reclamou governar as províncias em que a Renamo ganhou.

O principal partido da oposição moçambicana terá mantido sempre um contingente armado que se envolveu em episódios de confrontação com as forças governamentais.

Há dias, a 17 de abril, o presidente moçambicano, Filipe Nyusi, confirmou que o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) estavam a finalizar um acordo para o desarmamento, desmobilização e reintegração dos seus combatentes nas forças de segurança.

Marcelo lamenta


O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, já lamentou a morte do líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, pela qual expressou o seu pesar ao Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi.

Numa curta nota, de dois parágrafos, publicada no portal da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa "lamenta a morte de Afonso Dhlakama" e "apresenta as suas condolências à família" do presidente da Renamo, referindo que "anos atrás" os dois se encontraram em Moçambique.


Em mensagem enviada ao Presidente Nyusi, o chefe de Estado expressou o seu pesar pelo falecimento do líder da Renamo, partido com assento na Assembleia da República de Moçambique, e interlocutor privilegiado nos caminhos do diálogo, da paz e da concórdia neste nosso país irmão", lê-se na mesma nota.



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